Quando o árbitro esloveno Slavko Vincic apitou o fim da decisão entre Argentina e Espanha, neste domingo (19), em Nova Jersey, ele deu início a um novo ciclo: o que leva para a Copa do Mundo de 2030, que será disputada 100 anos após a primeira edição do torneio.
Depois do torneio de 2026 disputado em três países – Canadá, Estados Unidos e México –, o próximo Mundial será ainda maior: jogos serão realizados em seis nações de três continentes diferentes.
Espanha, Marrocos e Portugal concentração a maior parte dos confrontos, mas, para celebrar o centenário da Copa do Mundo, as três primeiras partidas serão disputadas na América do Sul, no Uruguai (que sediou o torneio de 1930), na Argentina e no Paraguai.
Foi um acordo político: a Conmebol queria receber a competição, mas aceitou os jogos comemorativos quando a campanha de Espanha, Marrocos e Portugal se mostrou favorita.
No ano passado, porém, a confederação sul-americana apresentou um projeto para que a Copa de 2030, e só ela, seja ampliada para 64 seleções – sob o argumento de que é preciso abrir a porta do torneio centenário para mais países.
A intenção é que as três sedes locais recebam um grupo da competição cada, em vez de apenas uma partida como é a previsão no torneio de 48 seleções. Assim, se a medida for aprovada, 18 partidas seriam disputadas na região.
Por enquanto, o projeto não atraiu apoiadores fora da Conmebol, ao menos publicamente. Mas o sucesso da Copa na América do Norte, com 48 equipes, e a possibilidade de receitas ainda maiores com 16 times a mais podem mudar o cenário.
Durante o torneio que terminou neste domingo, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou, em entrevista, que a proposta seria analisada. Após a repercussão da declaração, a entidade esclareceu que a ideia foi apresentada por “um membro do Conselho” e que a Fifa tem “o dever de analisar qualquer proposta de um de seus membros do Conselho.”
Cidades e agenda
As sedes ainda não foram definidas e dependem de uma série de avaliações feitas pela Fifa, mas o projeto da candidatura principal inclui 11 estádios na Espanha, seis no Marrocos e três em Portugal.
Na Espanha, as cidades são Madri (Santiago Bernabéu e Metropolitano), Barcelona (Camp Nou e RCDE Stadium), Sevilha, Málaga, Bilbao, San Sebástian, La Coruña, Zaragoza e Las Palmas.
No Marrocos, estão previstos jogos em Casablanca, Agadir, Fés, Marrakesh, Rabat e Tánger. Em Portugal, as partidas serão em Lisboa (Estádio da Luz e José Alvalade) e no Porto (Estádio do Dragão).
As partidas de celebração do centenário da Copa, na América do Sul, serão disputados em Montevidéu (Estádio Centenário), Buenos Aires (Monumental de Nuñez) e Assunção, (Arena Osvaldo Domínguez Dibb, projeto de novo estádio do Olimpia).
Esses duelos comemorativos na América do Sul estão previstos para acontecer nos dias 8 e 9 de junho de 2030. Os primeiros jogos na Espanha, Marrocos e Portugal ocorrerão nos dias 13 e 14, quando serão realizadas cerimônias de abertura. A final está marcada para 21 de julho.
Onde será a decisão?
A Fifa ainda não escolheu qual estádio receberá a final da Copa do Mundo de 2030, mas há dois favoritos.
O Santiago Bernabéu, recentemente reformado, é a aposta espanhola para que o campeão seja conhecido no país, mas o Marrocos também tem um forte candidato.
A proposta marroquina é fazer a final em Casablanca, no Grand Stade Hassan II, um colosso para 115 mil pessoas que está sendo construído para o torneio.
A Fifa não estipula prazo para que a escolha seja feita, mas há fatores políticos que podem pesar na decisão.
Membros da Uefa, a confederação europeia, têm se movimentado em oposição a Infantino. Por outro lado, a CAF (Confederação Africana de Futebol), já declarou apoio à reeleição do atual presidente da Fifa – assim como a Conmebol e AFC (Confederação Asiática de Futebol).
Infantino já anunciou que será candidato a um terceiro e último mandato – o pleito será no ano que vem, no Congresso da Fifa marcado para Rabat, no Marrocos.
A decisão cabe ao Conselho da Fifa, um órgão formado por 37 dirigentes comandado por Infantino.
Eliminatórias
Por serem sedes dos jogos comemorativos dos 100 anos da Copa do Mundo, Argentina, Paraguai e Uruguai já têm suas vagas reservadas para o torneio – assim como, claro, Espanha, Marrocos e Portugal.
Por isso, a Conmebol avalia qual será o formato das próximas eliminatórias sul-americanas.
Atualmente, com 48 seleções no Mundial, os sul-americanos têm direito a 6,5 vagas – seis diretas e uma para a repescagem. Para 2030, portanto, haveria três vagas diretas em disputa, além da repescagem, para apenas sete seleções, já que Argentina, Uruguai e Paraguai estão garantidos.
É um número que pode afastar o interesse no sistema atual da classificatória. Mas a Conmebol busca soluções para não alterar a forma de disputa.
Isso porque as confederações locais são defensoras das eliminatórias com 18 jogos – todos contra todos, com partidas de ida e volta, em pontos corridos –, já que o torneio é uma das principais fontes de renda dessas entidades. Diminuir o número de confronto impactaria nos bolsos.
Uma ideia é que o formato seja mantido, com participação de Argentina, Paraguai e Uruguai. Assim, haveria distribuição de prêmios em dinheiro e a disputa de uma taça – algo como uma Liga das Nações sul-americana – para manter a atratividade da competição.
Com ge
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