“Começa o jogo!”. Ou melhor, recomeçam os jogos.
Desde o dia 17, foram retomadas as atividades esportivas amadoras e comunitárias em Marechal Cândido Rondon, após 149 dias suspensas por conta das medidas preventivas, a fim de evitar a proliferação do coronavírus no município.
No entanto, mesmo com a liberação das atividades, o decreto publicado no início do mês pelo governo municipal impõe regras preventivas de higiene e distanciamento, semelhantes às impostas ao comércio para evitar a propagação da doença.
Entre as principais normas destaca-se a proibição do acesso às instalações esportivas de pessoas com idade superior a 59 anos e crianças de até 12 anos, consideradas do grupo de risco.

Presidente do clube Os Milionários, Laércio Grohe: “Por causa da chuva ao longo da semana e da previsão de frio para o fim de semana, preferimos adiar o retorno dos jogos para semana que vem” (Foto: Sandro Mesquita/OP)
MILIONÁRIOS
A restrição quanto à idade não será problema para os membros da Associação Os Milionários, que costumam jogar futebol duas vezes por semana nas dependências da sede do clube.
De acordo com o presidente Laércio Grohe, a média de idade dos sócios-jogadores é de 30 anos. “Tem um ou outro cinquentão, a maioria está liberada para jogar”, declarou ao O Presente.
A associação possui dois campos de futebol suíço, onde acontecem os jogos desde 1985, ano de fundação da entidade criada por um grupo de amigos. Atualmente, o clube conta com 50 sócios e cerca de 20 contribuintes, pessoas que frequentam o espaço somente para jogar futebol.
Laércio explica que existem várias versões para a origem do nome da associação, porém, a principal delas é de que foi uma brincadeira com a situação financeira do grupo, que na época não era muito favorável, por isso, “Milionários”.
Ele relata que os encontros para jogar futebol vão além das quatro linhas. Segundo Grohe, os momentos são para a confraternização entre amigos. “O que a pandemia mais mostrou para nós foi a falta que faz os encontros com os amigos. O mais legal é depois, sentar, tomar uma cervejinha. Tem alguns que eu não vejo desde que começou a pandemia, porque o nosso encontro era lá”, menciona.
Conforme o presidente d’Os Milionários, todas as medidas preventivas estabelecidas no decreto estão sendo seguidas e alguns cuidados extras foram definidos pela administração do local. “A diretoria decidiu que a princípio não abriremos a parte onde vende bebidas para evitar a aglomeração de pessoas”, expõe.

Presidente do 3AC, Pedro Airton Vasatta: “Enviamos algumas normas para todos os associados, baseadas no decreto municipal, para a realização dos jogos” (Foto: Arquivo pessoal)
3AC
Outro tradicional grupo de amigos apaixonados por futebol se reúne no 3AC, ou Associação Atlética Amigos do Confúcio, criada há 35 anos.
O nome é uma homenagem ao fundador, o médico Ailson Confúcio de Lima, que por muitos anos atuou em Marechal Rondon e foi o primeiro proprietário do Hospital Rondon. Os jogos do clube por anos foram disputados no campo situado em frente ao hospital, em meados das décadas de 1970 e 1980.
Apesar da liberação dos jogos nesta semana, o presidente do 3AC, Pedro Airton Vasatta, diz que a bola demorará um pouco mais para rolar por causa da previsão de chuva e frio para o fim de semana. “Preferimos adiar para semana que vem”, comenta.
Os jogos acontecem nos dois campos localizados na sede da Associação, que atualmente possui 65 membros.
Segundo Vasatta, a equipe é bastante ativa. Além dos jogos-treinos, os atletas costumam realizar amistosos e participam de torneios.
Ele afirma que foi difícil para a equipe ficar afastada da prática do futebol durante os dias de suspensão das atividades esportivas no município por conta da pandemia de Covid-19. “Existia uma expectativa grande para o reinício das atividades, mas, é claro, sempre respeitando em todos os sentidos as orientações em relação à doença para ajudar a preservar vidas, que é o mais importante”, destaca.
De acordo com Vasatta, todas as determinações referentes ao decreto que liberou a retomada das atividades esportivas serão seguidas pela associação, inclusive, a direção da entidade criou uma normativa, baseada no decreto, a qual deve ser de conhecimento de todos os associados.
A direção do 3AC também optou pela não reabertura do bar do clube. “De início será sem as confraternizações com os amigos que aconteciam sempre às quintas-feiras, mas com o passar do tempo tudo deve voltar ao normal. Estamos ansiosos para isso”, ressalta.

Vice-presidente esportivo da AABB, Herbert Corrêa de Oliveira: “Todas as medidas de prevenção estão sendo respeitadas. Fizemos adequações para que tenhamos uma menor aglomeração de pessoas após o retorno” (Foto: Sandro Mesquita/OP)
AABB
O vice-presidente esportivo da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), Herbert Corrêa de Oliveira, define o fechamento das associações e clubes durante a pandemia como um período difícil, principalmente para os associados que utilizam o espaço para jogar futebol. “A associação vive de sócios, e mais ou menos 70% dela é voltada para o futebol”, aponta.
Ele conta que durante os dias de fechamento e atividades paralisadas foram realizadas inúmeras reformas e melhorias nas instalações da AABB. “Fizemos adequações para ter o espaçamento necessário para jogadores de baralho, fizemos melhorias nos quiosques, churrasqueiras, campos, quadra de tênis e futevôlei. Foram feitas também duas mesas de futemesa e melhorias especialmente no bar para melhor atender os associados”, relata.
Conforme Oliveira, todas as medidas de prevenção estão sendo respeitadas no local. “As adequações foram feitas para que tenhamos uma menor aglomeração de pessoas após o retorno”, menciona.
Ele conta que a expectativa para a retomada das atividades era muito grande. “Estávamos aguardando esse momento de voltar, mas, é claro, com sabedoria e tomando os cuidados necessários, conforme determina o decreto municipal”, enfatiza.
As atividades esportivas na AABB recomeçaram no último dia 18. O primeiro jogo de futebol realizado na associação, após a liberação, foi entre o grupo de amigos conhecidos pela sigla “CATS” (Clube dos Amigos de Terça e Sexta), em referência aos dias da semana em que se reúnem para jogar futebol e colocar a conversa em dia.
O autor do primeiro gol após a retomada dos jogos na AABB foi do arquiteto Arlen Güttges, um dos integrantes do grupo que existe há quase 24 anos e conta com aproximadamente 20 membros. “Faça chuva ou faça sol a gente se encontra para jogar, e agora, em época de pandemia, infelizmente não podemos confraternizar, mas esperamos que logo passe para que as confraternizações também voltem a acontecer”, comenta Güttges.
Ele pontua que, apesar de muitos membros do clube terem praticado outras atividades como o ciclismo, devido ao longo tempo em que estiveram afastados do futebol, o retorno precisará ser cauteloso para que nenhum jogador saia machucado de campo. “Teremos que voltar de forma lenta, com bastante calma e sem bola dividida porque é muito tempo parado”, enaltece Güttges.
Ele destaca a importância em se tomar todos os cuidados determinados pelo decreto municipal para evitar que as atividades sejam novamente suspensas. “Embora nos encontramos em uma região privilegiada, tivemos só dois casos de óbito em nosso município e ainda questionáveis, mas estamos nos cuidando para voltarmos e voltarmos na plenitude”, evidencia.

Arlen Güttges, integrante do clube de futebol CATS: “Futebol é uma paixão do brasileiro, e todos os grupos de futebol da cidade sentiram falta dessa prática esportiva” (Foto: Sandro Mesquita/OP)
O QUE DIZ O DECRETO
O decreto municipal nº 218/2020, publicado no dia 03 de agosto, autorizou o retorno das atividades esportivas amadoras e comunitárias em Marechal Rondon a partir de segunda-feira.
A flexibilização das restrições esportivas que haviam sido impostas em março por conta da pandemia do coronavírus compreende algumas medidas de prevenção à doença que devem ser seguidas pelas instituições e pessoas autorizadas a frequentar as instalações esportivas.
Entre elas, destaque para a proibição da presença de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, crianças de até 12 anos, além de portadores de doenças crônicas, infecciosas, renais, gestantes e mulheres que tiveram filhos há pouco tempo. O acesso de público/torcida nos locais de jogo também está proibido.
Há, ainda, medidas como disponibilização de álcool gel 70% para a higienização das mãos, tapetes sanitizantes com solução de hipoclorito de sódio para a desinfecção de calçados, local para a lavagem das mãos com sabão líquido, papel toalha e lixeiras que não necessitem de acionamento manual.
Na entrada dos ambientes onde será realizada a atividade todas as pessoas devem ter a temperatura corporal aferida e em caso de alguém apresentar medição superior ou igual a 37,8°C uma planilha de monitoramento disponibilizada pela prefeitura deve ser preenchida com os dados da pessoa, que deverá ser imediatamente encaminhada a uma das unidades de saúde do município.
O acesso em ginásios, clubes e afins, para a prática de esportes, é permitido somente para colaboradores, atletas e equipe multidisciplinar que atuam no local. O uso constante de máscara é obrigatório para a equipe técnica; jogadores, por exemplo, não precisam usar. A instrução e orientação dos exercícios deve obedecer a distância mínima de dois metros.
As atividades de esporte deverão obedecer um intervalo de no mínimo 20 minutos para a saída de um grupo e a entrada de outro para evitar aglomerações.
Devem ser dispostas cartilhas com referências à higienização de mãos, ao uso de máscaras, aos sinais e sintomas de Covid e aos cuidados com o automonitoramento. Estas devem estar expostas e ser divulgadas nas dependências físicas dos locais de treinos.
A entidade responsável pelo local assume o compromisso de promover o controle das pessoas que frequentam o espaço, ciente de que eventual desrespeito que venha a ser identificado ensejará na imediata interrupção das atividades e sofrerá as consequências legais decorrentes.
As reuniões de trabalho das equipes deverão ser realizadas através de aplicativos e plataformas digitais.
Os vestiários, bebedouros com bical, chuveiros e saunas deverão permanecer interditados.
Faixas de sinalização de distanciamento de no mínimo um metro entre as pessoas deverão ser dispostas no piso.
O horário de funcionamento das atividades do esporte amador e comunitário fica limitado às 22 horas nas associações, entidades e clubes e até as 23 horas nas arenas esportivas de futebol sintético.
As atividades econômicas dos bares das entidades e das associações esportivas, devem seguir as disposições contidas no artigo 16 do decreto municipal 126/2020, de 30 de abril de 2020.

Aferição da temperatura deve ser realizada nos atletas logo na entrada das instalações da sede esportiva (Foto: Sandro Mesquita/OP)
O Presente