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Cachorro e fogos de artifício: saiba como proteger seu melhor amigo

calendar_month 31 de dezembro de 2018
6 min de leitura

 

As tradicionais comemorações de Ano Novo estão batendo na porta e a principal delas são os famosos shows com fogos de artifício que ocorrem na maioria das cidades. Além deste momento específico, também é normal que durante todo o dia 31 de dezembro já ocorram fogos em diversos locais.

Apesar de as luzes e o som serem motivo de comemoração para as pessoas, na maioria dos casos o “show de fogos” é sinônimo de sofrimento para os cachorros, que, por terem uma audição sensível, podem ficar muito assustados e estressados, ocasionando até mesmo graves consequências. “Se comparada com a audição humana, a do cão é até quatro vezes mais aguçada, o que explica o susto e o estresse durante as festividades de fim de ano”, ressalta o médico veterinário Paulo Henrique Giesel.

Ele explica que há cães que ficam ansiosos, outros se escondem e muitos podem fugir de casa por não compreenderem o que está acontecendo. “Nessas situações, seja de fuga ou de tentar se esconder, é comum que eles acabem se machucando”, pontua.

O profissional alerta para os cuidados necessários principalmente com cães que já possuem histórico de problemas cardíacos ou que são epiléticos. “Como costumo explicar para alguns proprietários, muitos cães não têm histórico de epilepsia, mas ainda assim podem sofrer uma convulsão”, comenta. “Todo cão tem um linear compulsivo. No entanto, quando ele fica ansioso e estressado, a respiração fica ofegante e o coração acelera. São situações que podem fazer com que o sistema nervoso passe do linear convulsivo fazendo com que ele tenha um choque e então uma convulsão”, expõe.

O que fazer

Giesel compartilha algumas estratégias que podem ser usadas para que os cães se sintam mais seguros e protegidos durante os fogos na virada do ano. Algumas pessoas usam a tática da bandagem, que é entrelaçada no corpo do animal, fazendo uma compressão médica, ou seja, nem muito forte, nem muito fraca, que dá uma sensação maior de segurança e o sistema nervoso do animal relaxa. “Na minha experiência eu uso pouco, não acredito ser uma tática muito eficaz, mas pode funcionar”, menciona.

O que ele usa é o som em frequência alta, em um local seguro, normalmente com ar-condicionado ou ventilador ligado. “Desde a tarde ligamos o rádio e aos poucos vamos aumentando a frequência. Quando chegam os fogos, tem essa interferência do som e o impacto dos fogos é menor”, relata.

O médico veterinário destaca que a proximidade humana é importante. O ideal, salienta, é que os donos fiquem próximos dos seus animais. Pode-se ainda usar algodão nos ouvidos dos pets para diminuir o impacto sonoro. “Quando são filhotes, a educação funciona bem. Em casos de barulho, o ideal é associar esse estímulo auditivo a um petisco, uma brincadeira, algo que faça o cão entender que o ruído não é uma ameaça”, orienta.

Outra dica que deve ser iniciada meses antes da chegada do Ano Novo é o uso de florais. “Por tratar-se de uma homeopatia, o ideal é começar antes, visto que alguns cães se adaptam e outros não”, aponta.

Giesel também chama a atenção para o uso de tranquilizantes que, na recomendação do veterinário, devem ser utilizados com cautela e em casos muito específicos. “Esses medicamentos possuem efeitos colaterais e não devem ser usados em todos os casos. A raça Boxer, por exemplo, é uma que pode sofrer com o uso de um determinado tranquilizante. Portanto, todo cuidado é pouco e outras medidas devem ser tomadas antes de se pensar nessa opção”, enfatiza.

O mesmo vale para a hospedagem de animais nessa data. “É claro que em casos de viagens é uma situação diferente, mas simplesmente deixá-lo na veterinária por conta da virada do ano é uma atitude que deve ser repensada, já que ele estará em um local desconhecido, o que pode deixá-lo ainda mais estressado. Sem falar que o contato com outros cães, neste momento, pode não ser benéfico, pois alguns animais quando estressados podem atacar”, alerta.

Por fim, caso o proprietário não esteja em casa no momento dos fogos, Giesel orienta que o animal seja deixado em um local seguro e com identificação, pois, caso ocorra a fuga, será mais fácil de conduzi-lo de volta para sua casa.

Gatos

O médico veterinário explica que gatos também possuem uma sensibilidade auditiva maior, no entanto, menor que a dos cães. “A espécie felina é mais independente. Como costumamos dizer que são ‘os donos do pedaço’, porém, quando acuados, os gatos também podem fugir ou buscar um lugar para se esconder. Por isso é importante, principalmente para os gatos mais novos que irão passar pela primeira vez o réveillon com fogos, que sejam deixados em um ambiente seguro, que os impeça de se machucarem, caso tentem se esconder ou fugir”, aconselha.

 

Playlist para os pets

Pensando no medo que os pets costumam sentir com os fogos de artifício no Ano Novo, a National Geographic preparou uma programação especial para o dia 31 de dezembro: 15 minutos antes da meia-noite os canais Core e Wild iniciarão a transmissão da “Sinfonia pelo Planeta”, com 45 minutos de sons relaxantes para os pets.

O aplicativo de música Spotify também conta com uma playlist elaborada por uma farmácia para pets, que promete acalmar os animais no último dia do ano: a lista de músicas “Seu pet tranquilo”.

Também é possível procurar por diversas seleções disponíveis no Youtube.

 

 

Médico veterinário Paulo Henrique Giesel: “Quando são filhotes, a educação funciona bem. Em casos de barulho, o ideal é associar esse estímulo auditivo a um petisco, uma brincadeira, algo que faça o cão entender que o ruído não é uma ameaça” (Foto: Leme Comunicação)

 

 

COM A PALAVRA, OS CÃES

 

“Não é que eu não gosto de comemorações, mas é que não consigo compreender as coisas como você. Então, qualquer alteração visual ou auditiva pode ser interpretada por mim como uma ameaça. É por isso que os fogos me causam tanto medo. Minhas reações são instintivas e impulsionadas pelo pavor” (Foto: Shutterstock)

 

“Posso ficar com o coração acelerado, respiração ofegante, salivação excessiva e até tentar fugir. Tudo isso acontece porque minha audição é muito sensível e não sei o que fazer para me proteger quando os fogos começam” (Foto: Divulgação)

 

“Se você já sabe que eu tenho histórico de problemas cardíacos ou de epilepsia, uma visita ao médico veterinário antes do Ano Novo é muito importante” (Foto: Divulgação)

 

“Sua companhia me deixa muito mais seguro sabia? Se possível, não me deixe sozinho na virada de ano. Quando sinto medo, é perto de você que eu quero estar” (Foto: Divulgação)

 

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