Para surpresa de ninguém, a Câmara e o Senado derrubaram o veto de Bolsonaro ao escandaloso aumento do fundão eleitoral e garantiram a bagatela de 5,7 bilhões de reais para os partidos custearem suas despesas na campanha do próximo ano.
O desfecho da história, que praticamente triplica os recursos empregados na disputa de 2018, serviu para mostrar mais uma vez como se agrupam os integrantes do Congresso Nacional, misturando governistas, oposicionistas e independentes, quando agem por interesses puramente pragmáticos e fisiológicos.
Teve a turma dos desavergonhados que formaram ampla maioria para turbinar a verba, sem medo da ira popular.
E teve a turma dos envergonhados, divididos entre os que votaram a favor do veto para ficar bem na fotografia, mas torcendo pela própria derrota para poder também se refestelar na dinheirama, e aqueles, pouquíssimos, que pretendem se eleger sem usar um centavo dos nossos impostos – a conferir posteriormente.
Fingindo que o problema não era mais com ele, o presidente da República, agora filiado ao PL, expoente do Centrão, lavou as mãos e não moveu uma palha em defesa do seu veto, guiado pela lógica de que, no final das contas, eleição custa caro e toda grana, sendo legal, é bem-vinda.
O Brasil, definitivamente, não é para amadores.
Caio Gottlieb é jornalista, publicitário, fundador e sócio-proprietário da Caio Publicidade, agência de propaganda com mais de três décadas de atuação em Cascavel e no Oeste do Paraná. Blog: caiogottlieb.jor.br