Aos ecologistas e/ou ambientalistas mais radicais, do país e do exterior, está na imprensa uma boa notícia, pois, salvo algum engano, será decisiva para reduzir a emissão de poluentes e controlar o aquecimento global.
Trata-se de decisão do governo da Holanda, determinando que na Capital do país, cidade de Amsterdã, já no ano que vem, em 2020, serão proibidas a aquisição, manutenção e utilização de veículos movidos a diesel com mais de 15 anos de trânsito.
Para facilitar o cumprimento da determinação, autoridades pretendem oferecer subsídios e permissões para implantação de espaços de estacionamento e até descarte de veículos, estimulando os cidadãos a substituí-los por unidades movidas por combustíveis alternativos e/ou limpos.
A proibição de carros e motos movidos a gasolina e óleo diesel em Amsterdã a partir de 2030 foi igualmente comunicada pelo Conselho Municipal da Capital holandesa em maio último e, segundo as autoridades locais, trata-se de esforço extremo para despoluir definitivamente o ar da cidade.
Conforme especialistas responsáveis, a medida se justifica pela poluição do ar, decorrente da queima de combustíveis fósseis, que pode ser apontada como assassina silenciosa de seres humanos e um dos maiores riscos à saúde pública em Amsterdã.
Apesar da já grande utilização de bicicletas na Holanda, os pesquisadores afirmam que o nível de poluição do ar continua acima do nível permitido pelas normas europeias em muitas áreas do país, principalmente devido ao tráfego pesado em Amsterdã e na cidade portuária de Roterdã.
De acordo com o Ministério da Saúde da Holanda, os níveis atuais de dióxido de nitrogênio e material particulado na atmosfera da cidade podem disseminar doenças respiratórias e a exposição crônica aos poluentes apresenta o risco de reduzir a expectativa de vida das pessoas em mais de um ano.
Diante dessas ameaças, a administração pública de Amsterdã destaca que pretende substituir todos veículos equipados com motores movidos a gasolina e/ou óleo diesel por combustíveis alternativos e livres de emissões de agentes poluentes, como carros elétricos e a hidrogênio, até o final da década de 20.
Essas mudanças começarão a ser implementadas em no ano que vem, com a proibição de todo os carros movidos a diesel produzidos antes de 2005, em medida que será gradualmente expandida e intensificada.
Nessa empreitada, o governo local pretende oferecer subsídios e permissões de estacionamento para estimular os cidadãos a trocarem seus veículos por modelos mais limpos.
A associação da indústria automotiva da Holanda discorda da decisão e critica os planos para sua execução, alegando que pessoas de menor renda não têm dinheiro para adquirir carros elétricos e automaticamente serão impedidas da manutenção de veículos próprios ou terão de deixar a cidade para manter o conforto do transporte individual.
Apesar da resistência, Amsterdã segue tendência mundial, pois Madri, Capital da Espanha, igualmente já anunciou que vai restringir o acesso à cidade de veículos a diesel e gasolina fabricados antes de 2000. Já Roma, na Itália, informa que irá fechar o centro da cidade para veículos movidos a óleo diesel a partir de 2024.
No Brasil, salvo algum engano, a medida também chegará, mais cedo ou mais tarde, por uma questão de sobrevivência da vida no planeta e o bem-estar da população urbana.
O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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