Emocionante. É desta forma que a rondonense Raíssa Cristina Urbano Passos define a conquista da medalha de prata no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, disputado no último fim de semana, em Barueri, São Paulo.
“Para mim, foi marcante, pois é um campeonato de grande porte, de ‘peso’, que tem várias pessoas importantes, vários famosos também. Conseguir esse título foi parte da realização de um sonho. Estou muito feliz”, define a atleta ao O Presente.
Integrante da Associação Projeto Vida e Esperança (Aprove) Jiu-Jitsu, de Marechal Cândido Rondon, Raíssa já ganhou competições em Toledo e Umuarama e já foi campeã da 4ª, 6ª e 7ª etapa do Paranaense.
“Com esses títulos que ela ganhou no Estadual, foi destaque como a melhor do ano dentro da Federação Paranaense. Foi atleta destaque na categoria dela e no peso dela na faixa”, menciona o professor Angelo Reis, coordenador do projeto.

Faixa cinza, a rondonense diz que começou a praticar jiu-jitsu por acaso. “O meu pai foi no salão do mestre e ele comentou que era professor de um projeto. Falou se ele queria me levar lá e a gente foi. Conhecemos, olhei um treino e resolvi fazer uma aula experimental. Comecei a gostar e a treinar, mas iniciei sem o objetivo de ir para um campeonato”, relembra.
Meses depois, o jiu-jitsu é tudo na vida de Raíssa. “Representa muita coisa para mim. Além de ter me ajudado na questão da escola, me ensinou disciplina, humildade e, principalmente, a ter respeito com os outros, porque nem sempre na vida você vai conseguir ganhar. Temos que aprender a ganhar e perder”, destaca, acrescentando: “é um esporte que me ajuda a trabalhar a questão mental, a concentração, o psicológico e o emocional”.

Grande performance
De acordo com o professor, a atleta conseguiu realizar uma grande performance na categoria dela. “Em um ano, ela conseguiu muito. Durante o ano passado, criou uma performance legal e ajustou o jogo dela para ir para o Brasileiro”, pontua.
Segundo ele, a meta, para o ano que vem, é levar esses atletas com melhores resultados para vivenciar desafios mais difíceis. “No ano passado levamos quatro atletas para o Brasileiro e neste ano 14. E eles foram muito bem, perfeitos para mim. Foi igual terem conquistado um ouro, porque chegaram lá, no primeiro ano deles em um campeonato de peso, e tiveram uma performance excelente”, elogia.

Próximo compromisso
Quem é atleta não para. Depois de uma competição, o foco se volta para o próximo, e o próximo desafio dos rondonenses será no dia 21 de maio, em Francisco Beltrão: a Copa O Mestre do Açaí 2023. “Depois temos o campeonato AJP, que é outro campeonato profissional, que a Raíssa também já foi campeã na categoria; teremos um campeonato dos árabes e aí também quem compete seguindo no ranking pode participar do Mundial de Abu Dabi, em Dubai. Então, temos a possibilidade de tirar uma pontuação boa e se classificar para ir competir. Hoje a gente ainda não conseguiu na categoria deles, não tem suporte para eles viajarem de graça, só no adulto”, expõe.
Reis explica que o jiu-jitsu não é uma modalidade olímpica. “Na categoria deles o maior evento é o PanKids, que é na Califórnia. Esse é o maior evento hoje de jiu-jitsu das crianças. É como se fosse para a gente o Mundial”, detalha.

Pé no chão
Depois de uma competição, o professor revela o que diz aos seus atletas. “Vamos rever o que a gente pode melhorar, sempre mantendo a humildade. Não é porque você ganhou um campeonato que vai ganhar o próximo. Então, é buscar melhorar, treinar muito e permanecer com o pé no chão”, ressalta.
Treinos
Atualmente, Raíssa treina de segunda a quinta-feira, e a sexta-feira é livre. “Temos uma equipe do intermediário que conseguimos trabalhar melhor o nível de competição. Treinamos três vezes por semana e para eles o ideal seria de segunda a sexta-feira. A Raíssa, agora, vai começar a fazer preparação física também, treino de explosão, de força, de geometria, o que vai ajudar na performance dela”, comenta.
“Ela já passou pelo Brasileiro, agora a meta dela é ano que vem, o Brasileiro de novo. É seguir trabalhando. Outro campeonato que tenho vontade de correr atrás para eles é o Panamericano, na Califórnia. No próximo ano a gente já quer trabalhar corretamente, tirar o passaporte, o visto depois, para tentar ir. No começo do ano eu fui para Paris, na França, lutar o Europeu. É uma sensação incrível e eu quero proporcionar essa sensação para eles também. Quero que sintam o que é lutar um campeonato fora do Brasil”, salienta.

Talentos
Reis evidencia que há muitos talentos no jiu-jitsu em Marechal Rondon. “Temos atletas promissores e estamos criando oportunidades para outros atletas. Oferecemos um jiu-jitsu de qualidade profissional em Marechal, que antes não tinha”, destaca.
Aprove
A Aprove conta atualmente com 250 alunos, oferecendo treinos gratuitos à comunidade. No momento há vagas abertas para alunos com idades de dez a 13 anos, das 10 às 11 horas, e também há vagas para o horário das 14h30 às 15h30.
“Quem quiser participar do nosso projeto, é só chamar pelo direct, no Instagram, ou se dirigir à secretaria da Comunidade Emanuel”, orienta Reis.

O Presente
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