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Esportes "Pai" da piazada

Personagem ilustre do esporte rondonense, Karl Schmidt já foi professor de cinco mil alunos

No auge dos 71 anos de vida, Karl Schmidt divide a rotina entre suas “três casas”: seu lar, a AACC e o Ginásio Ney Braga. Aposentadoria? Nem pensar. “Enquanto a AACC me aceitar, vou ficar”

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(Foto: Gustavo da Cunha)

Um personagem que se confunde com a história do esporte de Marechal Cândido Rondon, em especial o futsal. Ou melhor, o bom e velho futebol de salão, pois a história de Karl Schmidt com o “esporte da bola pesada” remete ao início dos anos 1980, quando começou, por volta dos 30 anos de idade, sua trajetória como técnico de futsal em clubes e associações que hoje são apenas lembranças, ainda muito vivas, de quem viveu aquele período de ginásios lotados para acompanhar torneios municipais e regionais.

Após chegar adolescente a Marechal Rondon e trabalhar como soldador e pedreiro, foi em 1986, há exatos 36 anos, que o catarinense de Ibirama, mas que passou a adolescência na gaúcha Bagé, iniciou sua trajetória como professor da escolinha da Copagril, através de um projeto elaborado pelo então diretor esportivo da AACC, Adolir Weber (Kinha), outro nome marcante da história do esporte regional, que se considera um grande fã do primeiro desportista a receber o título de Cidadão Honorário de Marechal Rondon, em 2003. “Falar do Karl é muito fácil pra mim, pois acompanhei toda sua trajetória no esporte, como atleta, dirigente e amigo. Sou um grande fã pelo trabalho que ele faz, e o Karl merece todas as homenagens possíveis no esporte de Marechal Rondon e região. É uma pessoa dedicada ao esporte. Não conheço ninguém que tenha feito tudo o que ele já fez. Faça sol ou faça chuva, ele sempre esteve presente como colaborador, professor, formador de atleta e de homens e sempre se colocou à disposição para ajudar”, relata Kinha, enaltecendo a trajetória do amigo. “Posso dizer que ele chegou a fazer mais pelos nossos filhos que pelos próprios filhos dele. Parabéns Karl, você merece todas as homenagens que já foram feitas e que ainda serão realizadas no futuro. Quero aproveitar para te agradecer e homenagear como ser humano e como um grande amigo que é”, acrescenta.

Recíproca verdadeira

A recíproca, nesse caso, é mais que verdadeira. Optando, com destreza, por não citar nomes de pessoas que contribuíram com sua trajetória para não correr o risco de deixar alguém de fora, Karl Schmidt faz questão de enaltecer, com orgulho, o nome de Adolir Weber, grande responsável pelo início dessa história que já atendeu, nas contas do próprio “pai Karl”, como também é carinhosamente conhecido, mais de cinco mil crianças e adolescentes nestes 36 anos de trabalho social desenvolvido pela Associação Atlética Cultural Copagril.

“Tenho que agradecer a toda sociedade esportiva e devo muito a algumas pessoas, principalmente ao Adolir Weber, que ajudou muito a dar um impulso no esporte rondonense e contribuiu demais no início desse trabalho. O projeto da escolinha da Copagril, iniciado há 36 anos, foi um trabalho que começou devagar e foi crescendo ao longo dos anos, mas é um trabalho de toda uma comunidade e da Secretaria de Esportes, que também sempre esteve envolvida”, comenta, demonstrando, serenamente, uma modéstia que somente grandes pessoas conseguem expor naturalmente, sem aparentar demagogia. “Não foi, não é e nunca será um trabalho apenas do Karl Schmidt. O mais importante de tudo é o trabalho social feito com essas crianças”, afirma o desportista.

Três casas

No auge dos 71 anos de vida, Karl Schmidt divide sua rotina entre suas “três casas”: a primeira e mais importante, claro, com a esposa Selvira, com quem tem os filhos Rodrigo, Taís Carolina e Luciano; a segunda, que é a sede da Associação Atlética Cultural Copagril, onde é facilmente visto auxiliando os treinos e jogos das equipes de futsal da AACC; e a terceira, o Ginásio Ney Braga, onde é figurinha carimbada nos jogos das equipes rondonenses, sejam eles de base, feminino ou adulto.

Habilidade diferente

Com a experiência de quem treinou milhares de atletas, Karl observa que as atuais gerações de jogadores não conseguem demonstrar com tanta facilidade a habilidade que se via em meninos de seis ou sete anos nos anos 80 ou 90. Para ele, dois são os principais motivos: “No passado as crianças podiam brincar e jogar bola na rua, então eles tinham mais facilidade quando chegavam aqui na escolinha. Hoje têm mais dificuldade, essa é a realidade. Antigamente não haviam muitos carros e motos, então tinha essa opção de brincar na rua, e hoje elas praticamente só jogam bola no ginásio. As crianças não têm culpa. Além disso, dividem muito seu tempo com a televisão e o celular, e no passado os meninos praticamente só queriam jogar bola”, salienta Karl, lembrando com visível saudosismo equipes que marcaram época no futsal rondonense, dentre elas a geração dos irmãos Alex, Sandro e Luciano Scherer, que ainda contava com Sandro Bregoli, Jonas e Niço, e outra dos anos 90, que dentre outros contava com Amarelinho, Paulinho Giesel, Mané, Joãozinho, Neto e companhia. Rafinha Muller, com carreira marcante no futsal brasileiro, foi outro “vinagre” que “aqueceu forte para entrar babando”, frase muitas vezes dita pelo treinador que sempre gera boas risadas entre ex-atletas que hoje passaram dos 30 ou 40 anos, alguns deles com os próprios filhos sendo treinados por Karl, e que lembram com carinho do tempo que passaram jogando bola com o treinador de sua infância.

Ano passado, Karl viu mais uma equipe da AACC se destacar. O sub-15, que sagrou-se campeão paranaense sob o comando, na reta final da competição, dos técnicos Gauchinho e Adilson Coitinho, mas que iniciou o trabalho com o treinador Dudu Durks, a quem Karl faz questão de ressaltar o trabalho desenvolvido nos anos em que esteve à frente das equipes de base da AACC.

Karl entrega medalha para atleta destaque em torneio que leva seu nome (Foto: Divulgação)

Aposentadoria?

Aposentar e ficar em casa assistindo seu Internacional pela TV? Claro que não. “Enquanto a AACC me aceitar trabalhando aqui é lógico que vou ficar. Ainda me sinto com forças para continuar. Enquanto tiver forças estarei aqui ao lado da quadra. A gente está nas mãos de Deus”, ressalta.

1ª Copa Karl Schmidt

E se for para fazer uma verdadeira homenagem a pessoas de reconhecida importância, que seja feita em vida. E nesse caso, Karl Schmidt, com todo merecimento, é um privilegiado. Idealizada pela Secretaria de Esporte e Lazer de Marechal Rondon, a 1ª Copa Karl Schmidt iniciou em junho com a participação de 19 equipes rondonenses, representando AACC e Copagril, colégios Cristo Rei, Rui Barbosa e Martin Luther, Arena Coxa e AABB/Lídol Shop, nas categorias sub-7, sub-9, sub-11 e sub-13.

“A Copa Karl é uma competição implantada pela Secretaria de Esportes este ano, que visa sanar uma demanda que percebemos da importância e necessidade de oportunizar as nossas crianças de cinco a 13 anos a prática esportiva, em especial o futsal. Ficamos muito felizes com o envolvimento dos atletas e com as famílias indo aos ginásios e incentivando seus filhos. Agradecemos o apoio incondicional que o Poder Público municipal está dando ao nosso município. É uma competição brilhante e nada mais justo que homenagear em vida aquele que muito fez pelo esporte de Marechal Rondon. Essa é nossa singela homenagem ao nosso querido professor Karl Schmidt”, desta Diogo Schneider (Bolha), secretário de Esporte e Lazer de Marechal Rondon.

Neste sábado (02), a partir das 08h15, no ginásio da AACC, acontece mais uma rodada envolvendo as equipes mandantes e o Rui Barbosa.

Karl Schmidt, que não encontrou palavras para definir o que significa mais essa homenagem em seu nome, certamente estará lá para prestigiar e abrilhantar a festa.

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