O Presente
Esportes

Em dez anos número de provas de rua subiu a ladeira em Cascavel: era uma única prova, agora são mais de 30

calendar_month 9 de novembro de 2025
4 min de leitura
A largada da Corrida da Fé na rua Mato Grosso, em uma manhã fria e molhada, reuniu mais de mil participantes: febre da corrida

Quem viu das sacadas dos prédios a largada da “Corrida da Fé”, na rua Mato Grosso, no frio e molhado domingo (12), certamente ficou impactado. Mais de 2 mil atletas profissionais e amadores estavam inscritos. Era um mar de gente que cobria a visão para o asfalto.

A correria em Cascavel é algo relativamente recente. Uma década atrás havia somente uma prova, a tradicional corrida do Sesc. Agora já são mais de 30 provas por ano, todo mês tem gente disputando lugar ao pódium ou apenas se divertindo nas passadas.

“No calendário de 2026 já estão protocoladas 28 provas”, informa o Rodrigo Cirilo, a voz ao microfone das provas, profissional que soube surfar na onda e transformou a “febre” de corridas em um negócio. Ele organizou as maiores provas do ano em Cascavel, como a Corrida da Fé e a da Apae, ambas com mais de 2 mil inscritos.

Há outros profissionais curtindo o gosto pela corrida. Uma visita ao final da tarde na pista do centro esportivo Ciro Nardi vai perceber professores de educação física exercendo o ofício como profissionais liberais, assessorando corredores.

As marcas locais também perceberam o potencial de engajamento dos clientes nas provas. O Porti e o Super Muffato promoveram corridas de muitos competidores esse ano. “As empresas patrocinadoras de corridas ganham visibilidade promovendo uma atividade que estimula hábitos saudáveis com baixo investimento”, pontua Cirilo.

PROFUSÃO DE GRUPOS

Do nada, surgiram mais de 20 equipes de corrida na cidade. Um grupo no WhatsApp, organizado por adeptos da modalidade, tem mais de mil membros ativos. O mantra da turma é “ad cautelam run” (por precaução, corra).

É tudo muito recente. A equipe 100Pace, para ficar em um exemplo, foi criada em abril do ano passado e participou de quase todas as provas em 2025. “É o esporte individual mais coletivo que existe”, costumam dizer os líderes de equipes. “Um atleta dá força para o outro no treino e na competição, e isso faz toda a diferença”, destacam.

O que esse pessoal todo ganha ao final da prova? Em regra uma medalha e uma banana para injetar potássio no atleta. Mesmo as provas que premiam em dinheiro, oferecem valores simbólicos, como R$ 500 para o lugar mais alto do podium.

Mas não são os estímulos materiais que conduzem essa galera. É a corrida pela corrida. É a liberação em doses generososas da endorfina, o “hormônio da felicidade”, analgésico natural que promove bem-estar, euforia e prazer, alimentando aquela inevitável resenha pós prova.

BOLA OU PISTA?

Conforme explica Cirilo, o organizador das provas, a barreira de entrada está lá no chão, rente ao asfalto. “Praticar corrida exige somente uma camiseta, um short, um par de tênis e força de vontade. Bem, nas provas tem que pagar a inscrição também, que varia de R$ 70 a 120 (a turma do Cirilo precisa faturar algum caraminguá para organizar o evento).

Cirilo compara com outras atividades, como a mais popular de todas em Cascavel, as peladas de futebol. Para “jogar bola”, como se diz no popular, tem que alugar campo, organizar time, convidar uma equipe adversário e até alugar o goleiro no aplicativo. Ao passo que a corrida de rua, embora ofereça espaços na cidade, como o Ciro Nardi, a Tancredo Neves e mesmo a avenida Brasil, dispensa local específico.

E o calendário do ano não acabou. Há pela frente duas corridas noturnas, do 6º BPM e da FAG e a Corrida do Sesi. Como cantarolava aquela clássica faixa da dupla sertaneja, “nesta longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar, na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar…”

A 100 Pace, uma das mais de 25 equipes de corrida que surgiram em Cascavel nos últimos anos, e, no detalhe, o atleta Aleksander Caramori Furtado, vencedor em sua categoria na concorrida “Corrida da Fé”: “esporte individual mais coletivo”

PITACO DO PITOCO

A febre dos corredores de rua será “fogo de palha”, modismo de modalidade, como parece ter sido o Beach Tennis?

Vale lembrar: ninguém menos que Gustavo Kuerten, o Guga, colocou seu nome e marca em Cascavel na invejável estrutura de beach às margens da Avenida Piquiri. A experiência foi curta como aquela largada sutil, rente à rede adversária, do talentoso jogador de tênis.

Há limites para a correria? O maior medalhista olímpico dos 100 e 200 m rasos, Usain Bolt, cravou uma frase a respeito: “Sempre há limites. Eu não conheço os meus”.

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina essa coluna semanalmente no Jornal O Presente

pitoco@pitoco.com.br

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.