Uma adolescente que estava na festa que terminou com a morte do jogador Daniel Correa disse, em depoimento, na terça-feira (26), que conversou com Daniel na suíte da casa, enquanto Cristiana Brittes dormia.
A adolescente e uma tia de Cristiana foram ouvidas na 2ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu. Os dois depoimentos duraram cerca de uma hora.
Daniel Correa foi morto em outubro de 2018. Sete pessoas são rés no processo: Edison Brittes, que confessou ter matado o jogador, Cristiana Rodrigues Brittes, esposa de Edison, Allana Emilly Brittes, filha do casal, além de outros quatro suspeitos.
Dos sete réus, seis estão presos. Uma dos suspeitos é a única que está em liberdade.
Nesta fase, a Justiça começou a ouvir testemunhas de defesa, de acusação e, por último os réus. Após as audiências, a juíza Luciani Martins de Paula decide se os réus vão ou não à júri popular.
Depoimento
No depoimento, a adolescente disse que o jogador conversou com ela na festa e na casa onde o crime foi registrado.
Ela disse que antes do crime, na casa da família Brittes, tentou usar o banheiro da área de festas, mas estava ocupado. Relatou que, como “tinha total intimidade de ir no banheiro do casal”, foi até a suíte de Edison e Cristiana para usá-lo.
Segundo a adolescente, Cristiana estava dormindo neste momento. A garota afirmou que fechou a porta do quarto, encostou, deixou a porta do banheiro aberta, e foi fazer xixi. Foi neste momento que, de acordo com a jovem, Daniel chegou.
“Alguém entrou no quarto, eu achei que era o marido dela, o Junior, o Edison, daí eu falei ‘não entra, tô no banheiro, espera aí’. E ele continuou vindo, e eu falei ‘cara, não vem’. E continuou vindo. E daí não era ele, era o Daniel. Parou na porta do banheiro e ficou olhando. Eu falei ‘o que você tá fazendo aqui? A festa é lá fora'”, disse a adolescente na audiência.
Ainda no depoimento, a adolescente afirmou que o jogador disse a ela que também precisava usar o banheiro.
“Eu falei ‘não, o que vão pensar se pegarem você aqui dentro do quarto do casal, com a guria dormindo?’ Ele falou ‘não, estou totalmente ciente que você tem namorado, você já me disse, e eu sei que ela é casada’. Eu falei ‘então tudo bem’. Ele falou ‘Eu só preciso usar o banheiro e eu vou sair’. Eu falei ‘então está bom, quando você sair, fecha a porta do quarto, estava fechada a porta’”, contou a adolescente.
Corrupção de menor
Dos sete réus por envolvimento pela morte do jogador, seis são acusados de corrupção de menor. Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), eles cooptaram a adolescente a ajudar na limpeza dos vestígios de sangue na casa, após o crime.
O advogado da adolescente disse que a jovem contou na audiência que não ajudou a limpar o sangue, mas que fechou uma torneira que estava sendo utilizada para limpar o sangue deixado na casa.
A defesa da família Brittes disse que não houve cooptação de menor e que a adolescente só estava na festa porque foi convidada e porque é da família. A defesa não falou sobre a afirmação da adolescente, em relação à conversa que disse ter tido com Daniel na suíte da casa.
Com G1