Guerras, por mais cruéis que sejam, e todas o são, sempre oferecem valiosos ensinamentos às nações.
Para o Brasil, que não está diretamente envolvido no conflito, a absurda invasão da Ucrânia pela Rússia, uma agressão imotivada e não provocada, está mostrando de forma dramática a necessidade vital de sermos autossuficientes em matérias-primas estratégicas ou, pelo menos, de diversificarmos as fontes onde é possível obtê-las.
Embora tenha sido obrigado, pelas mais básicas razões civilizatórias e humanitárias, a condenar na ONU o covarde ataque perpetrado por Putin, o governo Bolsonaro vê-se na constrangedora situação de tentar equilibrar-se no fio da navalha com declarações ambíguas para não afrontar o autocrata russo, que pode, numa canetada, interromper o fluxo de fertilizantes que fazem do agronegócio o principal sustentáculo da economia brasileira.
Para quem talvez ainda não sabe, a Rússia é um dos maiores exportadores mundiais desses insumos essenciais para a agricultura, e vem de lá cerca de 80% do nitrogênio, do fosfato e do potássio utilizados na adubação das nossas lavouras.
É isso mesmo que você acaba de ler: somos, nesse campo, extremamente dependentes dos russos.
Cabe lembrar que durante a crise de escassez de fertilizantes que assolou o mundo no final do ano passado, a ministra Tereza Cristina foi a Moscou e empreendeu a bem-sucedida negociação que resultou na garantia de fornecimento do produto para o plantio das safras de 2022 e 2023.
Independência, meu amigo, é muito mais do que um brado heroico às margens plácidas de um riacho.
Caio Gottlieb é jornalista, publicitário, fundador e sócio-proprietário da Caio Publicidade, agência de propaganda com mais de três décadas de atuação em Cascavel e no Oeste do Paraná. Blog: caiogottlieb.jor.br