Nestes últimos dias, percebemos movimentações mais acentuadas dos candidatos à Presidência da República, com vistas às possíveis alianças que visam reforçar cada candidato.
De parte do presidente Lula vêm investidas fortes sobre lideranças do MDB, União Brasil, PP e PSD, especialmente das regiões Norte e Nordeste, além de outros partidos que ainda postulam candidaturas próprias.
O candidato Flávio Bolsonaro tenta não perder essas lideranças e costurar alianças múltiplas em vários Estados, onde seu grupo de apoiadores mantêm duas ou mais candidaturas.
A eleição presidencial deste ano promete ser mais uma vez decidida nos detalhes, e o jogo está muito equilibrado, tendo de um lado a força do presidente Lula, mas com muitos problemas a explicar, e de outro, Flávio Bolsonaro, que de longe é o melhor Bolsonaro que conhecemos, mas cujo sobrenome ainda carrega um peso elevado de rejeição.
Lula precisa de muitos argumentos para convencer o eleitor menos fanático de que seu governo merece ser aprovado, mesmo com tantos problemas atuais que mexem com o xadrez político, como os casos do Banco Master, do INSS, dos Correios e, principalmente, o aumento da carga tributária que os empresários reclamam, além da falta de equilíbrio das finanças públicas.
Flávio Bolsonaro tenta vender uma imagem menos agressiva que a do pai, nitidamente para avançar sobre eleitores que não gostam da esquerda, mas votaram em Lula por causa do pai, e também para desvincular sua caminhada dos problemas do final da gestão passada, que ainda rendem muitas críticas e reparos, inclusive com a prisão dos envolvidos no 8 de janeiro.
Flávio tem a seu favor o fato de ser mais jovem e ainda não ter um passado a merecer tantos reparos, a não ser que revelações bombásticas apareçam durante a campanha. Soma-se a isso o fato de que o governo Lula vive um momento de grande concentração de esforços para evitar que os fatos que envolvem seu filho sejam apurados, especialmente por meio de CPI.
O próximo capítulo será a escolha dos vices. Parece claro que Lula e Alckmin já estão definidos e que Flávio está à procura de alguém com potencial de agregar prestígio e votos.
Sempre é bom lembrar que Jair Bolsonaro escolheu um general sem nenhuma expressão eleitoral para vice e talvez tenha deixado escapar, entre tantos outros fatos da campanha, a possibilidade de vitória.
Flávio Bolsonaro deve alimentar uma dúvida que incomoda os analistas e articuladores políticos: há alguma chance, por menor que seja, dessa eleição terminar no primeiro turno?
E se a eleição pode terminar em primeiro turno, é melhor estimular candidaturas como Ratinho Junior, Zema e outros que tiram votos de Lula, ou é melhor canalizar tudo para o primeiro turno e fortalecer Flávio Bolsonaro para superar Lula?
Por Arno Kunzler. Ele é jornalista. Fundador do Jornal O Presente, fundador da Editora Amigos e proprietário da Editora Gralha Azul
arno@opresente.com.br
@arnokunzler
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