Como no mundo atual pouco se cria e muito e copia, o Brasil deveria avaliar e adotar medidas e empreendimentos de outros países, quando adequados à realidade, potencialidades e necessidades nacionais.
Este é o caso da maior usina do mundo de transformação de lixo doméstico em energia elétrica, que deverá entrar em operação já em 2020, em Shenzhen, na China.
A grande e inovadora estrutura ainda será cercada por parque verde, segundo divulgado recentemente, ressaltando suas finalidades sustentáveis, pois, além de destinar corretamente os resíduos gerados pela população urbana, gerará eletricidade mais barata e produzirá fertilizante orgânico para a produção de alimentos mais saudáveis.
A elaboração do projeto coube a dois escritórios especializados e a usina ocupará espaço de 112,6 mil metros quadrados, com construção baseada em design simples, para o processamento de lixo de cidade que está entre as maiores produtoras de resíduos do mundo.
O prédio principal será circular, rompendo com o tradicional formato retangular de construções industriais, estimulando novos projetos do setor, pois a usina deverá processar um terço do lixo produzido pela cidade chinesa diariamente.
Os resíduos gerados pela população local somam 15 mil toneladas por dia, pois a cidade possui 20 milhões de habitantes. Desse total, cinco mil toneladas serão incineradas todos os dias, gerando 550 milhões de kWh de energia.
O objetivo do empreendimento é tornar a cidade mais verde e retardar a expansão da produção de resíduos, que atinge cerca de 7% ao ano, com as vantagens da geração de energia e produção de fertilizante orgânico, com benefícios para a população urbana e rural.
Além disso, o novo projeto à geração de energia não se restringirá à queima do lixo, pois dos 66 mil metros quadrados de área do teto da indústria, 44 mil metros quadrados serão cobertos por painéis fotovoltaicos, gerando ainda mais energia limpa por meio da luz solar.
Cercada por matas e jardins, a planta industrial poderá ser acessada pelos moradores e visitantes da cidade, interessados em conhecer melhor o empreendimento. O projeto começou a ser elaborado em 2016 e a previsão de finalização da construção é em 2020.
Trata-se, portanto, de iniciativa que merece a atenção e o estudo aprofundado de governantes, legisladores, empresários, ambientalistas e cidadãos brasileiros, pois poderá solucionar alguns dos grandes e graves problemas ambientais das cidades do país.
A maioria dos grandes, médios e pequenos centros urbanos brasileiros, como se sabe, enfrenta uma série de deficiências na coleta e destinação do lixo domiciliar, cujo abandono nas vias públicas, além de poluir o meio ambiente e a paisagem urbana, resulta no entupimento de bocas-de-lobo e redes de esgotos e de coleta de águas pluviais.
Tais problemas, como se sabe, podem resultar em alagamentos de vias urbanas, residências e empresas, com grandes prejuízos econômicos e ambientais para a população, além de riscos de afogamentos, com perdas de vidas humanas e grande sofrimento de familiares das vítimas.
Não só pela destinação correta de resíduos poluentes, a adoção de fontes alternativas de geração de energia, como as usinas de lixo, trazem muitos outros benefícios para a população, como é o caso da redução de custos de transmissão e distribuição de eletricidade, que elevam as contas mensais de luz de pessoas de baixa renda.
O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
dilceu.joao@uol.com.br