O agronegócio vai muito além da produção de alimentos para a população urbana e rural e do fornecimento de matérias-primas para as indústrias que geram emprego, renda e tributos, no mundo inteiro, beneficiando toda a humanidade.
Mesmo explorando solo e água, ao invés de reduzir ou contaminar os recursos naturais, o cultivo de grãos e outros vegetais e a produção de proteína animal vêm contribuindo também para o equilíbrio ambiental e a preservação da natureza.
Conforme estudo recente da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), o planeta Terra se tornou mais verde na comparação com imagens de 20 anos atrás.
A surpreendente informação, diante de constantes denúncias de devastação de grandes florestas da Indonésia, Congo e Rússia, além da Amazônia Brasileira, foi obtida por dois satélites da Nasa, que coletaram dados sobre o comportamento de áreas verdes do planeta, por quase duas décadas.
Ao analisar as imagens obtidas do espaço, pesquisadores notaram que durante os últimos 20 anos a área foliar dos continentes aumentou o equivalente a toda cobertura da Amazônia.
A elevação das áreas cobertas por vegetais, segundo especialistas, se deve basicamente ao aumento do cultivo de plantas, incluindo árvores, nos dois países mais populosos do mundo que são China e Índia.
Segundo o levantamento, a grande contribuição da China para esse quadro positivo se deveu à implementação de programas importantes para a conservação e expansão de suas áreas florestais, com estratégias complementares para redução da erosão do solo, poluição do ar e outras ações que favorecem as mudanças climáticas.
O aumento do verde na China também foi creditado à expansão de áreas de cultivo agrícola, mas muito reduzida, pois o crescimento da produção agrícola se deveu muito mais aos ganhos em produtividade do que à ampliação de lavouras.
No caso da Índia, de acordo com o estudo, aconteceu o inverso, pois a expansão do verde naquele país se deveu mais à ampliação da área agrícola do que ao aumento de reservas florestais.
O aumento da produtividade agropecuária, graças à moderna tecnologia e maior capacidade dos agricultores, por sinal, foi observada pelo Departamento de Terra e Meio Ambiente, da Universidade de Boston, dos Estados Unidos, que coordenou o estudo e destacou que a expansão do verde no planeta não significa que florestas nativas venham sendo substituídas por áreas cultivadas.
Prova disso é que graças aos avanços na produtividade, com o cultivo de praticamente as mesmas terras, na China e Índia a produção de grãos, legumes e frutas aumentou entre 35% e 40% desde 2000.
Por isso, segundo os autores do estudo, em geral, as descobertas foram boas notícias, pois enquanto nos anos 70 e 80 na Índia e na China a perda de vegetação era grande, nos anos 90 governantes, legisladores, empresários e cidadãos perceberam a gravidade da situação e reverteram a tendência.
Cientistas, no entanto, também fazem algumas ressalvas, como acontece na Índia, onde o aumento na produção de alimentos depende da irrigação utilizando águas subterrâneas, cujos mananciais são finitos.
Além disso, o simples aumento da vegetação no mundo não compensa todos os danos causados pela perda da cobertura natural de regiões tropicais, pois a terra utilizada na agricultura não ajuda a armazenar carbono, como acontece com as florestas nativas e consolidadas.
O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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