Ao entregar o inquérito sobre a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, o delegado Amadeu Trevisan definiu que o crime aconteceu como “frio, pensado e premeditado”. Em entrevista coletiva concedida no Fórum de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, ele comentou que o inquérito contempla várias modalidades criminosas entre os indiciados e que chama a atenção a crueldade com que a morte foi executada.
Para o delegado, o jogador morreu aos poucos na madrugada de 27 de outubro. “Daniel começa apanhando no quarto, pelo Edison [Brittes Júnior] ajudado pelos outros três, e é vítima de bastante tortura. Como a gente percebe, ele se afoga no próprio sangue, mas chega ainda vivo no local em que o corpo foi encontrado. Me chama a atenção o fato de que deve ser muito difícil ouvir a própria sentença de morte e o Daniel, com certeza, ouve nessa cerca de uma hora que permaneceu dentro do carro”, descreveu.
O inquérito foi entregue ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que agora fica responsável por oferecer a denúncia. O documento tem 370 páginas, constando os depoimentos de todos os envolvidos, fotos, vídeos, áudios e relatórios policiais solicitados durante o período de investigação. Para quinta-feira (22), resta a expectativa com a divulgação dos laudos periciais, que devem ser anexados pela Promotoria na denúncia.
– Edison Brittes Júnior (Juninho Riqueza), 38 anos – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;
– Cristiana Brittes, 35 anos – coação de testemunha e fraude processual;
– Allana Brittes, 18 anos – coação de testemunha e fraude processual;
Juninho Riqueza
Questionado sobre o principal responsável pelo crime, Trevisan disse que Edison Brittes Júnior é um homem de alta periculosidade. “É um psicopata, doente. Nos impressiona a frieza dele de agir. Quando Edison retorna do crime, ele pede para que uma pessoa faça comida e ainda consegue se alimentar. Ele é um criminoso que acreditou naquilo que não deu certo, na impunidade. É inconsequente e que cometeu um crime para se mostrar como o maioral”, disse Trevisan.
Para o delegado, Brittes precisa ficar preso. “É um homem de periculosidade acentuada e que deve permanecer preso. Em liberdade, ele representa riscos para as testemunhas”, explicou. Em outros processos com a polícia, ele responde por apropriação indébita e porte de arma.
Crime
Entre amigos, testemunhas e familiares, 21 pessoas foram ouvidas na Delegacia de São José dos Pinhais. Segundo Trevisan, o depoimento de uma das testemunhas foi o mais esclarecedor e ajudou a formar uma convicção por parte da autoridade policial.
Segundo Trevisan, toda a dinâmica do crime está esclarecida, com participação de cada um muito bem delineada. “O Edison agiu sozinho, de qualquer forma todos garantiram o resultado de morte”, concluiu.
A Polícia Civil não acredita que o MP possa denunciar mais alguma pessoa além dos quatro indiciados.
Defesa
Para a defesa dos Brittes, o indiciamento destoa da verdade. “Diante da conclusão do inquérito policial que investiga a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, o indiciamento de Alana e Cristiana destoam dos fatos ocorridos e tudo ficará provado. A defesa diz ainda que Edison Brittes irá justificar sua conduta em Juízo”, finaliza a nota oficial.
O caso
Daniel foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, ele estaria em uma festa e morreu após enviar fotos de Cristiana Brittes para amigos em um grupo de WhatsApp.
Com Banda B