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Chuva de meteoros terá pico na madrugada desta segunda (22); saiba como ver

Astrônomos dão dicas de como observar as 'estrelas cadentes'. Entenda o que é uma chuva de meteoro e do que ela é formada


calendar_month 21 de abril de 2024
6 min de leitura

Quem olhar para o céu entre a noite deste domingo (21) e a madrugada desta segunda-feira (22) tem grandes chances de ver uma chuva de meteoros.

A previsão é de que a chuva de meteoros Líridas, ou Lyrids, atinja o ápice nesse período, segundo o Observatório Nacional. Em condições ideais, há potencial de observação de até 18 “estrelas cadentes”, como popularmente os meteoros são conhecidos, por hora, segundo o instituto de pesquisa do governo federal.

O astrônomo Amauri José da Luz Pereira, coordenador do Planetário e Observatório do Colégio Estadual do Paraná (CEP), em Curitiba, explica que os cometas são como uma bola de pó e gelo, como um “gelo sujo”.

Na medida em que os cometas se movem, segundo o astrônomo, esse material vai se soltando, formando uma calda de partícula que descongela diante da proximidade do Sol.

“A chuva de meteoros é provocada justamente por essa poeira, por essa matéria que se desprendeu e que descongelou do corpo do cometa. Só que como a Terra, todos os anos, passa por esse mesmo ponto e como a nuvem é dinâmica, às vezes, tem um pouco mais ou um pouco menos de concentração de matéria naquela região”, afirma.

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O instituto de pesquisa acrescenta que os meteoros pegam fogo – total ou parcialmente – diante da interação com a atmosfera terrestre e o oxigênio.

“Esse fenômeno cria uma luminosidade no céu, comumente conhecida como ‘estrela cadente’. Uma chuva de meteoros ocorre quando diversos meteoros cruzam o céu noturno originando-se de um ponto em comum, chamado radiante. No caso das Líridas, o radiante está na constelação de Lyra”, diz a organização científica.

O Observatório Nacional cita que todo ano, no fim de abril, a Terra passa por uma linha de poeira e detritos do Cometa Tatcher, criando a chuva de meteoros Líridas, por se alinhar à constelação de Lyra.

Como ver a chuva de meteoros? ☄️

Conforme o astrônomo, a chuva de meteoros poderá ser vista à noite – as chances de observação aumentam à 1h de segunda e se o céu estiver limpo. É preciso olhar para a direção norte.

Porém, o Observatório alerta que, na noite do pico da chuva, a lua estará 96% cheia, dificultando a observação.

“Aqui de Curitiba, se alguém quiser se aventurar a ver uma estrela cadente, eu recomendo que procure ir para local alto e ir ao norte aqui de Curitiba, porque nós temos a questão da poluição luminosa da cidade, que acaba atrapalhando também. Então, o ideal é que seja o mais afastado possível que conseguir da poluição luminosa da cidade. Se puder ir para uma chácara, para campo, uma montanha”, recomenda o coordenador do Planetário e Observatório do CEP.

Vai com calma!

Amauri Pereira esclarece que é muito raro a observação do fenômeno tal qual uma chuva.

“A pessoa que quer observar um fenômeno como esse não tenha a ilusão que vai ser como os pingos de chuva, aquela coisa toda junta, que seria maravilhoso! […] É um pedacinho muito pequeno, de milímetros ou poucos centímetros, talvez do tamanho, no máximo, de um grão de ervilha, que entra a uma velocidade incrível em contato com a nossa atmosfera e aí ela deixa aquele rastro luminoso da estrela cadente.”

O Planetário e Observatório do Colégio Estadual do Paraná (CEP) realiza periodicamente atividades abertas à comunidade. Pelo grande interesse, as inscrições abrem sempre nas quartas-feiras que antecedem o evento.

A próxima sessão será no sábado, dia 27 de abril. Os interessados devem se inscrever pelo site a partir das 18h desta quarta-feira (24).

Apps ajudam a ‘mapear’ o céu?

A tecnologia pode ajudar quem quer observar as estrelas cadentes. O astrônomo dá a dica de aplicativos com versões gratuitas para celular e que ajudam a identificar, por exemplo, as constelações. Confira:

  • Stellarium
  • Star chart
  • Sky Map
  • Star wall

“E aí é uma caçada, que eu diria até interessante, para as famílias fazerem especialmente com as crianças. Mas vale à pena você ficar uma hora olhando para o céu, na direção [da constelação de Lyra], certamente verá uma estrela cadente!”, conta.

É raro, mas acontece ?

Pereira afirma que, no caso de meteoros maiores, é possível identificar a cor e até mesmo ouvir o barulho do fenômeno – o que é considerado algo muito raro.

“Às vezes a gente dá sorte dele ser grande, de ter uma certa coloração. E, às vezes, quando a rocha é muito grande, se for grande mesmo, vai ter, a hora que passar, até rastro. Às vezes até pode ter som. É muito raro isso, né? Porque teria que ser uma rocha bastante grande para que a gente pudesse ver isso também”, diz.

Algum meteoro pode cair na Terra? ?

O astrônomo afirma que é possível, sim, um meteoro cair na Terra. Porém, quando isso acontece, ele é considerado um meteorito. Entenda as diferenças:

  • meteoroide: quando o corpo celeste ainda está no espaço;
  • meteoro: fenômeno luminoso no qual o meteoroide entra na atmosfera da Terra;
  • meteorito: quando o corpo celeste efetivamente chega até o solo.

“Normalmente [o meteoro] não chega, porque a atmosfera, apesar de ser muito fininha, comparativamente com o diâmetro da terra, […] ela cumpre a função, especialmente para os meteoros, que são rochas que entram a velocidades espantosas em contato com a nossa atmosfera”, explica.

Por que é importante entender as chuvas de meteoro?

Além da beleza do fenômeno, o Observatório Nacional destaca que as chuvas de meteoro ajudam a entender a formação do Sistema Solar.

“Ao investigar as propriedades dos detritos, é possível entender mais sobre os cometas e até mesmo fragmentos lunares e marcianos, resultantes de impactos antigos, assim como NEOS (Near Earth Objects), objetos próximos à órbita terrestre com atividade”, diz o instituto.

Além disso, tal conhecimento ajuda a estimar quando em que medida e época haverá maior incidência de detritos de correntes de meteoroides por onde a Terra passa periodicamente.

Ainda conforme o instituto de pesquisa, missões espaciais e centros de controle de satélites, munidos dessas informações, conseguem criar estratégias mais precisas de proteção de naves e equipamentos em órbita próxima à Terra e à Lua.

Com G1

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