O Presente
Geral

Como falar sobre dinheiro com meu filho?

calendar_month 20 de janeiro de 2017
8 min de leitura

Divulgação

Trocar a palavra quero pela pergunta posso?. Foi assim que o casal de psicoterapeutas Luciani e Tarsizo de Oliveira incluíram a educação financeira na vida do pequeno Adrianus. Com apenas sete anos, o filho do casal coleciona diversos cofrinhos, recheados com moedas e notinhas oriundas do desejo do estudante em ter uma reserva financeira para, no futuro, fazer um investimento.

Apesar de o pensamento parecer maduro demais para uma criança de somente sete anos, os pais expõem que o fizeram entender que todo projeto tem uma visão do futuro. Não é hoje economizar como um dinheiro que vai perder seu valor, mas tê-lo amanhã como investimento, menciona Tarsizo.

A conversa sobre o valor que o dinheiro tem na casa dos Oliveira começou por volta dos quatro anos de Adrianus, quando a família passou a explicar ao pequeno que não deveria esbanjar ou desperdiçar alimentos e que ao comprar uma roupa nova, se as antigas ainda estivessem em condições de uso, seriam repassadas para outras pessoas que fariam bom proveito. Nessa idade a criança tem o discernimento do que os pais falam e o dinheiro dentro da nossa casa sempre foi tratado dessa forma: nem tudo que você quer você vai ganhar, nós vamos avaliar para ver se temos a possibilidade de dar financeiramente e se há necessidade de ter isso, diz Luciani.

Foi nesta época que os pais passaram a orientá-lo sobre a troca do quero pelo posso? e, de acordo com o patriarca da família, o ensinamento foi suficiente para que o filho adquirisse a noção do valor do dinheiro não só em termos de comprar algo, mas também em como conquistá-lo. Ele sempre acompanhou o nosso trabalho e sabe que a gente labuta para ter o que precisa, por isso tem uma noção bem clara disso, comenta.

E é justamente nesta idade que os pais já podem passar conceitos como poupar, caro e barato, ensinar os valores de cada moeda, de cada nota, para que a criança aprenda brincando. De acordo com o especialista em finanças pessoais Altemir Farinhas, hoje as crianças estão muito mais espertas, desde cedo brincam com celular, iPad e computadores, por isso, por volta dos três anos o assunto já pode fazer parte do dia a dia. A forma como transmitimos a relação com o dinheiro é muito importante. Os pais não devem brigar na frente dos filhos, falar que dinheiro é sujo, além de não enviar mensagens erradas que ficarão gravadas na mente do filho, orienta.

 

Autonomia

Ao receber bonificação em dinheiro, as crianças vão acertar, errar, comprar, ganhar, perder, frustrar-se, alegrar-se e sentir vários sentimentos que ajudarão em sua educação financeira. Por isso, comenta Farinhas, os pais não devem interferir quando o filho quer comprar uma bobagem, já pode ser uma bobagem para nós, adultos, mas para eles é algo fantástico. A criança vai aprendendo a poupar, pedir desconto, gastar com sabedoria, e isso acontece porque as situações serão inúmeras. Deixe que ele tenha frustrações, que se alegre com a bobagem que comprou. Com o passar dos anos você perceberá que ele vai errar menos e acertar mais, destaca.

Adrianus conta que sempre que vai à cantina da escola comprar um lanche, opta por não gastar todo o dinheiro que recebe dos pais para que sobre algum trocado. E esse troco que sobra eu coloco no cofrinho, diz. Conforme Tarsizo, quando os pais começaram a dar o valor para o filho comprar o lanche na escola, explicaram da possibilidade dele guardar uma parte todos os dias, porém, a iniciativa de seguir a dica foi do próprio filho. Deixamos sempre bem claro o que é necessário e o que é extravagância, e quando ele resolveu começar a comprar na cantina explicamos que ele teria a opção de não gastar todo o dinheiro e guardar sempre um pouco, e ele por iniciativa própria começou a guardar, menciona.

 

Semanada ou mesada?

Quando o tema é mesada, Farinhas recomenda que os pais deem um valor nem baixo, nem muito elevado. O valor deve ser suficiente para que seu filho compre alguma coisa, que com esse valor ele gaste um pouco, poupe um pouco e doe um pouco, orienta.

Ele lembra que até os 12 anos o ideal é liberar a semanada, ou seja, uma quantia por semana, e só depois passar para a mesada, já que para uma criança pequena esperar um mês para receber seu dinheiro é muito tempo. Além disso, o dinheiro que é dado como semanada ou mesada não pode ser vinculado a trabalho doméstico. Esse é outro erro comum que muitos pais comentem. O filho deve ajudar de coração e não por dinheiro, a mesada é para que ele aprenda no seu dia a dia como dominar o dinheiro, alerta.

Farinhas também chama atenção para os pais que utilizam a bonificação como forma de punir os filhos. Educação financeira é para que seu filho obtenha uma relação saudável com o dinheiro, que aprenda outros valores como generosidade. Se a criança não foi bem na escola, não é punindo que obterá boas notas, mas sim apoiando, pontua. Às vezes o mau comportamento é sinal de problemas entre os pais, pois as crianças captam tudo o que acontece em seu lar, complementa.

 

Pensar no futuro

Junto da educação financeira que recebe em casa, o estudante também tem outro fator que o auxilia a ver o dinheiro de outra forma. Na instituição em que Adrianus estuda há uma disciplina de empreendedorismo, que, de acordo com Luciani, também mudou a percepção do filho em casa. Os pais dos colegas dele também pegaram o foco dessa disciplina e, em algumas festas de aniversário, como lembrança a criança ganhava um cofre, menciona, salientando que são essas pequenas ações que reforçam os ensinamentos aprendidos na escola. Em casa nós damos o acompanhamento e o reforço para fazer com que ele compreenda o fato que foi ensinado na escola, complementa Tarsizo.

No ano passado, por exemplo, Adrianus conquistou o segundo lugar no concurso de sinhozinho promovido pela escola, com um mérito que, de acordo com os pais, foi muito merecido. Eu decidi que iria vender para os meus avós, para o meu primo, meu irmão, fui no comércio com a minha mãe e também no curso do meu pai, onde eu fiquei com um pouco de vergonha, mas eu estava com um sentimento de eu vou fazer isso. Meus pais me falaram que se eu não conseguisse, meu pai estaria lá para me ajudar, então eu fui e falei na frente de 100 pessoas, conta.

Para o pequeno, colocar as moedas e notas no cofrinho não é uma forma de guardar um dinheiro para mais tarde. Eu prefiro guardar porque se algum dia meus pais precisarem comprar roupas ou alguma outra coisa e eles não tiverem dinheiro eu posso emprestar para eles, confidencia. Mas, caso as economias não precisem ser utilizadas em uma emergência, já têm destino certo: a faculdade. Eu vou usar esse dinheiro para estudar porque quero ser psicoterapeuta, igual ao meu pai, revela.

 

A fórmula da mesada

Conforme o especialista em finanças pessoais Altemir Farinhas, a cada ano é importante evoluir na proposta da educação financeira. Quando são pequenos, antes dos seis anos, você deve informar, depois com seis anos, a criança deve praticar, diz. Ensine ele a pagar alguma compra, receber o troco, gastar o seu dinheiro, orienta.

Já na adolescência, os pais devem aumentar a responsabilidade. Seu filho deve ganhar um valor suficiente para cobrir os seus gastos com lanche, passeios, e se ele gastar tudo antes do tempo, vai aprender a poupar e se controlar, destaca.

Para educar financeiramente os filhos sem deixar de lado valores mais importantes que o dinheiro, Farinhas recomenda aos pais ter três potes transparentes com as etiquetas POUPAR, GASTAR e DOAR. Veja esse exemplo:

A criança ganha R$ 10 por semana.

No primeiro pote (POPUAR), ela coloca R$ 2

No segundo pote (GASTAR), ela coloca R$ 7.

No terceiro pote (DOAR), ela coloca R$ 1.

A criança fica com uma boa quantia para gastar, que ela deve gastar. Alguns pais ficam orgulhosos em dizer que o filho não gasta nada, isso é péssimo, a criança deve gastar um pouco e guardar um pouco, nem gastar tudo ou guardar tudo, comenta o especialista.

Ele ressalta que o pote poupar deve sempre ser feito com um objetivo, uma meta, algo que a criança queria conquistar. Aqui é um bom momento para os pais intervirem incentivando, opina.

Já no pote com a etiqueta doar é uma forma dos pequenos entenderem que é preciso ajudar o próximo. Se desde cedo seu filho guardar um dinheiro para doar um brinquedo ou ajudar na compra de uma cesta básica, essa contribuição que ele faz com o seu dinheiro, será uma experiência que ele levará para o resto de sua vida. Dessa forma os pais estão ensinando outros valores, finaliza.

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.