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Cirurgia plástica é opção para quem quer se livrar da enxaqueca

calendar_month 14 de julho de 2017
10 min de leitura

A dor de cabeça é algo bastante comum, que afeta grande parte da população, e todos sabem como ela pode incomodar. Mas, para algumas pessoas, ela é um pouco pior. Transforma-se em enxaqueca, um dos tipos de dor de cabeça, resultando em dores intensas que atrapalham a realização das atividades comuns no dia a dia.

A enxaqueca afeta 15% da população no Brasil, sendo até 20% das mulheres e 5% a 10% dos homens. Incômoda e cheia de sintomas, a condição é tida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das doenças que mais incapacitam o ser humano.

Quem sofre do problema sabe o quanto ele é desgastante. A dor pulsátil em um dos lados da cabeça (às vezes dos dois) geralmente vem acompanhada de fotofobia e fonofobia, náusea e vômito. E a duração da crise varia de quatro a 72 horas, podendo ser mais curta em crianças.

Por isso, quem convive com a enxaqueca faz de tudo para se livrar dela. E um dos procedimentos que têm resolvido o problema dessas pessoas é a cirurgia plástica. Sim! A partir dela a doença pode ser minimizada.

 

Estranho?

À primeira vista, parece estranho um cirurgião plástico cuidar de “dores de cabeça”. Mas a técnica é realizada já há alguns anos no Brasil e tem deixado diversos pacientes satisfeitos. A intenção do procedimento cirúrgico é livrar a pessoa dos remédios e tratar o problema de vez. “Este é o último recurso que a pessoa deve procurar. O processo cirúrgico é a última escolha que deve ser feita pelo paciente”, alerta o cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Tiago André Ribeiro.

A técnica foi desenvolvida pelo cirurgião plástico Dr. Bahman Guyuron, em Cleveland, nos Estados Unidos, em 2000. Desde então diversas equipes ao redor de todo o mundo realizam este tipo de cirurgia com sucesso. No Brasil, o doutor Paolo Rubez é o cirurgião plástico pioneiro neste tipo de cirurgia. Foi através de cirurgias estéticas para a região frontal/superior da face que o autor do tratamento notou que seus pacientes melhoravam das dores de enxaqueca, quando as tinham antes do procedimento.

 

Como é a cirurgia

A cirurgia, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2011, consiste em seccionar pequenos músculos situados na região frontal ou occipital com uma só incisão de poucos centímetros no couro cabeludo (portanto, escondida pelos cabelos, quando presentes) e a utilização de um endoscópio particular até a liberação dos nervos, a estimulação dos quais são gatilhos para as crises de enxaqueca. Além disso, a intervenção, feita com anestesia geral e com internação de apenas um dia, dura cerca de duas horas e o percentual de sucesso, isto é, o total desaparecimento dos sintomas ou diminuição importante da frequência, duração e gravidade das crises é de aproximadamente de 90% nos pacientes tratados. Feito de forma simples, o procedimento trata-se da aplicação de toxina botulínica tipo A (botox) na região frontal, fazendo assim a paralização da musculatura.

O conceito por trás dos procedimentos é de que os ramos periféricos destes nervos, responsáveis pela sensibilidade da face, pescoço e couro cabeludo, são irritados pela compressão das estruturas ao seu redor, como músculos, vasos, ossos e fáscias. Isto gera a liberação de substâncias (neurotoxinas) que desencadeiam uma cascata de eventos responsável pela inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro, que irão causar os sintomas de dor intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som.

O procedimento é realizado somente uma vez, sem necessidade de retornar para uma segunda sessão. “Porém, como qualquer outro procedimento cirúrgico, é preciso voltar para ver o profissional que realizou a cirurgia para ele examinar como as coisas estão indo. O paciente deve voltar, pelo menos, uma vez ao ano”, orienta Ribeiro.

 

Posso fazer?

O cirurgião plástico explica que o procedimento cirúrgico é sempre o último recurso que deve ser utilizado por qualquer pessoa. Antes, ela deve ser tratada com medicamentos para este problema. “É a opção para quem tentou outros tipos de tratamento e não funcionaram, seja medicação, acupuntura, fisioterapia, antidepressivos ou qualquer outro método que não deu resultados”, explica.

A cirurgia plástica pode ser feita em pessoas que tiveram o diagnóstico de enxaqueca feito por um neurologista e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês, e que não consigam ser controladas pelos tratamentos convencionais. “Ainda, pode ser realizada em pessoas que sofram com efeitos colaterais das medicações para dor ou que tenham intolerância a estas medicações”, acrescenta o médico.

Ele informa que a escolha pela cirurgia se trata de um tratamento multidisciplinar. “Além de somente fazer a cirurgia para minimizar as crises de enxaqueca, é importante que a pessoa tenha hábitos de vida saudáveis, não exagerando em café, chocolate, álcool, entre outros”, alerta, ressaltando que não adianta a pessoa buscar por um procedimento para minimizar as dores da enxaqueca se não possui hábitos saudáveis.

 

Acompanhamento com outros profissionais

Além disso, o cirurgião plástico destaca a importância de a pessoa já ter tido acompanhamento com outros profissionais, como, por exemplo, um neurologista. “A pessoa não pode chegar no consultório do cirurgião plástico dizendo que quer realizar este tratamento. Ela já deve ter tido o acompanhamento com outros médicos que constataram que os sintomas não foram diminuídos pelos outros métodos de tratamento”, frisa.

De acordo com Ribeiro, o acompanhamento com outros profissionais é de suma importância para que a pessoa constate que o problema dela é realmente enxaqueca, e não um aneurisma, tumor ou algum outro problema.

A principal vantagem do uso do botox para enxaqueca, diz o médico, são os efeitos colaterais, considerados bem menores do que os causados pelo uso de remédios, como enfraquecimento muscular temporário, dores no pescoço e queda na pálpebra, por exemplo. “Como comentei sobre os hábitos de vida saudáveis, isso interfere diretamente. Uma pessoa que é fumante, por exemplo, pode ter problemas como a calvície, por exemplo”, expõe.

“É ainda uma cirurgia rara, por isso o preço pode variar de profissional para profissional. Mas pode chegar a uma média de R$ 15 mil”, informa o cirurgião plástico. Segundo ele, a cirurgia com utilização da toxina botulínica para enxaqueca é relativamente nova, por isso ainda precisa ser estudada e aprimorada.

 

Riscos

Em relação aos riscos que o procedimento pode causar, o médico diz que eles existem, todavia, as complicações são extremamente raras, já que não se tratam de cirurgias invasivas. Conforme ele, podem ocorrer sangramentos, infecções e deiscências (abertura) dos pontos. Há ainda risco de perda parcial de cabelos ao redor das incisões, contudo em geral temporárias. Pode haver também perda da sensibilidade local, mas também de caráter temporário na maior parte das vezes.

 

Causas

As causas exatas da enxaqueca são desconhecidas, embora se saiba que elas estão relacionadas com alterações do cérebro e possuem influência genética. A enxaqueca começa quando as células nervosas, já em estado de hiperexcitabilidade, reagem a algum gatilho frequentemente externo, enviando impulsos para os vasos sanguíneos, causando sua constrição (relacionado à aura) seguida de uma dilatação (expansão) e a libertação de prostaglandinas, serotonina e outras substâncias inflamatórias que causam a dor. O padrão de crise é sempre o mesmo para cada indivíduo, variando apenas em intensidade. O espaçamento entre crises é variável. Sabe-se também que o gatilho para as crises em enxaqueca variam de indivíduo para indivíduo, sendo que em alguns a pessoa pode não apresentar nenhum gatilho específico.

 

Gatilhos mais comuns são:

• Estresse

• Jejum prolongado

• Dormir mais ou menos do que o de costume

• Mudanças bruscas de temperatura e umidade

• Perfumes e outros odores muito fortes

• Esforço físico

• Luzes e sons intensos

• Abuso de medicamentos, incluindo analgésicos

• Fatores hormonais: é comum mulheres portadoras de enxaqueca apresentarem dor nas fases pré, durante ou após a menstruação. Esse tipo de migrânea é chamado de enxaqueca menstrual. Esse tipo de enxaqueca tende a melhorar espontaneamente na menopausa. Muitas mulheres têm as crises pioradas, ou até melhoradas, a partir do momento que iniciam o uso de anticoncepcionais orais

• Alimentos e bebidas: queijos amarelos envelhecidos, frutas cítricas (principalmente laranja, limão, abacaxi e pêssego), carnes processadas, frituras e gorduras em excesso, chocolates, café, chá e refrigerantes à base de cola, aspartame (adoçante artificial), glutamato monossódico (tipo de sal usado como intensificador de sabor, principalmente em comida chinesa), excesso de álcool.

 

Diagnóstico

No Brasil, é estimado que apenas 56% dos pacientes com enxaqueca procuram atendimento e, destes, apenas 16% se consultam com especialistas em cefaleias. Um estudo feito em duas Unidades Básicas de Saúde (SUS), encontrou prevalência de 45% de enxaqueca nos pacientes com queixa de cefaleia. O diagnóstico de enxaqueca é basicamente clínico.

O médico pode querer ter certeza de que não existem outras causas para sua enxaqueca. Assim, é provável que ele faça exames físicos e neurológicos. Além disso, perguntará sobre seu histórico familiar.

O diagnóstico da enxaqueca é feito clinicamente, seguindo os critérios com base nas diretrizes da Headache International Society. Para ser diagnosticada a enxaqueca, o paciente precisa apresentar pelo menos cinco crises com essas características: crise de cefaleia durando de quatro a 72 horas (tratamento fracassado ou não realizado); cefaleia tendo pelo menos duas das seguintes características: unilateral, pulsátil, dor de intensidade moderada à intensa, dor agravada ou impedindo atividade física rotineira (caminhada, subir escadas, etc); durante a cefaleia, ocorrência de pelo menos um destes sintomas: náusea e vômitos, fotofobia e “fonofobia”; e nenhum outro diagnóstico que explique a cefaleia.

 
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