Os recursos proporcionados pela internet tem tornado seu uso cada vez mais popular e necessário. Mas ela também pode gerar prejuízos para aqueles que a utilizam de forma abusiva, ou seja, quando o hábito é tão intenso e frequente que acaba comprometendo um ou mais aspectos da vida.
Essa dependência seria caracterizada pelo uso compulsivo, prejudicando o funcionamento físico, psicológico, interpessoal, conjugal, econômico e social do usuário. Ocorre, portanto, o desenvolvimento de um padrão comportamental que é mantido por aliviar estados emocionais aversivos como ansiedade, angústia e tristeza. Ou produzir, de modo imediato, gratificações emocionais.
A dependência da internet, como qualquer outra, pode ser desenvolvida por aspectos situacionais pessoais, como um divórcio, recolocação profissional, dificuldades financeiras, estresse ou morte de alguém querido, por exemplo. Tais fatores podem contribuir para o uso dela como resposta de fuga ou esquiva, pois permite que o indivíduo evite entrar em contato com estímulos aversivos, além de fornecer estímulos reforçadores de um mundo paralelo virtual.
Por tudo isso, pessoas que apresentam problemas relacionados a baixa autoestima, solidão, depressão e déficits em habilidades sociais estão mais propensas a utilizarem a internet em busca de alívio ou gratificação, o que torna seu uso reforçador, aumentando a possibilidade de uma utilização exacerbada.
Contudo, isso não necessariamente quer dizer que quem faz uso da internet torna-se dependente, tampouco que apresenta transtornos psicológicos: é necessário observar o tempo de utilização, a finalidade do uso, os impactos na vida pessoal e os critérios de avaliação devem ser funcionais e contextuais e não meramente topográficos (quantidade de horas).
A internet usualmente possibilita uma sensação de liberdade e escolha, favorecendo distorções de auto-observação e de autoconhecimento, as quais podem impedir que o internauta discrimine impactos nocivos gerados; geralmente nesse espaço o usuário se favorece de respostas de fuga/esquiva, as quais podem a princípio evitar estimulação aversiva, mas a longo prazo podem enfraquecer o repertório de enfrentamento e de habilidades sociais, prejudicando o poder de tomada de decisão e resolução de problemas.
Vanessa Siqueira de Medeiros Dettoni é psicóloga clínica, coordenadora da Pós-graduação em Análise Comportamental Clínica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Campus Toledo.