Se estatísticas sobre acidentes e vítimas nas rodovias do Estado e do país nos feriados do final de 2018 assustaram a população, os condutores de veículos automotores e seus passageiros precisam levar em consideração que essas tragédias não são recentes.
Muito pelo contrário, pois, conforme levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado no início de dezembro último, em apenas dez anos e somente em rodovias federais os acidentes de trânsito resultaram em mais de 83 mil mortes no país.
Segundo o estudo, entre 2007 e 2017 mais de 1,6 milhão de acidentes foram registrados nas estradas federais, com 83.498 vítimas fatais e mais de um milhão de pessoas feridas.
A média das tragédias foi de 23 óbitos de motoristas e/ou passageiros por dia, o que dá a dimensão do sofrimento de usuários das rodovias e seus familiares e amigos, além de perdas materiais no tratamento de pessoas feridas e danos causados aos veículos envolvidos.
Os dados foram divulgados na abertura da 8ª edição da Operação Integrada Rodovida, voltada à segurança nas rodovias durante os festejos de final de ano, férias escolares e carnaval, com os objetivos de sensibilizar motoristas e passageiros e reduzir a violência no trânsito das rodovias federais ao longo do período.
O fato positivo da série histórica foi que em 2017 houve o menor número de mortes e acidentes dos últimos anos, com o registro de 6.243 óbitos no período.
Conforme a PRF, o Brasil integra ação da Organização das Nações Unidas (ONU), denominada Década de Ação pela Segurança no Trânsito, tendo como meta a redução de 50% de acidentes de trânsito entre os anos de 2011 a 2020, em esforço conjunto de todos os países apoiadores da iniciativa.
De acordo com a instituição, entre 2011 e 2018 a redução da média anual de acidentes no país já foi importante, chegando a 35% do número de feridos e mortos em rodovias nacionais.
O lado negativo, adverte a PRF, foi que, apesar da diminuição do número de acidentes e mortes, as infrações de trânsito flagradas em rodovias federais aumentaram de 1.855.448 em 2007 para 6.023.826 em 2017, com crescimento de 234% em uma década.
As principais infrações ou irregularidades flagradas foram o consumo de álcool, ultrapassagem indevida e excesso de velocidade.
Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia juntos, representaram 40% dos registros de infrações cometidas nas rodovias brasileiras em 2017.
A tragédia dos acidentes de trânsito, na verdade, é hoje uma preocupação de todo o planeta, pois, segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), está havendo aumento contínuo de mortes em rodovias e vias urbanas da maioria dos países.
Conforme o relatório, 1,35 milhão de pessoas perdem a vida todos os anos em decorrência de acidentes de trânsito. Os dados mais alarmantes estão em países da África, porque, segundo especialistas, os governos locais reduziram esforços na busca por solução para o problema.
O documento sobre a situação global na segurança no trânsito da OMS em 2018 destaca que lesões causadas por acidentes automobilísticos se tornaram a principal causa de morte de crianças e jovens entre cinco e 29 anos de idade.
Essa tristeza pode até se renovar a cada ano, pois muitas dessas tragédias acontecem em viagens de passeio, em períodos de férias ou em visitas a pessoas de suas relações, residentes em cidades mais distantes.
O autor é deputado federal pelo Paraná
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