O Presente
Geral

A participação feminina na modernização do agronegócio – por Dilceu Sperafico

calendar_month 6 de março de 2020
3 min de leitura

As mulheres continuam assumindo cada vez mais a administração e a operação do agronegócio nacional, como esposas e filhas de agricultores ou formandas de cursos superiores voltados à produção agropecuária e à preservação de recursos naturais, além de dirigentes de entidades de classe e detentoras de funções públicas regionais, estaduais e nacionais, todas com desempenho exemplar.

O crescimento feminino na atividade rural acontece em todo o país e não apenas na produção de leite e hortifrutigranjeiros, como demonstram levantamentos de instituições vinculadas ao agronegócio, mas em algumas Unidades da Federação essa expansão é ainda maior.

No Distrito Federal, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/DF), as mulheres já representam 38% dos agricultores cadastrados no território da Capital do país e estão assumindo cada vez mais a gestão, expansão e modernização dos negócios.

Em áreas rurais do Distrito Federal tratores são pilotados por mulheres, pois em muitos casos a função tradicionalmente desempenhada por homens também passou a ser assumidas por elas, demonstrando que as agricultoras estão ocupando, cada vez mais, a dianteira dos negócios no campo.

Conforme dados da Emater/DF, a maioria das mulheres produtoras rurais concentra-se em atividades como a agroindústria artesanal, fabricação de utensílios domésticos, criação de gado leiteiro, cultivo de hortaliças e floricultura, além do comércio regular desses produtos.

De acordo com o engenheiro agrônomo Gilmar Batistella, extensionista rural da Emater/DF, as mulheres e, também os filhos, estão fazendo mais parte dos negócios agropecuários como participantes e/ou produtores e não apenas como familiares, pois seus membros deixam de ser somente marido, mulher e filhos e passam a ser parceiros no agronegócio.

Na agropecuária da região, segundo o extensionista, até o início dos anos 2000, o pai ou chefe da família tocava as atividades muito mais sozinho, mas isso está mudando.

Para especialistas, no meio rural, a lógica de funcionamento é semelhante à empresarial, pois o produtor planta, colhe, vende, administra documentação e financiamentos, faz o operacional, estratégico e planejamento, cujo bom desempenho no conjunto se torna cada vez mais difícil de ser conduzido somente pelo chefe da família.

Assim como acontece em todo o país, para capacitar e profissionalizar os produtores, a Emater/DF oferece uma série de cursos técnicos, incluindo o de tratorista e somente no Distrito Federal cerca de 40 mulheres têm o certificado de direção, manutenção e manuseio das máquinas modernas e gigantes de plantio e colheita de alimentos.

As mulheres também têm sido responsáveis pela expansão da produção de flores e plantas medicinais, pois na atualidade elas têm muito mais autonomia para o desenvolvimento de atividades no campo.

Conforme a Emater/DF, as principais demandas das agricultoras são por pontos de comercialização de sua produção, especialmente de hortifrutigranjeiros, melhorias de infraestrutura, como estradas e acessos às propriedades, sinal telefônico, internet, energia elétrica e transporte público, além de saúde e segurança.

Outro desafio estaria no crédito rural, pois a obtenção de financiamentos para o plantio de lavouras e aquisição de insumos e equipamentos seria mais difícil para mulheres em determinadas instituições bancárias.

 

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

dilceu.joao@uol.com.br

 

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.