As neoplasias malignas (chamadas genericamente de câncer) são consideradas a segunda maior causa de morte no Brasil, ficando atrás apenas de doenças cardiovasculares. “Em termos absolutos, a tendência é uma elevação no número de casos, principalmente devido ao aumento da expectativa de vida, que acarreta uma maior chance da instalação de um erro na divisão celular por envelhecimento natural das células do organismo”, expõe o médico cirurgião oncológico Leonardo Seyboth.
Outros fatores preocupantes e relacionados às neoplasias são os vícios em álcool e tabaco, além de ser cada vez maior o número de pessoas com sobrepeso e obesidade. “Vale destacar que o tabagismo vem apresentando declínio com o tempo por conta da política de conscientização do uso e seus malefícios. Já em relação ao ganho de peso, houve um salto de 10% para 40% no número de pessoas com sobrepeso em um espaço de tempo de 30 anos”, enfatiza o médico.
Em Marechal Cândido Rondon
Seyboth acredita que o maior número de casos de neoplasias está relacionado aos cânceres de pele não melanoma. “Principalmente devido a uma exposição solar crônica sem uso de fator de proteção solar em uma cidade predominantemente germânica, que possui um fototipo de pele bastante claro, com pouca melanina (pigmentação da pele que serve como barreira natural contra raios UVA e UVB)”, pontua.
Avanços no tratamento
De acordo com o cirurgião oncológico, o início das cirurgias oncológicas da forma como são conhecidas hoje começaram no fim do século 19 e início do século 20, com os médicos Halsted e Billroth, principalmente. “No entanto, os resultados eram muito pobres, havendo uma melhora expressiva após o início da era da radioterapia e da quimioterapia, utilizando-se até hoje uma terapia trimodal na grande maioria dos casos”, relata.
A evolução nas três áreas é evidente: a cirurgia atualmente pratica técnicas cada vez mais precisas através de microcirurgias e cirurgias minimamente invasivas, como cirurgias laparoscópicas (“por vídeo”) e cirurgias robóticas, a partir das quais braços robóticos ficam introduzidos no paciente enquanto as ordens são dadas de um local remoto por um cirurgião dentro de uma cabine (console). Enquanto isso, a quimioterapia evoluiu tendo hoje terapias que agem com bastante precisão no local do erro celular em que desencadeará o início da neoplasia, diminuindo a proporção de morte de células sadias. A radioterapia, por sua vez, progrediu principalmente na forma em que o radioterápico é administrado, ficando bem mais precisa a sua atuação no corpo, não proporcionando ao doente tantos efeitos colaterais devido à ação nos tecidos vizinhos saudáveis.
Multidisciplinaridade fundamental
Seyboth destaca que a multidisciplinaridade é fundamental para o tratamento do paciente oncológico devido à sua complexidade. Para ele, a atuação conjunta de uma equipe de saúde composta de enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e odontólogos, além do corpo clínico composto por especialistas na área é imprescindível para conseguir manejar e prevenir complicações que o tratamento pode provocar ou até mesmo prevenir e diminuir complicações que são inerentes a determinado tipo de doença, provocando melhora precoce e diminuindo o tempo de estadia intra-hospitalar e um bem-estar permanente em domicílio.
Medicina personalizada
Atualmente a oncologia baseia-se principalmente em medicina por evidências, a partir da qual, por meio de estudos regulamentados por uma série de normas a serem seguidas, evidencia-se que determinada conduta é a mais adequada para tal tipo de tratamento. “A individualização ou extrapolação de conduta se coloca por meio de protocolos de pesquisa, nas quais já se esgotou a terapêutica convencional, e através do consentimento assinado pelo paciente utilizam-se terapêuticas ainda não tidas como seguras em humanos ou que não se têm comprovação do benefício após seu uso”, explica o médico.
Paciente paliativo e paciente terminal
O paciente paliativo é aquele que tem um abrandamento de algum mal por período temporário ou o retardo de alguma crise, enquanto que o paciente terminal é aquele cujas doenças já alcançaram a sua manifestação mais avançada e está produzindo sinais e sintomas de processo de fim de vida. “Pacientes paliativos não são sinônimos de pacientes que falecerão em espaço curto de tempo, embora possa acontecer. Há vários casos de pacientes que são considerados ‘paliativos’ em termos oncológicos, porém se mantêm vivos com boa qualidade de vida durante muitos anos. Essa paliação pode se dar através de medicamentos, quimioterápicos ou não, que retardam a progressão da doença e os sintomas por ela causada, sem falar do já citado acompanhamento multidisciplinar. Já o paciente em estágio terminal requer cuidados paliativos mais intensivos, podendo ser em domicílio ou em cuidados intra-hospitalares, a depender do suporte familiar à disposição. O que se deve levar em conta é que, independente da patologia, apesar de não haver cura em alguns casos, sempre há o que pode ser feito, nem que essas medidas se restrinjam a diminuir sofrimento, buscar conforto e dignidade em um processo final de vida ou não”, enaltece Seyboth.
Atendimento humanizado
Tem tido bastante enfoque a humanização do atendimento em todas as áreas da medicina, especialmente para pacientes oncológicos que chegam frequentemente assustados e fragilizados com o estigma da doença. “O atendimento humanizado significa nada mais que quebrar certo distanciamento, para se colocar no lugar da pessoa que está à sua frente, saindo, dessa forma, de um pedestal segregador. As faculdades de Medicina vêm estimulando como prática corrente esse modelo de humanização justamente para seus alunos incorporarem desde o início esse espírito e para que não adquiram certos ‘vícios’ no tratamento aos doentes, dificultando-os de estabelecer uma boa relação médico-paciente”, menciona.
Leonardo Seyboth
É graduado em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas (RS), com residência em Cirurgia Geral no Hospital Municipal São José de Joinville (SC) e residência em Cirurgia Oncológica no Hospital do Câncer de Barretos – Fundação PIO XII (SP). Atende no Hospital Uopeccan em Cascavel e em Marechal Rondon na MedClin (Rua Rio de Janeiro,
250 – Centro. Telefone (45) 3284-3030. E-mail: leoseyboth1@gmail.com