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Cadê os gols? Analistas avaliam o sistema ofensivo do Inter

calendar_month 4 de maio de 2018
5 min de leitura

Tudo indica que a temporada do Inter seguirá baseada no discurso da reconstrução, na falta de recursos para investir, no fazer mais com menos, além do recomeçar e se manter na elite nacional. Pois em um ano que já se avizinha do fim do primeiro semestre – e do recesso no calendário para a Copa da Rússia -, um dos dramas colorados está no setor ofensivo. Neste domingo (06), diante do Flamengo, William Pottker e Leandro Damião deverão ser mantidos no ataque para o clássico do Maracanã.
Dos 29 gols da equipe na temporada (entre Gauchão, Copa do Brasil e Brasileirão), 13 deles foram marcados por atacantes – e por apenas quatro: Nico, Pottker, Damião e Roger. É bem verdade que o departamento de atacantes do Inter sofreu as baixas dos titulares William Pottker e Leandro Damião por quase 60 dias, que Roger se mostrou uma contratação equivocada (e já foi para o Corinthians), que Rossi se lesionou, que Wellington Silva soma apenas 181 minutos em campo com a camisa vermelha, que Marcinho não aprovou, que Brenner recebe chances de poucos minutos quando entra, que Lucca estreou na última partida, e que Ronald é utilizado apenas em treinos. Sobra Nico López, o atacante colorado que mais atuou em 2018, com 18 partidas, e autor de cinco gols. Está empatado com Pottker como o artilheiro da equipe no ano.
Para o analista de desempenho Gustavo Fogaça, o ataque de Odair Hellmann tem pecado justamente onde não poderia: em lances dentro da área.

“No futebol, nunca existe uma resposta única e simples para as coisas. Esporte é sistêmico e coletivo, onde vários fatores influenciam ao mesmo tempo. Há dois a serem trabalhados. O primeiro: os passes-chave, que são os passes de ruptura e as assistências, e o Inter tem produzido poucas chances assim. E o segundo: o espaço, finalizar nos últimos 10 metros de campo, onde as chances de gol aumentam. Nos três jogos do Brasileirão, o Inter não teve nenhuma finalização na pequena área. Os dois fatores estão ligados. Com mais construção coletiva (passes-chave), se criam mais infiltrações, e chances de finalizar de perto do gol”, avalia Fogaça.
O acréscimo de Lucca parece ter dado nova vida ao setor, ainda que dificilmente ele comece a partida contra o Flamengo. Diante do Bahia, o Inter teve 12 finalizações a gol, convertendo duas vezes. Na derrota por 1 a 0 para o Palmeiras, foram sete conclusões (e um gol mal anulado). Já diante dos reservas do Cruzeiro, tendo Lucca no segundo tempo, o Inter teve 21 finalizações, consagrando o goleiro Rafael como o melhor jogador em campo.
“O Inter precisa de 20,5 finalizações para fazer um gol, em média, nesse Brasileirão, sendo o 16º colocado nesse índice. Contra o Cruzeiro, foram construídas mais do que as 20,5 finalizações, 11 delas dentro da área adversária, contra o duro sistema defensivo de Mano Menezes”, entende o jornalista Eduardo Dias, analista do projeto Footure.

“Odair tem uma equação que precisa de tempo, que talvez não tenha, para resolver. A característica do grupo de jogadores montado sugere um time reativo, contra-atacando em velocidade, e com alguns metros de campo à frente. Porém, esse tipo de jogo, principalmente no Beira-Rio, se proporcionará poucas vezes, apenas contra quatro ou cinco grandes que, dependendo do contexto, vierem jogar com equipes titulares”, adverte ele.
Para Dias, Odair ainda está em busca de uma solução para a construção de jogo do Inter. Segundo o analista, há três pontos são fundamentais para a equipe chegar com mais eficiência ao gol: a média de passes por minutos de posse, a aproximação entre os jogadores e a subida em bloco – além da pressão pós-perda da bola no ataque que não acontece ainda de forma natural.
“Quando os jogadores estiverem mais próximos, trocarem passes de forma mais rápida e subirem em bloco, de preferência com algum extrema bem aberto, pisando na linha lateral e abrindo a defesa adversária, as chances serão maiores, mais claras e os gols aparecerão. Os perfis de Lucca e Zeca podem ajudar nesta evolução e são coerentes com a necessidade de amplitude, rapidez na criação e participação no jogo – aponta Eduardo Dias. – É muito importante ressaltar que essa fase é a mais demorada da evolução e ela só vai chegar se o Inter continuar não sofrendo gols, com isso a confiança virá e Odair terá o tempo para resolver a equação”, completa.

Ainda que o Inter tenha feito apenas dois gols em três jogos no Brasileirão, sobre o Bahia, e ambos de Nico López, a equipe não marca há três jogos (depois da estreia contra o Bahia, e a vitória em casa por 2 a 0, o Inter enfrentou o Vitória pela Copa do Brasil, mais Palmeiras e os reservas do Cruzeiro).
Em anos anteriores, nas três primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, o Inter só marcou menos gols em 2015, quando estava às voltas com uma boa campanha na Libertadores. No Maracanã, o palco dos sonhos de muitos jogadores, o ataque do Inter terá mais uma chance de provar se pode ou não liderar a equipe a voos mais altos no Campeonato Brasileiro.

Os gols do Inter nas três primeiras rodadas da Série A
Brasileirão 2018 – 2 gols
Brasileirão 2016 – 3 gols
Brasileirão 2015 – 2 gols
Brasileirão 2014 – 5 gols
Brasileirão 2013 – 5 gols
Brasileirão 2012 – 6 gols
Brasileirão 2011 – 5 gols
Brasileirão 2010 – 4 gols
Atacantes do Inter em 2018
(Os atacantes colorados respondem por apenas 44,8% dos gols do time em 2018)
Nico – 5 gols em 18 jogos
Pottker – 5 gols em 12 jogos
Damião – 1 gol em 8 jogos
Roger – 2 gols em 13 jogos
Wellington Silva – oito jogos
Lucca – nenhum gol em um jogo
Rossi – nenhum gol em três jogos
Brenner – nenhum gol em seis jogos
Marcinho – nenhum gol em 11 jogos
Ronald – nenhum gol em um jogo
Os autores dos demais gols do Inter em 2018
D’Alessandro – 4 gols
Patrick – 3 gols
Edenilson – 2 gols
Danilo Silva – 2 gols
Iago – 2 gols
Thales – 1 gol
Rodrigo Dourado – 1 gol
Klaus – 1 gol
Total de gols na temporada
29 gols em 22 jogos

Com Zero Hora/Gaúcha FM

 
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