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Crise já motivou mais de 4 mil demissões em Salto del Guairá

calendar_month 11 de junho de 2015
4 min de leitura

Arquivo/OP

Com a alta do dólar, que está cotado em R$ 3,20, estimativa é que houve redução em 50% do movimento comercial de Salto del Guairá

Quem visita Salto del Guairá (PY), destino preferido de muitos brasileirospara fazer compras, se assusta com o cenário atual. Não faz muito tempo que achar um lugar para estacionar nas ruas da cidade era um trabalho difícil. Havia tantos veículos que muitas vezes era necessário circular por várias ruas até encontrar uma vaga. O movimento de automóveis, em maior parte brasileiros, era sinal de que o comércio estava aquecido.

Estava tão aquecido, aliás, que por onde se andava era possível ver shoppings e lojas sendo construídas. Nos comércios, dificilmente alguém entrava em uma loja sem esbarrar em outras pessoas e, na hora de pagar, precisava enfrentar filas.

Hoje, contudo, a situação é inversa. Nas ruas, há vagas para escolher onde estacionar. Nas lojas ainda abertas, o movimento é muito inferior ao que já foi há poucos meses e a quantidade de funcionários, tão grande em tempos passados, hoje é drasticamente menor. Isso sem contar nas empresas que não aguentaram os prejuízos e fecharam suas portas.

A alta do dólar atingiu os comerciantes em cheio e quem sente as consequências são os dois países: Paraguai e Brasil. Isto porque o turismo de compras empregou muitos brasileiros, sem contar aqueles que se sentiram incentivados a investir em território paraguaio. Hoje, o cenário virou uma incógnita para o futuro.

Em entrevista ao Jornal O Presente, o intendente (prefeito) de Salto del Guairá, Eduardo Paniagua Duarte, revela dados que assustam: pelo menos quatro mil pessoas, entre brasileiros e paraguaios, já perderam o emprego na cidade. Tem muitas lojas fechando, inclusive um shopping fechou. E muitos funcionários foram demitidos, frisa, segundo o qual, uma das alternativas aos paraguaios está sendo retornar para o campo.

De acordo com ele, pelo menos 50% do movimento comercial baixou na cidade. A crise está motivada especialmente na alta do dólar, cuja cotação está na faixa de R$ 3,20, além do controle rigoroso da Receita Federal em Mundo Novo (MS). Outro motivo que preocupa, e muito, é a iniciativa do governo brasileiro em reduzir a cota de importação por via terrestre para US$ 150, cuja medida pode entrar em vigor no dia 1º de julho, caso não seja suspensa. Hoje, a cota está em US$ 300. Se houver a redução da cota e com a alta do dólar, a situação ficará pior ainda. Tem muitos empresários brasileiros fechando suas lojas, assim como funcionários brasileiros sendo demitidos, detalha, explicando que a medida do Brasil não impactará somente os paraguaios.

Duarte comenta que esses três fatores – alta do dólar, controle mais rigoroso da Receita Federal e cota – influenciam negativamente não só no turismo de compras de Salto, mas também em Ciudad del Este, que faz divisa com Foz do Iguaçu, e Pedro Juan Caballero, que está na divisa com Ponta Porã (MS).

Crises

O prefeito relembra que a cidade já enfrentou muitas crises. No entanto, ele explica que agora a situação está mais acentuada porque Salto recebeu, nos últimos anos, muitos brasileiros, os quais não aguentam por muito tempo o momento de dificuldade econômica e acabam migrando para a área rural. O nosso comerciante local (paraguaio) não sofre tanto, porque está em lojas próprias. Salto cresceu muito nos últimos sete anos e, com essa crise, está baixando a situação econômica, declara, segundo o qual, outro setor que acaba muito prejudicado é o da construção civil, que vivia até pouco tempo plena ascensão. É um setor que está muito parado, justamente pelo problema econômico, diz.

Expectativa futura

Caso o valor da cota permaneça como está, Duarte acredita que em breve a situação comercial do Paraguai vai melhorar, tendo em vista que existe a perspectiva de que a cotação do dólar frente ao real sofra uma redução a médio prazo. Para nós, o ideal é que a cotação estivesse dois para um (R$ 2 = US$ 1). Aí estaria muito bom, comenta. A nossa esperança é que não entre em vigor a lei de redução da cota. Vi que a senadora Gleisi Hoffmann está trabalhando neste sentido, expõe o prefeito, complementando que as autoridades do Paraguai também estão atuando para sensibilizar o governo federal sobre os prejuízos que a cota de US$ 150 poderiam causar. Fizemos uma manifestação no dia 02 de junho. Também conversamos com o governo brasileiro para que se mantenha a cota, conclui.

 
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