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Desembargador defende voto para soltar Beto Richa: “Baseei no entendimento consolidado”

calendar_month 10 de abril de 2019
2 min de leitura

O desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) Francisco Rabello Filho, que assumiu a relatoria da Operação Quadro Negro, defendeu na terça-feira (09) o voto para mandar soltar o ex-governador Beto Richa (PSDB).

Ele tem uma filha que trabalhou por oito anos nas gestões do tucano. A investigação apura desvios de mais de R$ 20 milhões em obras de construção e reforma de escolas públicas. Richa é acusado de ser o chefe e principal beneficiário do esquema.

“Eu me baseei no entendimento já consolidado no STF e no STJ de que a prisão preventiva precisa ser contemporânea, precisa equivaler a data dos fatos que estão sendo apurados. Os fatos são de 2012 a 2015 e só em 2019 houve a decretação. Com base nesse entendimento, não acompanhei o voto do eminente relator que matinha a posição do juiz do processo”, afirma.

Na última quinta-feira (04), a 2ª Câmara Criminal do TJ-PR, por dois votos a um, decidiu soltar o ex-governador, que tinha sido preso em 19 de março. O então relator, desembargador José Maurício de Almeida, votou pela manutenção da prisão preventiva – por tempo indeterminado.

Os desembargadores Rabello Filho e José Carlos Dalacqua votaram pela soltura de Richa. Como foi voto vencedor, Rabello Filho assumiu a relatoria da Quadro Negro, conforme determina o regimento interno do TJ-PR.

Rabello Filho agora é responsável pelas decisões mais importantes da operação. Caberá a ele, por exemplo, validar ou anular sentenças do juiz de primeira instância.

 

Filha no governo

Maria Carolina Zardo Rabello, filha do desembargador, trabalhou no governo estadual entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2019, em um cargo comissionado na Casa Civil. A remuneração bruta nos últimos meses foi de mais de R$ 5,6 mil.

O desembargador afirma que por não ter nenhum contato com a filha não há qualquer impedimento em que ele seja o relator da operação no TJ-PR. “Minha análise foi e continuará sendo técnica”, diz.

Rabello Filho conta que o desentendimento com a filha é anterior ao período em que ela assumiu o cargo.

“Eu não tenho relação com essa minha filha só biológica, já de antes do Beto Richa ser governador. Já tinha desconstituído família e havia completo rompimento de relações. Então, eu não tinha nenhum contato. Na ocasião, eu nem sabia que ela integrava o governo”, explica.

Maria Carolina não quis se manifestar sobre o caso. A reportagem não teve retorno da defesa do ex-governador.

 

Com RPC Curitiba 

 
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