O Presente
Geral

As vantagens e desafios da geração de energia eólica – por Dilceu Sperafico

calendar_month 15 de fevereiro de 2019
3 min de leitura

Mesmo que ainda sem a agilidade necessária e a eficiência desejada, o Brasil está avançando na adoção de fontes alternativas, renováveis e comprovadamente viáveis para a geração de energia elétrica.

Está certo que o país não poderia ignorar o seu potencial de recursos hídricos, construindo grandes, médias e pequenas hidrelétricas em todo o território nacional, mas os custos de transmissão e distribuição e a necessidade da adoção de fontes alternativas, como a eólica e a fotovoltaica, estão motivando avanços no setor.

No caso da energia solar ou fotovoltaica gerada em chapas instaladas sobre as próprias moradias e empresas, sem despesas com redes de distribuição, a autossuficiência no abastecimento está cada vez mais próxima dos interessados.

Na geração energia eólica, os avanços são ainda mais promissores e as usinas movidas pelo vento que sopra em todo o país devem se consolidar como a segundo maior e mais importante fonte de geração de eletricidade do Brasil, já neste ano de 2019, conforme a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Para se ter ideia da contribuição dessa alternativa, basta dizer que o Brasil já possui capacidade equivalente à de uma Usina de Itaipu na geração de energia eólica. A Itaipu, verdadeiro orgulho do Oeste do Paraná, como se sabe, é a segunda maior hidrelétrica do mundo.

De acordo com a Abeeólica, a geração de energia eólica já ultrapassou a marca de 14,34 GW (gigawatts) de capacidade instalada no Brasil. Para isso, o país conta com 568 parques eólicos, de diferentes capacidades, em 12 Estados.

Segundo levantamento da entidade, a energia gerada por esses parques nos últimos 12 meses foi suficiente para abastecer 25 milhões de residências, beneficiando cerca de 75 milhões de brasileiros, com eletricidade mais barata.

A fonte eólica tem experimentado grande crescimento no país desde 2009, graças aos leilões promovidos pelo governo federal para a contratação e execução de novos empreendimentos, o que deve prosseguir nos próximos anos, por razões óbvias.

Contando com empreendimentos contratados nos últimos leilões realizados pela União, a projeção é que até 2024 a energia eólica atinja ao menos 18,8 GW de capacidade instalada no país. 

Graças às condições climáticas e topográficas favoráveis, extensão do litoral e regiões serranas e custos menores, a adoção e expansão da energia eólica no Brasil têm cada vez maior potencial de crescimento.

Enquanto há dez anos a alternativa tinha muito poucos interessados e investidores, hoje todas as grandes empresas estão investindo ou planejamento investimentos em usinas eólicas em todas as regiões do país.

O fato merece comemoração, mas especialistas alertam sobre a necessidade de levar em consideração pontos decisivos, como o regime de ventos, que não são constantes em todas as regiões do país, como acontece com as chuvas regulares.

Como há a necessidade de suprimento de energia, o assunto vem sendo muito debatido nos últimos anos, até porque o país deixou de construir hidrelétricas sem grandes reservatórios, em obras com menor impacto socioambiental, apesar do risco da escassez de água.

O grande avanço estaria na diversificação da matriz elétrica para minimizar riscos e limitações de cada alternativa, como são projetos híbridos, com mais de uma fonte de geração de energia e até mesmo o uso de baterias, mas que ainda são inviáveis economicamente.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
dilceu.joao@uol.com.br

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.