O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) Francisco Rabello Filho, que assumiu a relatoria da Operação Quadro Negro, defendeu na terça-feira (09) o voto para mandar soltar o ex-governador Beto Richa (PSDB).
Ele tem uma filha que trabalhou por oito anos nas gestões do tucano. A investigação apura desvios de mais de R$ 20 milhões em obras de construção e reforma de escolas públicas. Richa é acusado de ser o chefe e principal beneficiário do esquema.
“Eu me baseei no entendimento já consolidado no STF e no STJ de que a prisão preventiva precisa ser contemporânea, precisa equivaler a data dos fatos que estão sendo apurados. Os fatos são de 2012 a 2015 e só em 2019 houve a decretação. Com base nesse entendimento, não acompanhei o voto do eminente relator que matinha a posição do juiz do processo”, afirma.
Na última quinta-feira (04), a 2ª Câmara Criminal do TJ-PR, por dois votos a um, decidiu soltar o ex-governador, que tinha sido preso em 19 de março. O então relator, desembargador José Maurício de Almeida, votou pela manutenção da prisão preventiva – por tempo indeterminado.
Os desembargadores Rabello Filho e José Carlos Dalacqua votaram pela soltura de Richa. Como foi voto vencedor, Rabello Filho assumiu a relatoria da Quadro Negro, conforme determina o regimento interno do TJ-PR.
Rabello Filho agora é responsável pelas decisões mais importantes da operação. Caberá a ele, por exemplo, validar ou anular sentenças do juiz de primeira instância.
Filha no governo
Maria Carolina Zardo Rabello, filha do desembargador, trabalhou no governo estadual entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2019, em um cargo comissionado na Casa Civil. A remuneração bruta nos últimos meses foi de mais de R$ 5,6 mil.
O desembargador afirma que por não ter nenhum contato com a filha não há qualquer impedimento em que ele seja o relator da operação no TJ-PR. “Minha análise foi e continuará sendo técnica”, diz.
Rabello Filho conta que o desentendimento com a filha é anterior ao período em que ela assumiu o cargo.
“Eu não tenho relação com essa minha filha só biológica, já de antes do Beto Richa ser governador. Já tinha desconstituído família e havia completo rompimento de relações. Então, eu não tinha nenhum contato. Na ocasião, eu nem sabia que ela integrava o governo”, explica.
Maria Carolina não quis se manifestar sobre o caso. A reportagem não teve retorno da defesa do ex-governador.
Com RPC Curitiba