Depois de mais de 15 dias dias parada por falta de autorização especial para circulação, a carreta de 124 rodas que faz o transporte de um transformador da Itaipu com mais de 122 toneladas que saiu de Foz do Iguaçu, no Paraná, e tem como destino Blumenau, pode retomar a viagem na terça-feira (11). Mas foi parada novamente quilômetros depois.
Isso porque o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) disse ter dúvida com relação a passagem do veículo sob uma passarela na cidade de Pato Branco, no sudoeste do estado, que tem altura próxima a do veículo, e pediu que a viagem parasse novamente. Uma equipe fará medição da altura do local e se for compatível, a viagem poderá ser retomada.
A viagem foi interrompida pela primeira vez em Bom Sucesso do Sul, no sudoeste do Paraná por falta de autorização especial para circulação na PR-493 no dia 24 de janeiro.
A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) esclareceu na data que para o transporte de cargas com tamanhos superdimensionados e excesso de peso que era imprescindível a obtenção de uma Autorização Especial de Transporte (AET), emitida pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), item que o veículo de grandes dimensões não possuía.
Para a retomada da viagem, a Transportadora Constancio, empresa terceirizada responsável pelo transporte, providenciou a autorização, que foi aprovada pelo DER. Com o documento e após pagar taxa de R$ 2,5 mil, a carreta de quase 40 metros de comprimento retomou a viagem até ser parada novamente.
Não há previsão para a retomada da viagem e chegada da peça ao seu destino final em Blumenau, Santa Catarina. O transformador levado na carreta saiu de Foz do Iguaçu, em 18 de janeiro e levaria cerca de 20 dias para chegar a cidade catarinense a 880 quilômetros de distância, porque o veículo não pode ultrapassar os 40 Km/h.
A peça deve ser levada para a cidade catarinense para passar por manutenção. Entenda para o que ela serve mais abaixo.

O que diz Itaipu
Em nota, a usina de Itaipu informou que o transporte da peça está sendo feito por uma empresa especializada contratada pela Weg, que é responsável pelo conserto em fábrica do equipamento.
A Weg disse que tomou conhecimento da infração cometida pela transportadora e que determinou que providencias fossem tomadas para a regularização.
A Transportadora Constancio Transporte Especiais disse que foram necessários ajustes na documentação e que esse pedido de liberação já foi encaminhado ao DER, que aprovou a documentação e o veículo seguiu viagem, até ser parado novamente por dúvidas do Dnit quanto ao trajeto.
O veículo

Segundo a Itaipu, a peça está sendo carregada por um caminhão plataforma de 39 metros de comprimento, três metros de largura e 124 rodas. Outro caminhão também é usado como contrapeso para auxiliar nas manobras e foi engatado na parte traseira do veículo principal.
Antes do transformador, 32 mil litros de óleo usados no equipamento e duas carretas com peças como trocador de calor, buchas, bombas e válvulas, já tinham sido levadas para a fábrica em Blumenau.
O superintendente de manutenção da Itaipu, Marco Aurélio Siqueira Mauro, explicou que a peça precisa passar pela manutenção fora da usina por conta de cuidados específicos.
“A execução do serviço na fábrica, fora da usina, deve-se ao fato de os procedimentos de desmontagem e montagem do transformador serem complexos e exigem uma grande estrutura e mão de obra especializada. Além disso, existem ensaios elétricos específicos que serão realizados no transformador, após a montagem, que não são exequíveis na usina”, detalhou o superintendente.
O transformador

Segundo Marco Aurélio, a peça apresentou problema em 2023, foi retirada de operação e substituída por uma extra, com as mesmas características. A função do equipamento é elevar tensão produzida pelas unidades geradoras de Itaipu de 18 quilovolts para 500 quilovolts.
Ao todo, a usina hidrelétrica possui 60 transformadores, sendo este o maior.
Eles estão instalados em 20 unidades geradoras e cada uma possui três dos equipamentos, além de seis peças extras.
A expectativa é que o equipamento seja reinstalado em Foz do Iguaçu em meados de 2026.
Com G1