Dois ciclones mexem com o tempo no Brasil. Um está formado e outro vai se formar. Um traz suprime chuva e traz ar mais frio para o Sul. O segundo vai provocar muita chuva no Sudeste e no Nordeste do Brasil.
A imagem de satélite acima da tarde desta quinta-feira (26) mostra ciclone extratropical no Atlântico Sul, responsável por impulsionar uma massa de ar frio para o Sul do Brasil.
O registro do satélite meteorológico GOES-19 mostra ainda a presença de várias áreas de instabilidade na costa da Região Sudeste que devem se organizar em um segundo ciclone nos próximos dias, que pode apresentar características subtropicais.
O primeiro ciclone, que é extratropical, não oferece qualquer risco e atua a uma grande distância de terra, apenas impulsionando uma massa de ar frio mais frio e de alta pressão atmosférica para a Região Sul. O seu centro apresenta pressão de 997 hPa e se encontra a Nordeste das Ilhas Malvinas.
Foi o ar frio impulsionado por este sistema o responsável pelas baixas temperaturas do começo desta quinta-feira no Rio Grande do Sul, inclusive com mínimas abaixo de 10ºC no Sul gaúcho.
Estações meteorológicas no território gaúcho anotaram temperaturas mínimas no começo desta quinta de 7,4ºC em Pinheiro Machado; 10,0ºC em Pedras Altas; 10,1ºC em Hulha Negra; 10,6ºC em Herval; 10,8ºC em Bagé;10,9ºC em Soledade; 11,2ºC em Gramado; e 11,8ºC em Pelotas.
Fez ainda hoje cedo 12,0ºC em Rio Grande; 12,1ºC em Espumoso; 12,2ºC em Canguçu; 12,4ºC em Caxias do Sul, Encruzilhada do Sul, Piratini e Cerrito; 12,6ºC em Cambará do Sul e Aceguá; 12,7ºC em Farroupilha, Canela e Garibaldi; 12,8ºC em São Francisco de Paula e Itaara; e 12,9ºC em Livramento, Caçapava do Sul, Ernestina, Pedro Osório e São José dos Ausentes.
A massa de ar seco e frio vai manter as noites frias ou amenas no Rio Grande do Sul nas próximas madrugadas com mínimas mais baixas na Serra à medida que a atmosfera passa a ficar mais seca no Nordeste gaúcho. As tardes seguirão ou agradáveis ou com calor moderado.
Segundo ciclone traz riscos para o Sudeste e o Nordeste do Brasil
A Região Sudeste segue sob risco elevado de novos episódios de chuva forte a intensa por conta da atuação de uma área de baixa pressão atmosférica que deve se converter em ciclone em alto mar e pode adquirir características subtropicais, alerta a MetSul Meteorologia. Não se descartam volumes extremos isolados, especialmente entre esta quinta e a sexta-feira, período apontado como o mais crítico.
Múltiplas áreas de baixa pressão devem se formar sobre o mar no Atlântico e ao menos uma delas pode se converter em um ciclone, que pode vir a ser subtropical, durante este período de virada do mês.
O principal risco não está no vento, mas sim em chuva volumosa a muito intensa. Nesta sexta, o risco de chuva forte persiste no Sudeste do Brasil: no Leste e Nordeste de São Paulo, em Minas Gerais, Rio e Espírito Santo. No sábado, a maior concentração de volumes elevados deve ocorrer do Centro para o Norte de Minas Gerais e no território capixaba.
Além do Sudeste, a Região Nordeste deve enfrentar um cenário ainda mais preocupante. A série de áreas de baixa pressão no Atlântico, uma delas o ciclone que pode ser subtropical, vai organizar um corredor de umidade vindo da Amazônia, deslocado mais ao Norte do que o habitual nesta época do ano.
A Bahia deve ser um dos estados mais afetados. Modelos meteorológicos indicam acumulados generalizados de 100 mm a 200 mm nos próximos sete dias em muitas cidades baianas. Em diversas áreas, os volumes podem atingir 200 mm a 400 mm, com possibilidade de registros isolados ainda superiores.
Salvador e a região metropolitana apresentarão risco geológico muito alto a crítico para deslizamentos, com ameaça significativa à população. No interior, áreas como Chapada Diamantina, Irecê e a Bacia do Paramirim também exigem atenção.
As condições projetadas indicam elevado potencial para alagamentos, inundações, enxurradas e até bloqueios de rodovias por desabamentos. A MetSul adverte para um cenário de extremo perigo por excesso de chuva, com volumes muito altos a localmente excessivos e possibilidade de transtornos significativos nas áreas atingidas.
Um ciclone é extratropical e o segundo pode ser subtropical
A regra é que baixas pressões na costa brasileira sejam de natureza extratropical. Já as que apresentam características subtropicais ou tropicais são atípicas e ocorrem com muito menor frequência.
Uma baixa pressão extratropical, que é o comum em nossa região, se forma em latitudes médias e altas, associado a frentes frias e quentes, e é alimentado por diferenças de temperatura entre massas de ar frio e quente (gradiente térmico horizontal). Possui um núcleo frio, com temperatura central menor que nos arredores, com frentes meteorológicas bem definidas.
Já uma baixa pressão subtropical se forma em latitudes subtropicais, geralmente entre 20° e 40°, e sua alimentação é mista, combinando gradiente térmico horizontal com processos associados ao calor liberado pela condensação de vapor d’água. Ele apresenta uma estrutura intermediária, com características de ciclones tropicais e extratropicais, e um núcleo parcialmente quente ou quente em níveis altos da atmosfera.
Uma vez que o Brasil batiza com nomes ciclones chamados atípicos, os subtropicais e os tropicais, o que não ocorre com os extratropicais, se uma das baixa pressões neste fim de fevereiro e o começo de março apresentar vento sustentado acima de 60 km/h em alto mar deve ser nomeada como tempestade. Já baixas pressões com vento sustentado inferior a 60 km/h, mesmo subtropicais ou tropicais, são uma mera depressão e não são batizadas com nomes.
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