Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP) nunca alcançou o poder ofensivo das FARC colombianas nem do Sendero Luminoso peruano. Mas ainda assim, em mais de 20 anos de existência, mantém em permanente sobressalto a região central do Paraguai formada pelos departamentos de San Pedro, Concepción e Amambay – os dois últimos na fronteira com o Brasil.
É uma área que se tornou perigosa para grandes estancieiros, sojicultores, empresários e agentes públicos. Ataques a médias e grandes propriedades, confrontos armados com forças da repressão e sequestros estão no portfólio do grupo guerrilheiro marxista-leninista que dá vivas a Che Guevara e Mao Zedong.
Alguns sequestrados foram liberados após pagamento de resgate; outros foram mortos. Incerto é o destino de três pessoas capturadas pela guerrilha nos últimos sete anos: o policial Edelio Morínigo, sequestrado em 2014; o fazendeiro Felix Urbieta, aprisionado em 2016 por uma dissidência do EPP (o Ejército del Mariscal Lopez); e o ex-vice-presidente do Paraguai, Óscar Denis, que caiu nas mãos de epepistas no dia 09 de setembro do ano passado em Concepción.
Reiterados e desesperados apelos feitos à guerrilha por familiares das vítimas não tiveram outra resposta se não o silêncio.
Sem ter o que dizer também está o governo de Mario Abdo Benítez, apesar da crescente cobrança da opinião pública por medidas mais efetivas contra o EPP e outros dois grupos armados. Um deles, que se autodenomina Agrupación Campesina Armada (ACA), sequestrou e matou um jovem fazendeiro no final de junho. O corpo foi encontrado por um pescador à margem do rio Apa, em território brasileiro. O Paraguai constituiu uma Força Tarefa Conjunta para dar combate à guerrilha, mas com escassos resultados. A mídia de Assunção qualifica-a de “inútil”.
Por Heinz Schmidt/Pitoco