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“Eduardo, você jantou?”; intensidade e brevidade traduzem a vida de uma grande mulher

calendar_month 17 de junho de 2019
3 min de leitura

 

Qualquer hora da noite que eu retornasse para nossa residência, a única certeza é que haveria uma pergunta: – “Eduardo, você jantou?”.

Laidir me tratava assim, pelo segundo nome, desde sempre, já que meu pai também é Jairo. A pergunta sobre a refeição era dirigida com frequência para meus filhos, João Eduardo e Luís Eduardo e, de resto, para qualquer visita que recebêssemos.

Essa preocupação traduz com perfeição como ela agia no seio familiar: mãe, esposa, mulher protetora, companheira de todas as horas.

Uma leoa para defender a família. Mesmo que eu estivesse errado – e muitas vezes estive – ela me defendia com bravura.

Nosso jornal chega hoje na edição de número 2.201. Destas, a Laidir participou diretamente na área comercial, administrativa e na diagramação de 2.197. Mesmo já fragilizada, diagramou a edição do último dia 17 de maio.

A conheci na redação da extinta TV Carimã. Ela chegara a pouco de Nova Prata do Iguaçu, sua cidade natal. Implicavam com a Laidir pelo sotaque étnico/roceiro da jovem filha de italianos com alemães.

Naquele período ela mesclava a função no jornalismo, editora de imagens do telejornal, com a tarefa de babá dos filhos da Iloni, nossa chefe do departamento.

Para a Laidir, não havia nenhum problema nisso. Uma de suas marcas fortes é a humildade, a simplicidade. Mesmo depois de vitoriosa em sua vida profissional e empresarial, prosseguiu assim.

Tratava os nossos funcionários como amigos, colegas de trabalho, de igual para igual.

Nunca temeu o trabalho. Se fosse preciso atravessar a madrugada na redação do jornal, o faria.

Laidir viveu 55 anos e três meses intensos. Fazia várias coisas ao mesmo tempo. Porém, apesar da brevidade, ficamos mais tempo juntos que casais com meio século de relacionamento. Afinal, trabalhamos juntos, a dois metros de distância, por quase três décadas.

“- Eduardo, você jantou?”.

“- Sim, querida, sua presença em minha vida me saciou plenamente por toda minha existência. Obrigado, Laidir!”.

 

Em tempo: o que posso compartilhar desta experiência dolorosa com você leitor (a)? Não deixe o elogio, o reconhecimento, o abraço e o beijo para amanhã. Não deixe as flores para as datas especiais. Supra carinho, atenção e amor àqueles que estão ao seu lado.

A nenhum de nós estão assegurados os próximos 15 minutos. Diga hoje, agora, para a pessoa que está contigo que você a ama. O passado já foi e o amanhã está coberto pela densa névoa da incerteza… Só o que vale é o hoje, o agora, o presente…

 

 

O Pitoco

 
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