“Se à primeira vista a ideia não for absurda, não há esperança para ela” (Albert Einstein)
A inquietação de um professor sexagenário, com aposentadoria encaminhada, pertencente ao grupo de risco diante da pandemia do novo coronavírus, não consegue se calar e diante do cenário fazer algumas reflexões.
Passados mais de 30 dias da edição do decreto estadual que interrompeu as atividades nas universidades, escolas e setores do serviço público, percebemos atitudes muito interessantes em alguns setores, enquanto em outros, onde deveria residir a inovação, alternativas e respostas à crise instalada, existe um quase silêncio… lentidão e letargia.
Estou me reportando às universidades estaduais do Paraná. Estas, ao que parece, levaram ao pé da letra que o isolamento deve ser total. Deixo claro que defendo a vida acima de qualquer outra prioridade, mas no mundo atual as ferramentas tecnológicas e as diferentes possibilidades disponíveis devem ser utilizadas.
O maior capital existente nas universidades do Estado é o seu capital humano. Pergunto: cadê a troca de informações, as inquietações, atitudes e decisões? Cadê as respostas diante da crise?
Pois bem. Na instituição a qual estou vinculado, salvo pequenas providências, apenas após exatos 31 dias aconteceu a primeira reunião colegiada de órgão superior por videoconferência. É pouco, quase nada e demonstra que as universidades públicas, muitas vezes à frente do tempo, neste momento de crise mundial na saúde, na economia e no setor social estão à margem ou não apresentam alternativas quanto ao seu mister: as atividades de ensino.
As graduações podem “perder” o ano letivo de 2020. O ensino a distância, denominado de EAD, que poderia ser uma alternativa para salvar conteúdos e calendário, é rechaçado e mais parece uma ferramenta ou metodologia invasora, “demonizada” e fora de qualquer possibilidade.
Cabe dizer que não estou defendendo o EAD como sistema educacional, apenas desafiando a academia a buscar novas alternativas urgentes (as aulas remotas também são possíveis), mas que não se fique nesse debate silencioso e estéril.
Colegiados, centros, conselhos, ao invés de partirem para o experimento e testagem (num momento de crise) com atividades a distância ou similares, cenário propício e mais que justificado, colocam empecilhos de toda ordem, desde o descrédito em conceitos e métodos pedagógicos a dificuldades do acesso universal dos alunos, até aspectos burocráticos internos como resoluções e normativas. Ou seja: se os acadêmicos possuem os equipamentos, internet e acesso ao sistema são respostas que já deveriam estar mapeadas.
A construção de novas normas e resoluções já passaram da hora. Aliás, o acesso deve ser inclusivo e contemplar a todos, bastando a vontade da instituição e seus membros em de fato querer resolver a situação. O que não pode é o debate levar meses para trazer as soluções que uma ampla maioria espera e deseja.
O isolamento deve ser compreendido como uma atitude cidadã, mas não exime cada um de nós de contribuirmos com nossas atividades principais no sentido da evolução e de atitudes proativas que gerem o benefício coletivo. Afinal, qual é o papel da universidade? O que deve prevalecer nesses momentos?
Afirmo, a ciência e a tecnologia não têm respostas para tudo, contudo jamais deveríamos ficar adstritos às restrições burocráticas, legislativas e de mera formalidade.
A criatividade, ousadia e coragem estimulam nos reinventarmos e recriarmos novos caminhos para seguirmos adiante. Basta reunir os colegiados superiores, seus dirigentes institucionais e, aproveitando o “estado de emergência” instalado, tomar decisões objetivas e concretas. Dirigentes e professores devem sair de seus “quadrados” e aproveitar esse momento que marca a história da humanidade com viés de inovar, avançar e propiciar soluções.
Lair José Bersch é professor da Unioeste