E a história se repete eleição após eleição, mas, desta vez, com um escárnio jamais visto e ocorrido. Os grupos políticos majoritários para as eleições nacionais terão ao seu dispor quase de R$ 6 bilhões somados o Fundo Eleitoral (R$ 4,9 bilhões) e R$ 1,1 bilhão do Fundo Partidário. Se constatarmos as fusões e apoios nas candidaturas majoritárias de Bolsonaro (PL e centrão), terá perto de R$ 900 milhões, enquanto Lula (PT e federação de partidos – PSB e PCdoB) terá mais de R$ 1 bilhão disponível para custear suas campanhas.
Estes terão a grande fatia do bolo, com destaque para o valor que caberá ao novo partido oriundo da fusão de DEM e PSL, cujo líder é Luciano Bívar, com a estrondosa soma de R$ 945 milhões. Este grupo político ainda não deixou bem claro como irá se posicionar na eleição do próximo ano.
Estes três grupos, somados, terão mais de 50% do dinheiro. Correm por fora, já na condição de pré-candidatos, Ciro Gomes (PDT), com quase R$ 300 milhões, e Sergio Moro (Podemos), com R$ 230 milhões. O MDB de Simone Tebet, que também se apresenta como pré-candidata, terá R$ 417 milhões.
É necessário apresentar e analisar estes números, pois evidenciam que será uma eleição como nunca visto antes, em que o dinheiro será fundamental. Não queremos discutir se a eleição deve ter financiamento público ou não. Estamos falando do que agora já é lei e isso valerá.
O país vive uma crise econômica ímpar e a população passa por necessidades de toda espécie. E não precisamos ser ingênuos acreditando que o voto será de acordo com a consciência da população. Em “barriga vazia” toda ajuda é bem-vinda e de sobra sem comentários…
Mais uma vez o país perde a grande oportunidade de provocar mudanças verdadeiras. A polarização do pleito vai ficando evidente, com deputados e senadores salvando sua pele através dos mecanismos legais (pouco morais) que dispõem e cada um para si e para seu umbigo.
As emendas secretas são uma vergonha. Talvez peçam 100 anos de sigilo para revelar o teor integral das mesmas. Lembremos que essa situação atual do Brasil é responsabilidade, principalmente, desse Congresso que aí está, dos que votaram pela agenda do governo, de sua economia, política social, educacional e de saúde.
Quantos equívocos? Onde fomos parar? O que nos resta?
Torcer, agir para que o quadro se altere e a voz, a consciência e o “dedo” do povo façam aquilo que deve ser feito: votar nos melhores, votar em projetos e debater com os seus sobre a boa política. Caso contrário, a eleição já tem resultado: serão os bilhões contra nossas reais necessidades.
Acorda, Brasil!
Lair Bersch é professor aposentado e cidadão brasileiro