O Presente
Tarcísio Vanderlinde

Conexão atemporal

calendar_month 26 de dezembro de 2025
3 min de leitura

Observar os movimentos das constelações faz parte da cultura de muitos povos ao longo dos séculos. Os mais antigos, no hemisfério norte do planeta, imaginavam que a Estrela Polar fosse o “Eixo do Universo”.

As descobertas científicas que se sucederam, entretanto, acabaram tirando o brilho dessas construções imaginárias que auxiliavam a dar um sentido à vida planetária. O eixo cósmico, se é que ele pode ser considerado, pode não ser aquele representado pela Estrela Polar, mas na imaginação, continua lá para lembrar os rápidos milênios que se sucederam.

Algumas constelações aparecem descritas nos relatos bíblicos e são bem visíveis no hemisfério sul à época do Natal. As Plêiades formam uma delas. Os Astecas acreditavam que o reaparecimento das Plêiades era associado a um sinal de que o mundo ainda não acabaria naquele ano. Os Incas viam nela um filhote de Lhama.

Outro aglomerado estelar muito curioso, também visível no período natalino, é a constelação de Órion. Parte dela é muito conhecida em nossa cultura pelo nome de “Três-Marias”, na verdade o “cinturão” do herói mítico que empresta o nome àquele conjunto de estrelas.

As explicações míticas sobre a origem das constelações são as mais frequentes e, neste caso, os gregos parecem comandar o mapa estelar, porém, em sua imaginação, as pessoas vão inventando outros nomes associados aos costumes e tradições.

Em nossa breve passagem por aqui, pode-se dialogar através das estrelas, com pessoas do passado e deixar alguma mensagem de esperança para observadores sobreviventes do futuro.

As estrelas nos confidenciam sobre um tempo longo. Servem como um elo eterno no tempo presente a nos disponibilizar a conexão permanente entre passado e futuro.

Olhar para as estrelas neste tumultuado início do século XXI pode devolver a nossa sensibilidade ao nos aproximar dos sábios do passado, que construíam suas poesias olhando para o universo.

O profeta Daniel, que viveu exilado em Babilônia por volta do século VI a.C., foi possivelmente um observador atento dos movimentos das estrelas. Foi de suas observações que retirou a conclusão apocalíptico-poética que, ao ser impressa, possibilitou o seu envio como mensagem aos observadores do futuro:

“Os que forem sábios, pois, resplandecerão, como o fulgor do firmamento; e os que ensinarem a muitos a justiça hão de ser como as estrelas, por toda a eternidade”.

Entre as observações registradas no passado há, porém, uma que pode ser considerada a mais relevante. Há aproximadamente dois mil anos, uma estrela brilhou para avisar a alguns observadores atentos que algo extraordinário havia acontecido. Havia nascido um rei que mudaria o curso da história. Uma luz havia brilhado na escuridão dos povos. O Messias havia chegado para anunciar o primeiro Natal.

Estrela Sirius da constelação Cão Maior vista através de telescópio. Sirius é a estrela mais brilhante depois do Sol vista da Terra. Está a 8,6 anos-luz de nós. Acessável em br.freepik.com

Por Tarcísio Vanderlinde. O autor pesquisa sobre povos e culturas do Oriente Médio.

tarcisiovanderlinde@gmail.com

@tarcisio_vanderlinde2023

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