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Esportes Entrevista ao O Presente

“A Copagril não era só uma equipe de futsal, mas um movimento cultural dentro de Rondon”, diz Marquinhos Xavier

Técnico da Seleção Brasileira de Futsal, Marquinhos Xavier, durante visita ao O Presente, na última quinta-feira (09): “Nos mantivemos durante todo esse ciclo como os primeiros do ranking mundial. Isso nos obriga e aumenta muito a responsabilidade de sempre brigar pelo título. O Brasil tem condição de recuperar esta hegemonia” (Foto: Joni Lang/OP)

Após treinar a equipe Copagril Futsal nas temporadas 2009 a 2013 e permanecer até meados de junho de 2014, período no qual conduziu o time rondonense à conquista de dois dos três títulos do Campeonato Paranaense Série Ouro, respectivamente em 2009 e 2013, além do vice na Liga Nacional de Futsal no ano de 2010, Marquinhos Xavier passou a trabalhar com a Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF), time multicampeão sediado em Carlos Barbosa.

Em solo gaúcho o professor conduziu a equipe de atletas que faturou o Campeonato Gaúcho, Liga Nacional, Taça Brasil, Supercopa e Libertadores da América. O maior desafio da sua carreira vem sendo exercido desde o segundo semestre de 2017, quando passou a atuar como técnico da Seleção Brasileira de Futsal.

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Em visita ao O Presente na última quinta-feira (09), Marquinhos Xavier falou da oportunidade de trabalhar com a Seleção Brasileira e sobre as expectativas para as Eliminatórias da Copa do Mundo Fifa, que acontecem de 1º a 08 de fevereiro na cidade de Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul. Também comentou sobre o término do projeto profissional da Copagril Futsal, gerido pela Associação Atlética Cultural Copagril (AACC), além da atual fase do futsal nacional, entre outros assuntos. Confira.

 

O Presente (OP): Nos próximos dias a Seleção inicia os treinamentos e em seguida disputa em Carlos Barbosa as Eliminatórias da Copa do Mundo. Quais os desafios da equipe?

Marquinhos Xavier (MX): A gente se aventura e se desafia a cada ciclo com as equipes sul-americanas. O futsal sul-americano tem melhorado muito, avançou bastante, principalmente em termos de organização e estrutura. Embora possa parecer muito simples passar uma Eliminatória, uma vez que o Brasil foi a todos os Mundiais até hoje, na realidade é uma tarefa difícil a cada ciclo. A cada quatro anos percebemos evolução de todas as equipes do continente e isso obviamente nos deixa em sinal de alerta. Vamos chegar com uma equipe estruturada e com ciclo bem consolidado, com uma estrutura de equipe preparada para o Mundial que vai acontecer em setembro. Tudo isso nos dá um pouco de tranquilidade e a confiança de que vamos garantir novamente uma das quatro vagas e que representaremos novamente nosso país em uma competição tão importante.

 

OP: Os alas Gadeia e Diego, que partiram da Copagril ao futsal mundial, constam na lista de convocados. O que esperar deles nas Eliminatórias?

MX: Com orgulho e muita satisfação nós nos reencontramos na Seleção Brasileira. Eu tenho tido a oportunidade de conviver com eles nas convocações que a gente tem feito, quando usa toda a estrutura da CBFS (Confederação Brasileira de Futsal). São dois atletas importantes e a cada convocação, onde há oportunidade de trazer todos os atletas na seleção que chamamos de seleção absoluta, tenho encontrado o Diego e o Gadeia e sempre comentamos sobre a nossa passagem por Marechal Cândido Rondon. Temos uma expectativa muito grande para as Eliminatórias. Eles são atletas importantes em nível mundial, jogam em grandes clubes do mundo e estão muito próximos desta convocação para a Copa do Mundo. O desempenho deles nas Eliminatórias vai direcionar à convocação ou não, mas é importante ver que esses dois atletas que se firmaram no futsal nacional praticamente iniciaram e jogaram quatro temporadas em Marechal Rondon. Foi uma passagem muito longa e hoje eles estão entre os principais jogadores do mundo. A gente fica muito feliz. Posso dizer que a gente cresceu junto, iniciou aqui e todos conseguiram alcançar os objetivos máximos que era estar na Seleção.

 

OP: Em avançando ao Mundial da Lituânia existe a possibilidade do Brasil recuperar a hegemonia no futsal?

MX: A gente tem um potencial técnico muito forte e todos os anos o Brasil desponta, tem atletas revelados e jovens atletas com destaque em nível mundial. A saída de atletas do Brasil para outros países se mantém em toda abertura de mercado. Muitos atletas deixam o Brasil para irem a outros países e isso demonstra força, a hegemonia do futsal brasileiro em questão de talento, trabalho e destaque. Dentro da Seleção Brasileira também temos sucesso, porque nos mantivemos durante todo esse ciclo como os primeiros do ranking mundial. Então isso nos obriga e aumenta muito a responsabilidade de sempre brigar pelo título. Penso que o Brasil tem condição de recuperar esta hegemonia. Claro que não são só aspectos técnicos. As coisas não se definem e não estão centralizadas apenas na quadra.

Nós precisamos melhorar em termos de organização, estrutura e trabalho porque em alguns momentos não conseguimos ter sequência de treinamentos em função da geografia muito diferente dos outros países. Temos uma seleção inteira fora do Brasil e uma seleção dentro do país com atletas oriundos das ligas nacionais e das competições regionais. São duas seleções distantes, uma dentro e outra fora, e precisamos reunir com mais frequência. A nossa dificuldade é juntar um pouco mais essas duas seleções que possuímos e melhorar a nossa metodologia de trabalho, melhorar o nosso treinamento, aperfeiçoar algumas questões. Em um país continental como o nosso as distâncias são longas e é muito mais difícil, mas a gente tenta resolver com a experiência de outros profissionais da comissão técnica que já viveram esse processo e contribuem com informações e outras questões para aliar isso.

 

OP: A Seleção vai à Copa do Mundo com apoio da CBFS ou já da CBF? Por que a mudança na gestão do futsal?

MX: Começo pela segunda pergunta, porque é uma questão de organização. Há muitos anos a Fifa (Federação Internacional de Futebol) rege as competições de futsal mundial e dentro do guarda-chuva da Fifa estão o futebol, o futsal e o beachsoccer, o que é de responsabilidade da Fifa, a maior entidade do futebol. Há uma obrigatoriedade de os países se reportarem diretamente à Fifa, mas o único país que possui uma confederação distinta, separada da federação de futebol, é o Brasil. Isso ocorre porque temos a confederação desde 1979, então é muita história construída dentro de uma entidade. Logo, não é simples você extinguir e passar para outra entidade de uma hora para a outra. Existe a questão cultural de registros de todos os atletas, mas iniciou-se o processo de negociação há um bom tempo. Nós da comissão técnica estamos muito afastados do que está sendo resolvido. Nossa atribuição é muito técnica e nossa orientação é de que nos concentremos no departamento técnico, que façamos o planejamento, cumpramos o cronograma e deixemos essa questão para ser resolvida. Então, respondendo a primeira pergunta, o futsal pode estar sim já no próximo Mundial sob a tutela da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), porém é difícil dizer quando isso vai acontecer e de que forma, até por ser tratado muito mais em nível administrativo do que próximo do que a gente possa relatar.

 

OP: Recentemente o senhor optou em não renovar com o Carlos Barbosa. Qual o motivo dessa decisão?

MX: Existiram vários motivos. O primeiro e mais importante é de que o cargo de treinador da Seleção Brasileira de Futsal em 2020 precisa ter exclusividade, isso é uma exigência da entidade. O motivo é que se trata de um ano de Mundial, de muitas competições, um ano de avaliação, de monitoramento de atletas, é um ciclo final onde você precisa amarrar tudo isso, o que demanda muito tempo. Também requer minha ausência na cidade e na equipe, porque vou me deslocar inclusive a outros países, acompanhando Eliminatórias e outros tipos de situações. Em segundo lugar eu fiquei seis temporadas no Carlos Barbosa e a demanda de trabalho lá é muito alta, é uma equipe que joga quatro ou cinco competições por ano, sendo preciso ter energia muito grande para rodar essa engrenagem que é muito pesada, muito estruturada, e eu não teria condição de fazer isso de forma satisfatória como eu consegui nesses três anos. Eu já vinha acumulando a função durante todo este processo. Então, considerei justo que me desligasse desse ciclo nesse momento, me dedicando somente à Seleção Brasileira, mas quem sabe posteriormente possa voltar. Mantenho alguns vínculos com a equipe, pois faço a coordenação de alguns projetos. Nós temos a pós-graduação que será iniciada em fevereiro sob minha coordenação e com o apoio da CBFS, então estarei na cidade, de maneira que meu desligamento foi em nível profissional mesmo do cargo de treinador. Estes são os motivos mais expressivos pelos quais optei por esta mudança.

 

Técnico da Seleção Brasileira de Futsal, Marquinhos Xavier: “Essa é uma boa hora para as pessoas que talvez criticaram a gestão da Copagril pegarem agora e fazerem da forma como acham correta. É uma grande oportunidade. Da crise se faz uma série de fatores” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

OP: Enquanto técnico da Seleção de futsal o senhor pretende acompanhar e se aproximar mais dos clubes brasileiros?

MX: Isso foi um sonho e um desejo que sempre tive antes de chegar à Seleção Brasileira. Na verdade, muito próximo de encerrar esse ciclo, pois não sei se vai se estender ou não, eu chego de forma um pouco frustrada, pois não realizei dentro do cargo da Seleção tudo aquilo que gostaria de ter realizado. Isso é uma das principais situações que tinha planejado, estar mais próximo dos clubes. Como fiquei vinculado durante três anos no Carlos Barbosa, eu passei em muitos momentos a ser adversário dos clubes quando na função de treinador da seleção eu não poderia ser um adversário, eu deveria ser um parceiro, mas isso não foi uma questão pessoal, mas sim de estrutura. Eu não tinha como me desvincular e não ter uma função, não ter talvez uma estrutura financeira, inclusive, para realizar o trabalho. Então, não adiantaria eu me desvincular e não poder realizá-lo. Pretendo, nesse curto ciclo, nesse curto espaço de tempo até o Mundial, em setembro, após as Eliminatórias no mês de fevereiro, fazer isso, ir aos clubes, oferecer ajuda aos profissionais, de repente alguma sugestão e ficar à disposição das equipes para contribuir em algum momento, pois acredito que este é o papel do treinador da Seleção.

 

OP: Qual a sua avaliação sobre os campeonatos estaduais e a Liga Nacional de Futsal?

MX: Nós temos um problema muito sistêmico dentro do futsal brasileiro. Penso que, em resumo, se fosse usar uma frase eu diria que o futsal se sabota. Nós mesmos acabamos depreciando o nosso produto, a imagem da modalidade, rasgando muitas vezes a identidade da modalidade que é, sem dúvida nenhuma, uma das mais atrativas do nosso país. Os números de visibilidade, de impacto nas mídias sociais são expressivos. Nós temos praticamente 300 mil jogos de futsal realizados no território nacional e mais de seis mil atletas registrados. Portanto, temos números que revelam a importância da modalidade, mas muitas vezes quem faz a gestão não cuida da modalidade como ela deveria e o que se pratica muito no Brasil, também em outras esferas, se faz de forma ainda mais desacerbada no esporte, que é criar alguma coisa nova. Não é esse o caminho. A gente tem de melhorar o que existe, então a todo instante cria-se uma competição. Não satisfeito com a Liga Nacional, cria-se uma competição paralela; não satisfeito com uma competição estadual, cria-se uma liga estadual; daqui a pouco não vão estar satisfeitos com a Liga Nacional e vão criar uma com outra nomenclatura. O que acontece? Você fica dividindo a energia, a força e depois o público não sabe o que vale e o que não vale, qual competição tem validade e qual não tem, qual competição te leva aonde. As pessoas ficam confusas e isso é uma sabotagem. Vejo que o que falta é as pessoas que gerem a modalidade no Brasil se juntarem e pararem de querer inventar coisas novas; devem se concentrar em melhorar o que já existe.

 

OP: O que representa o fim da Copagril Futsal em uma análise mais ampla? Quais as consequências disso para o esporte?

MX: Bom, primeiro vou falar muito em caráter pessoal. As decisões são tomadas por pessoas com capacidade de decidir o que é bom e o que é ruim, então não cabe a mim questionar ou argumentar qualquer tipo de situação, até porque eu estaria praticando aqui um achismo. Eu não tenho conhecimento de causa para saber os fatores que levaram a empresa, uma grande empresa e uma grande estrutura como a Copagril a tomar esta decisão. Como torcedor que sempre fui, mesmo tendo saído de Marechal Rondon, nunca deixei de torcer pelo sucesso do projeto e sempre reverenciei muito o projeto em outros lugares e repito seguramente que a Copagril “era” uma das maiores estruturas do futsal brasileiro em termos de organização, de gestão, de seriedade, envolvimento com a imprensa e a comunidade, porque são itens que fazem com que você seja muito grande. Ela cumpria com todos esses requisitos. Essa decisão também me pegou de surpresa, me deixou muito triste, chateado com a possibilidade de não ter mais Marechal Rondon no mapa do futsal brasileiro. Penso que cabe a muitas pessoas refletirem sobre isso, não só à AACC como gestora do projeto refletir sobre o impacto que isso pode causar a médio e longo prazos, penso que todas as entidades, o município, o Poder Público, as empresas que estavam envolvidas, as empresas que não estavam envolvidas diretamente, mas que se beneficiavam disso, porque nós temos aí a geração de consumo, de comércio dentro da esfera municipal que vai ser impactada. Se é 1%, 2% ou quanto a gente não sabe, cada segmento pode ter mais vantagem ou desvantagem.

 

OP: A parte social pode ser atingida com esta decisão?

MX: Existe um caráter social que é muito importante e avalio que talvez não se pensou muito na questão social. Isso é uma opinião minha, vou reforçar, no que culturalmente a Copagril Futsal representava não só para a empresa, mas em nível municipal e estadual. Quando você tem um projeto como a Copagril teve durante todo tempo onde você tinha crianças e famílias dentro de um ginásio, como eu várias vezes vinha aqui jogar como adversário ou até quando estava presente e via centenas de crianças ali que fomentam o sonho de algum dia viver do esporte e que de alguma forma isso incentiva a prática esportiva, isso é geração de saúde, é uma geração intelectual, porque o esporte não tem só o cunho físico, mas sim cognitivo e é importante que as crianças desenvolvam esse lado. O esporte faz esse fomento, talvez até em uma proporção muito maior do que às vezes somente a escola, uma disciplina curricular. O esporte tem esse poder. Quando você perde isso, me preocupa muito o impacto daqui algum tempo. A Copagril não era uma equipe de futsal, para mim era um movimento cultural dentro de Marechal Rondon. Eu não vejo tantas opções de lazer, de cultura. Sempre falei, nós não temos em Marechal Rondon um teatro, cinema, para onde as pessoas vão aproveitar seu sábado ou seu dia da semana. Elas iam para o ginásio, era lá que as pessoas se encontravam e as famílias se reuniam. Isso não tem e pode não ter mais, o que me preocupa. É importante que as pessoas possam refletir sobre essa parada, porque eu de coração espero que seja um até breve, uma parada para se rever, reestruturar o projeto, avaliar tudo o que foi feito até agora e dar um direcionamento para que talvez no futuro seja diferente, pensar um pouco mais amplo, não só em resultado.

 

OP: O senhor acredita que Marechal Rondon voltará a ter time profissional?

MX: Eu conheço um pouco do cenário do futsal brasileiro. Normalmente as equipes surgem e também desaparecem em uma velocidade muito grande; isso acontece desde sempre. Na década de 1980 grandes empresas investiram no futsal brasileiro e depois encerraram suas atividades muito rapidamente. Eu passei, inclusive, por algumas delas. É sempre difícil voltar, porque se perde um pouco da química, da alquimia, da união, da energia que está em volta do projeto, mas vejo que se pensar em uma reestruturação de forma muito profissional pode voltar sim, tem potencial. Eu não vejo o futsal em Marechal Rondon dependente apenas da Copagril, que foi competente na gestão do futsal, mas nós víamos muitas empresas estampadas, não só no uniforme, como nas placas e nas publicidades apoiadoras do projeto, o quanto cada um era responsável financeiramente por isso só quem estava na gestão pode falar. A Copagril tinha a gestão, assumia as responsabilidades frente aos profissionais, frente ao município de gerir tudo isso, por isso vejo que algumas pessoas foram exageradas nas cobranças para com quem geria o futsal dentro da empresa.

Penso que muitas pessoas direcionavam muito o foco das críticas para isso, mas não podemos esquecer que a Copagril é uma empresa, ela apoia o esporte, que não pode trazer problemas para a empresa, mas precisa trazer benefícios para dentro dela. Me parece certo exagero de alguns criticar a forma como algumas coisas eram conduzidas. Eu trabalho com esporte e sei que muitas das decisões que são tomadas em âmbito profissional e internamente não podem ser divulgadas aos quatro cantos, porque existem problemas trabalhistas, existem problemas de imagem de atleta, você não pode denegrir a imagem de ninguém, são coisas muito sérias. Talvez tudo isso não foi explicado durante muito tempo. As pessoas precisariam culturalmente aprender mais sobre e por isso digo que o problema do futsal no Brasil é a gestão, deixar claro as coisas e mostrar para as pessoas como funciona, porque não é simples; ganhou está bom e perdeu está ruim. Quando se ganha muitas pessoas comemoram, quando se perde se responsabiliza meia dúzia; quando se ganha muita gente gosta de usufruir do benefício.

 

OP: A equipe Jaclani Futuro iniciou há alguns anos um projeto para revelar talentos e ingressou no Paranaense Série Bronze. Pode ser pavimentado caminho para gradativamente competir em outros níveis?

MX: Acredito que sim. Quando você tem pessoas que querem fazer, que têm interesse, quanto mais apoiadas elas forem melhor vai ser o caminho. Não tenho dúvida de que o caminho é esse, trabalhar a formação do atleta, trabalhar uma formação de forma global e não específica, somente para aquilo, formar o atleta não só em uma cultura técnica, mas também intelectual para que ele possa também ter oportunidades, caso no esporte ele não consiga triunfar. Quem sabe pode ser um pontapé inicial? Eu não sei. Falo subjetivamente de alguém que está fora e não conhece muito sobre como é gerido tudo isso, mas entendendo um pouco o processo acho que esse é o caminho. Essa é uma boa hora para as pessoas que talvez criticaram a gestão da Copagril pegarem agora e fazerem da forma como acham correta. É uma grande oportunidade. Da crise se faz uma série de fatores.

 

OP: A decisão da AACC pode trazer mais investimentos nas categorias de base e ampliar o número de atletas nas escolinhas?

MX: Acredito que sim, mas eu sempre tenho o receio de você tentar retirar de uma estrutura profissional o instrumento para formação, porque a formação só é contemplada se tiver uma referência máxima, ou seja, a equipe principal que serve de espelho para todas as outras. Não fazendo aqui nenhum tipo de comparação, mas a título de esclarecimento e exemplo prático, em Carlos Barbosa, que é uma cidade com 28 mil habitantes, existe um projeto social com 400 crianças. Então as crianças têm oportunidade de iniciar com cinco anos e acessar uma equipe adulta e muitas delas fazem isso. A gente reestruturou todo o programa pedagógico da formação em Carlos Barbosa, e os professores passam por capacitação, orientação, estágios e não é simplesmente colocar e vai resolver. Podemos ter um bom piloto, contudo se não tivermos uma boa estrutura e uma aeronave bem equipada não vai adiantar ser o melhor piloto do mundo. Acredito que a equipe adulta serve de referência porque você mira aonde pode chegar e se nesse caminho, como eu falei, numa formação contemplada, eu não conseguir acessar a equipe adulta, eu tenho a possibilidade de ser um grande profissional. Em Carlos Barbosa se pensa muito nisso. Uma criança de 12 anos que está na escolinha da AACC pode daqui dez anos ser uma funcionária exemplar na empresa ou em outras empresas. O esporte é fundamental na formação das pessoas, sem contar os indicadores de saúde porque as pessoas não tomam gosto pelo esporte aos 30 anos, então o esporte serve para terem cultura esportiva. É preciso praticar desde cedo para gostar do esporte.

 

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