Depois de um ciclo conturbado, a Seleção chega à Copa do Mundo sem o favoritismo de outras épocas. Uma campanha ruim nas Eliminatórias, uma queda precoce na Copa América e duas trocas de treinador ao longo do caminho levantaram dúvidas sobre desempenho do Brasil. Mas o que isso significa para o Mundial de 2026? Talvez não muita coisa. Copa do Mundo costuma ser um torneio à parte.
Por isso, o ge reuniu seis motivos para o torcedor brasileiro acreditar no hexacampeonato. Entre coincidências com conquistas do passado, mudanças recentes na Seleção e a qualidade dos jogadores à disposição, não faltam argumentos para alimentar a esperança.
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Carlo Ancelotti observa a taça da Copa do Mundo — Foto: Rafael Ribeiro / CBF
1. Jejum de 24 anos
A seleção brasileira nunca ficou mais de 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo. E o atual jejum já chegou exatamente a essa marca. A Seleção não vence o Mundial desde 2002. As outras taças vieram em 1958, 1962, 1970 e 1994.
Caso o Brasil não vença a Copa de 2026, o jejum passará a ser de 28 anos.
2. Palco da Copa do Mundo
Reparou que a distância entre 1970 e 1994 também foi de 24 anos? E sabe onde foi o Mundial de 1994? Também nos Estados Unidos. A seleção brasileira disputará todos os jogos da Copa de 2026, até uma eventual final, em solo americano, onde conquistou o tetracampeonato há 32 anos.
Em 1994, o Brasil ergueu a quarta taça de sua história no Rose Bowl, estádio na Califórnia. A final do Mundial de 2026 será no MetLife Stadium, em Nova York. Quem sabe a seleção brasileira não conquiste a Copa na Costa Leste depois de ter levantado a taça na Costa Oeste no tetra?
3. Encontro de gerações
Não. A geração da seleção brasileira não é ruim. Pode não ter jogadores galácticos em todas as posições como em outras épocas, mas está longe de formar uma equipe sem qualidade. Da defesa ao ataque, o Brasil tem atletas nos principais clubes do mundo.
Mas mais do que isso, a convocação de Carlo Ancelotti reúne jogadores de três gerações diferentes. Há os mais experientes, que atuam juntos há muito tempo, como Neymar, Casemiro, Danilo e Alex Sandro. Há os jogadores no auge físico já consagrados no futebol europeu, como Alisson, Marquinhos, Vini Jr. e Raphinha. E há uma geração de jovens que pede passagem, como Endrick, Rayan e Igor Thiago.
4. Estrela de Ancelotti
O Brasil terá na Copa do Mundo um treinador especialista em mata-matas. E também muito vitorioso. Carlo Ancelotti é o maior vencedor da história da Liga dos Campeões, principal torneio de clubes do mundo. São cinco títulos como técnico.
Mas o italiano não é bom apenas em competições eliminatórias. Ancelotti é o único treinador a conquistar as cinco principais ligas europeias: Alemã, Italiana, Francesa, Inglesa e Espanhola. E mais: já foi campeão ao lado de alguns dos principais jogadores da Seleção. Foi o caso de Vini Jr. e Casemiro no Real Madrid.
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Ancelotti comanda treino da seleção brasileira antes de Brasil x Marrocos na Copa do Mundo — Foto: Rafael Ribeiro / CBF
5. Sem a pressão do favoritismo
O Brasil não chega ao Mundial entre as principais favoritas ao título. E isso pode ser uma boa notícia. Há 20 anos, em 2006, a seleção brasileira desembarcou na Copa do Mundo cercada de expectativas, com um elenco estrelado e favoritismo de sobra. Acabou eliminada pela França nas quartas de final.
Em 2014, como país-sede, o Brasil aparecia em praticamente todas as listas de candidatos ao título, principalmente após a conquista da Copa das Confederações diante da então campeã mundial Espanha. Em 2018 e 2022, o time de Tite também chegou muito valorizado após campanhas quase impecáveis nas eliminatórias sul-americanas.
Já em 1994 e 2002, o Brasil desembarcou no Mundial cercado por dúvidas e sem a confiança de boa parte do público. Deixar o favoritismo com os hermanos da Argentina ou com a forte seleção francesa pode não ser uma má ideia.
6. Coincidências com 2002
Coincidência ou não, há alguns paralelos curiosos entre a Copa de 2026 e a última conquista brasileira. Em 2002, Ronaldo Fenômeno chegava ao Mundial cercado por dúvidas físicas após uma sequência de graves lesões. Em 2026, Neymar também desembarca na competição depois de um ciclo marcado por problemas médicos e interrupções.
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Em 2002, Ronaldo tem sua redenção após os dramas em 1998 e as lesões na Inter de Milão — Foto: Reprodução/Globoplay
O Brasil vinha da pior campanha de sua história nas Eliminatórias e de uma eliminação para Honduras na Copa América de 2001. Em 2026, a Seleção superou negativamente a marca de 2002 e registrou sua pior campanha da história nas Eliminatórias. E também foi eliminada precocemente na Copa América.
Quatro treinadores (Ramon, Diniz, Dorival e Ancelotti) comandaram a Seleção até o Mundial de 2026. Quatro treinadores (Luxemburgo, Leão, Candinho e Felipão) estiveram no ciclo do penta de 2002. A seleção brasileira inicia sua caminhada no Grupo C, exatamente como aconteceu há 24 anos. Apenas coincidências ou sinais de que a história pode se repetir?
Com GE
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