O auxiliar Leomir de Souza será mais uma vez a voz de Abel Braga à beira do campo nesta quarta-feira (25), às 21h30, quando o Internacional enfrenta o Boca Juniors pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores. Um duelo pesado e decisivo por tudo o que envolve.
Mas que pesa (muito) mais sobre os rumos do Colorado na temporada, em um ambiente tomado de pressão e cobranças pela instabilidade recente. E também sobre o treinador recém-chegado, mesmo que permaneça em isolamento por ter testado positivo para Covid-19.
Conforme apurado, o próprio Abel entende que o momento é delicado e que as soluções tentadas rendem apenas frustrações até aqui. A falta de resposta dentro de campo preocupa e pode até indicar uma ruptura precoce no trabalho.
Mas as chances de saída são remotas e só devem ocorrer em caso de comum acordo. O presidente Marcelo Medeiros não pensa em demitir o treinador a pouco mais de 30 dias do fim de seu mandato. Deixar o cargo também não é uma opção forte na cabeça de Abel.
Não faz muito que a crise invadiu o Beira-Rio porta adentro e se espalhou pelos corredores. São exatos 15 dias desde a saída de Eduardo Coudet, e a linha do tempo colorada assumiu uma velocidade vertiginosa.
Neste intervalo de duas semanas, Abel Braga chegou como resposta imediata à saída do argentino, mas sem o mesmo efeito nas soluções tentadas até aqui. O Inter perdeu três jogos em quatro, deixou a liderança do Brasileirão e foi eliminado na Copa do Brasil.
A semana tão decisiva para o Inter ainda começou com o anúncio do fim de uma era. Na segunda-feira, D’Alessandro comunicou que não renovará seu contrato com o clube.
Despedidas à parte, o Colorado chega a mais uma decisão que pode servir de encruzilhada para os restante da temporada. O último fim de semana foi de protesto da torcida com cobranças a elenco e diretoria ainda antes da derrota por 2 a 1 para o Fluminense.
O resultado faz a equipe cair para a quarta colocação e viver sua pior sequência no Brasileirão. São cinco jogos sem vencer.
O diagnóstico interno é de que a saída inesperada de Eduardo Coudet para assumir o Celta de Vigo gerou uma instabilidade no elenco, até pela maneira com que foi conduzida. O que era uma breve oscilação virou uma crise técnica para uma equipe que ainda não conseguiu se reerguer.
O grupo, aliás, abraça a responsabilidade pelo momento, até porque Abel teve pouco tempo para treinos, com três jogos antes de contrair Covid-19. D’Alessandro fala até que os jogadores são responsáveis por “90%” de tudo o que ocorre em campo.
“A saída dele (Coudet) foi ruim. Foi embora um treinador que conseguiu resultado, desempenho. Abel, um dos treinadores mais vitoriosos de nossa história, não precisava voltar. Todos sabemos o que passou com sua vida. Estamos aqui para ajudá-lo. A responsabilidade pelos resultados é 90% do grupo. A instabilidade ocorreu após a saída do treinador. Mas passa ao vestiário. Não conseguimos produzir. Esperamos melhorar”, disse D’Alessandro.
A falta de tempo para trabalho também faz a diretoria respaldar o treinador e evitar sequer cogitar a troca neste momento. O discurso é de que é preciso encontrar soluções no grupo para reverter a situação atual. “Além dos resultados, temos queda de produção, sim. É notório. Não dá para fazer avaliação mais precisa porque foram muito poucas sessões de treino. É difícil mudar nessa época do campeonato. O primeiro passo é admitirmos que não estamos bem. A partir daí, os diagnósticos serão feitos internamente”, afirma o executivo Rodrigo Caetano.
Quanto mais se tenta, mais as soluções são urgentes para o Inter. Uma eliminação para o Boca Juniors pode até não significar a ruptura do trabalho. Mas certamente servirá para instaurar de vez o clima de fim de festa que já paira sobre o Beira-Rio.
Com Globo Esporte