Aos 54 anos, o rondonense Walmor Luiz Buche tem deixado muito jovem no “chinelo” quando o assunto em questão é o seu desempenho no ciclismo. Não faz nem três anos que ele decidiu subir em uma bicicleta e pedalar por Marechal Cândido Rondon e depois com destino a outras cidades.
O período é curto, mas os resultados não demoraram para surgir. Ano passado, Buche ficou em 101º lugar em um ranking realizado pelo aplicativo Strava em relação aos ciclistas que somaram mais quilômetros de pedalada. Foram impressionantes 17.366,50 quilômetros. Ao dividir pelos 365 dias do ano, isso significa que o rondonense pedalou uma média de 47,5 quilômetros por dia. “Pedalo cinco vezes por semana. Em 2018 pedalei 254 dias dos 365 dias do ano”, menciona, em entrevista ao Jornal O Presente.
De acordo com ele, um dos motivos para ter conquistado um resultado tão significativo foi o fato de que, ainda no ano passado, estava trabalhando em Palotina. “Eu ia trabalhar de bicicleta. Ir e voltar já dava 100 quilômetros. Depois fazia uma complementação e andava em outros lugares”, cita.
Outro fator que contribuiu para se tornar destaque no ranking do Strava foram as viagens que fez sobre a bike. “Fomos a Bonito (MS). Em três dias o nosso grupo pedalou 600 quilômetros. Também fomos a Foz do Iguaçu passando por Cascavel, o que somou 310 quilômetros, além de pedalar por outras cidades próximas. Em todos os municípios da região eu andei. Isso rendeu bastante quilometragem ano passado”, relata, avaliando que o esporte se tornou um vício.
E não é difícil entender porque praticá-lo é algo apaixonante. Além das belas paisagens da região e de outros locais do Brasil, pedalar também traz melhorias na qualidade de vida e bem-estar. Buche relembra que há três anos essa onda em praticar ciclismo não era tão forte como hoje. “Acabei ouvindo um ou outro conhecido falando sobre pedalar e me incentivando a praticar o esporte. Eu pesava 108 quilos. Em um ano consegui emagrecer 20 quilos e hoje mantenho o peso. Quando perdi esses 20 quilos e vi que minha condição física melhorou muito, aí não tem mais como parar. Sou de uma família de obesos e agora posso me dar ao luxo de, às vezes, comer mais à vontade, mas tem que manter o ritmo (de pedaladas). Em 2017 fiquei 90 dias sem pedalar depois de passar por uma cirurgia e engordei cinco quilos, mesmo cuidando. Acho muito bom pedalar”, enaltece.
Apesar do resultado de 2018 e de conseguir estar um pouco acima da média nos primeiros meses deste ano em relação ao ritmo de pedalada, o rondonense acredita que não conseguirá permanecer no atual nível até o fim de 2019. “Estou fazendo 1,5 mil quilômetros por mês. Se eu continuar assim chego ao final de 2019 com 18 mil quilômetros. Esse não é o objetivo, mas vamos ver até onde vai”, diz. Em 2018, a média de quilometragem por mês foi de 1.447 km.
Momentos marcantes e perigos
Pedalar resulta em muitos momentos marcantes, dentre os quais Buche destaca a viagem a Bonito. “Foi uma experiência que ninguém havia tido aqui na região ainda”, observa.
O esporte também tem proporcionado ao rondonense o cultivo de amizades. Hoje ele participa de três grupos – Vamos Pedalar, Amigos do Pedal e da Associação Rondonense de Ciclismo (ARC).
Por outro lado, existem os perigos em especial envolvendo os motoristas que não respeitam os ciclistas. “Tem motorista que não consegue compartilhar as estradas, mesmo tendo lugar. Tem o acostamento e em qualquer cantinho a bicicleta passa, mas ainda falta muita consciência para o motorista em geral saber que existe o pedestre, o ciclista e o motociclista. Essa cultura ainda precisa mudar”, entende.
Diante disso, ele faz um alerta para quem utiliza a bicicleta: “use equipamentos de segurança”, frisa. “Capacete, sinalização, luva. Saia igual a um ‘pinheirinho’, não tem problema, mas são coisas que fazem a diferença. Tem gente que já não vê direito o ciclista de dia, então de noite é ainda pior”, argumenta.

Strava
O Strava é um aplicativo criado nos Estados Unidos e voltado para corredores e ciclistas, considerado hoje, senão o principal, um dos principais em sua categoria. Em pouco tempo se popularizou entre os esportistas. No Brasil, já são 4,5 milhões de usuários, sendo que todo mês um milhão de novas pessoas no mundo instalam o programa. Trata-se de um aplicativo totalmente gratuito, mas que também disponibiliza serviços adicionais pagos (R$ 12 por mês).
Ao falar sobre o ranqueamento, Buche diz que o levantamento é muito bem organizado, mas que nunca havia se interessado no assunto e nem sabia da existência deste ranking. “Vieram me dizer que fiquei no ranking entre um dos melhores do Brasil no ciclismo. Para minha surpresa vi que estava na 101ª posição”, expõe.
O que pode mudar em breve é que hoje o Strava faz o ranking levando em consideração o total de quilômetros que o usuário pedalou no ano, mas desconsidera a altimetria. “O primeiro colocado alcançou 41 mil quilômetros, mas por se tratar de atleta andou muito em velódromo. Andar no nível do mar é diferente do que pedalar aqui na região, por exemplo”, comenta.
Obter o 101º lugar entre 4,5 milhões de usuários, aos 54 anos de idade, é algo a ser comemorado pelo rondonense. Contudo, se o aplicativo considerasse o ganho de elevação nas pedaladas ele poderia ter melhorado seu ranqueamento e alcançado os 50 primeiros colocados. “Em 2018 fiz mais de 800 metros de elevação por pedalada. Foram quase 215 quilômetros de altimetria. O ciclista que ficou na 45ª posição fez 150 quilômetros (de elevação), mas pedalou no total 40 mil quilômetros”, analisa.
Outro dado interessante, diz Buche, é que os 212 quilômetros de elevação foram distribuídos em 254 pedalas. “Ou seja, é como se todos os dias eu tivesse pego minha bicicleta e pedalado por duas horas e dois minutos”, aponta.
Ele também tem atingido os desafios que o Strava propõe, a partir do qual ganha troféus virtuais. Ano passado foram 45 troféus, aumentando o número de forma significativa a cada ano de pedalada.

Desafio
Walmor Buche é um dos poucos paranaenses entre os melhores colocados no ranking, que considera para fins de levantamento somente os usuários que atingem mais de dez mil quilômetros. Para ele, trata-se de um incentivo. “O que me incentivou no ciclismo foi o Strava, porque você desenvolve metas e cria motivação a partir do seu próprio desempenho”, declara.
E por falar em incentivos e metas, qual será o desafio seguinte? O ciclista revela que já pensa na próxima viagem: desta vez ao Rio Grande do Sul. “Uma viagem que deve somar em torno de mil quilômetros”, conclui.
O Presente