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Começa a transição para o ameaçador fenômeno El Niño

Pacífico começa a apresentar sinais no oceano de uma transição para o fenômeno El Niño e seus extremos no clima


calendar_month 20 de fevereiro de 2026
6 min de leitura

Começa a transição para o El Niño e os primeiros sinais já são evidentes no Pacífico. Pelo segundo mês consecutivo, rajadas de vento excepcionalmente fortes foram registradas em uma área remota do Pacífico Oeste, indicando uma reorganização importante da circulação atmosférica.

Esses pulsos de vento, que quebraram recordes de intensidade, estão empurrando águas muito quentes do Pacífico Oeste, ao sul de Guam, em direção à América do Sul. Esse deslocamento de calor é um dos principais indícios da formação de um episódio de El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial.

Em janeiro, as medições mostraram que a enorme área de águas muito quentes no Pacífico Oeste — conhecida como “piscina quente” — teve um dos maiores níveis de calor já registrados. E isso mesmo depois de já ter liberado parte dessa energia em direção ao Leste do oceano.

Em termos simples, isso significa que o oceano ainda está armazenando muito calor. Quanto mais quente essa região estiver, maior pode ser a força do El Niño que deve se formar nos próximos meses. É como se houvesse mais “combustível” disponível para influenciar o clima do planeta. Esse excesso de calor no mar já tem reflexos práticos.

As enchentes recentes e mortais na Nova Zelândia foram associadas a águas excepcionalmente quentes ao redor do país. Quando o oceano está mais quente, ele libera mais umidade para a atmosfera, o que pode resultar em chuvas mais intensas e volumosas.

Projeções recentes do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo apontam que o El Niño deve se consolidar até o nosso inverno no Hemisfério Sul. Embora seus impactos não sejam imediatos, o fenômeno pode alterar regimes de chuva na América do Sul, África e Ásia, influenciar temporadas de furacões e tempestades severas nos Estados Unidos e aumentar o risco de branqueamento de corais.

O último El Niño, que se desenvolveu em 2023 e atingiu o pico no começo de 2024, ajudou a impulsionar 2024 ao posto de ano mais quente já registrado. Modelos indicam que o período entre 2026 e 2028 pode estabelecer novos recordes globais de temperatura.

Evento costeiro precederá o clássico e de maior impacto

As autoridades do Peru colocaram o país em estado de alerta após avisar que o chamado El Niño Costeiro deve começar a afetar o litoral a partir de março. Esse fenômeno acontece quando as águas do mar perto da costa ficam mais quentes do que o normal, o que costuma provocar mais chuva, alagamentos e outros problemas.

Segundo os especialistas da comissão que monitora o El Niño no país, o aquecimento deve começar em março e pode durar até novembro. No início, a tendência é de um aquecimento mais fraco, mas ele deve ganhar força.

O alerta serve para que autoridades e população fiquem mais atentas e se preparem para possíveis transtornos. O governo foi orientado a reforçar medidas de prevenção e organizar ações para responder rapidamente caso ocorram desastres.

A previsão indica chuvas de moderadas a fortes na costa Norte do Peru, além de temperaturas do ar acima do normal, que já costumam passar dos 30°C nessa região. Com o mar mais quente, há mais evaporação e, consequentemente, mais umidade disponível para formar temporais.

O El Niño Costeiro é uma versão mais localizada do fenômeno global El Niño e afeta os litorais do Peru e do Equador. Já o evento tradicional ou o El Niño canônico ou clássico afeta uma grande área da faixa equatorial do Pacífico e costuma ocorrer a cada dois a sete anos.

El Niño clássico é previsto entre o outono e o inverno

Após o fim de um evento de La Niña, o Pacífico obrigatoriamente entra em fase de neutralidade, já que não há transição direta entre La Niña e El Niño sem um período neutro intermediário. Neutralidade, porém, não significa normalidade: mesmo com o Pacífico Equatorial em condição neutra, podem ocorrer extremos típicos tanto de El Niño quanto de La Niña.

As projeções indicam que essa neutralidade deve predominar neste fim do verão e início do outono, mas com tendência de aquecimento gradual das águas, primeiro na costa do Peru e do Equador e depois de forma mais ampla na faixa equatorial, favorecendo a instalação de um El Niño clássico entre o outono e o inverno.

Modelos climáticos apontam aumento progressivo da probabilidade de El Niño ao longo do inverno e da primavera, superando a neutralidade a partir da metade do outono. Neste momento, os dados indicam um El Niño moderado a forte no segundo semestre deste ano.

O que é o El Niño

Um evento de El Niño ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quente do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região. A condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem a cada 3 a 5 anos.

El Niño, La Niña e neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. As interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações. Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.

Ecossistemas e comunidades humanas podem ser afetados positiva ou negativamente. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes. Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O El Niño agrava o risco de seca no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para a região.

A origem do nome data de 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. A captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.

Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa “o menino” em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados.

Com MetSul Meteorologia

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