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Economia deve se manter estagnada no ano que vem, aponta economista

calendar_month 31 de dezembro de 2021
7 min de leitura

Um novo ano sempre vem acompanhado de boas expectativas. Amor, saúde, alegria, bem-aventurança e sucesso são pedidos frequentes. Claro, o amarelo também surge nas roupas como tentativa de atrair riqueza e prosperidade. Porém, quando o assunto é economia, superstições não surtem grandes efeitos e, infelizmente, o cenário para 2022 não é dos melhores.

As perspectivas de crescimento da economia brasileira continuam em baixa para o ano que se aproxima, o que impacta diretamente no bolso do consumidor. A afirmação é do economista e professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, Jandir Ferrera de Lima.

Segundo ele, mesmo que o quadro econômico em 2022 não seja recessivo, a economia brasileira vai continuar estagnada com um desempenho abaixo do necessário. “Isso afeta o poder de compra do consumidor, porque significa menos emprego. Com taxas de desemprego altas, a população fica mais cautelosa  com aquisições de maior valor agregado e parcelamentos longos”, declarou ao O Presente.

 

Problemas estruturais

Além do desemprego, Lima ressalta que alguns problemas estruturais seguem protagonizando o desando econômico do país. “São exemplos o endividamento do setor público, a infraestrutura insuficiente e o custo Brasil. Além disso, o cenário internacional e a crise da Covid-19 não têm demonstrado um horizonte vantajoso para o país”, pontua.

 

Expectativa e realidade da inflação

A inflação diz respeito ao aumento no preço de bens e serviços, ou seja, também repercute no poder de compra das pessoas. Em pesquisas recentes apresentadas pelo Banco Central (BC), há expectativa de um cenário com inflação mais baixa em 2022 do que a apresentada neste ano.

O economista, entretanto, considera que a previsão do BC tem grandes obstáculos para se mostrar verdadeira. “O baque inflacionário de 2021 foi causado pela desvalorização acentuada do real, escassez de matérias-primas, crise política, quebra nas cadeias de suprimentos, crise hídrica e problemas decorrentes do coronavírus. Ou seja, esse conjunto de problemas ainda não estão resolvidos para 2022 e o cenário inflacionário para o próximo ano ainda deve ser visto com atenção”, considera.

 

No bolso do consumidor

Para combater a inflação brasileira a taxa de juros é o principal instrumento, enfatiza Lima. “Juros mais altos significam moeda mais cara, menos consumo e menos investimentos. Esse cenário em alta deixará o crédito e o acesso a ele mais caro e complicado”, analisa, emendando que financiamentos de longo prazo, como de imóveis e veículos, devem ser afetados diretamente.

Diante dos riscos provenientes da alta da inflação e, consequentemente, do acesso ao crédito, o economista orienta os consumidores a analisarem seu perfil de consumo. “Para se proteger da inflação, recomenda-se consumir apenas o essencial, substituir produtos e marcas, além de sempre pesquisar os melhores preços”, expõe.

As famílias de baixa renda seguem sendo as mais afetadas, indica ele. “A inflação de alimentos se agravou com a desvalorização cambial, a valorização das commodities e a crise hídrica. Uma cesta básica atualmente custa mais de 50% do salário-mínimo e, principalmente para as famílias que pagam aluguel, o orçamento ficou muito apertado”, observa.

 

Como manter as contas no verde?

Apesar de 2022 estar batendo à porta, Lima assegura que um bom planejamento pode ajudar as pessoas a manterem suas contas no verde. “No início do ano, além das despesas com as festividades natalinas e de ano novo, há também os impostos municipais, de propriedade de veículo e material escolar. Então, cabe ao consumidor ficar atento com essas despesas ‘extras’ e organizar suas finanças para que o início do ano seja sem grandes preocupações com o orçamento familiar”, sugere.

Para quem já “caiu” no vermelho, ele reforça que a organização segue sendo o primeiro passo, seguido por priorizar as compras essenciais. “Quando for possível, deve-se renegociar as dívidas. Atualmente, bancos e financeiras oferecem a portabilidade de dívidas, o que ajuda os endividados a procurarem taxas mais em conta e melhores condições de pagamento. Até na hora do empréstimo vale a pena pesquisar taxas e condições de financiamento mais vantajosas”, ressalta.

O cartão de crédito segue sendo o vilão e, orienta o economista, deve-se evitá-lo. “Se usá-lo, não atrase o pagamento e não entre no crédito rotativo, pois essas são as taxas de juros mais altas do mercado. Para aqueles que se endividaram no cartão de crédito, a dica é que tentem renegociar a dívida com a operadora e busquem um financiamento bancário para quitar o parcelado do cartão de crédito. O financiamento bancário ainda é mais barato do que o financiamento do saldo do cartão de crédito”, salienta.

Economista e professor da Unioeste Jandir Ferrera de Lima: “Para se proteger da inflação, recomenda-se consumir apenas o essencial, substituir produtos e marcas, além de sempre pesquisar os melhores preços” (Foto: Divulgação)

 

Investimentos

Por outro lado, quem manteve as contas em dia e deseja movimentar seus recursos em 2022, Lima reforça que o cenário é de cautela. “Os veículos seminovos, por exemplo, tiveram uma alta valorização por conta da falta de veículos novos no mercado. Então, recomenda-se a troca de veículos para aqueles que encontrarem boas oportunidades de negócio e que não tenham muitos compromissos financeiros”, orienta.

Quando o assunto é comprar imóveis, ele diz que é preciso pesar a localização e a possibilidade de valorização e locação, o que muda de município para município. “O juro do financiamento imobiliário ficará mais caro em 2022”, adianta.

Para quem deseja investir em 2022 a cautela segue sendo uma importante aliada. “Recomenda-se aos investidores sem experiência a terem uma reserva técnica em fundos de renda fixa ou caderneta de poupança. Essa reserva deve ser equivalente a um ano de despesas pessoais. Também é importante buscar por orientação profissional na hora de adentrar ao mercado de capitais e financeiro”, enaltece.

 

Quebra do agro gera dificuldades econômicas aos municípios do Oeste

A produção agropecuária e as agroindústrias são responsáveis por mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) dos 15 municípios mais dinâmicos do Oeste do Paraná. Os outros 35 municípios da região são dependentes dos resultados das lavouras, tanto pela produtividade das colheitas quanto pela prestação de serviços e comercialização de bens para a agropecuária. “A economia regional e da maioria dos municípios oestinos é depende da dinâmica do agronegócio, tanto da porteira para dentro quanto da porteira para fora. A quebra da safra vai impactar todos os segmentos do comércio e de prestação de serviços”, resume o economista.

Tendo em vista que a crise hídrica, aliada aos altos custos de produção, vai afetar a rentabilidade dos produtores rurais, ele frisa que outras medidas além da decretação de situação de emergência podem colaborar com a situação financeira da classe.

“O decreto permitirá o acesso a recursos públicos e de custeio e seguro de lavouras e criatórios. Também são necessárias ações de médio e longo prazo para subsidiar as lavouras oestinas, como preservação e recuperação de mananciais, ações municipais e privadas para ampliar a irrigação, formação de reservatórios em áreas rurais e urbanas, ampliação do reflorestamento e outras medidas”, elenca Lima, emendando que a diversificação da base produtiva dos municípios é uma estratégia para amenizar impactos naturais na produção: “Em especial, o investimento em atividades que utilizem menos recursos naturais e sejam mais intensivas em tecnologia podem ser um salvamento em momentos como o atual”.

 

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