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Agronegócio

El Niño 2026 já impacta decisões no agro e na energia

Fenômeno ganha força nas projeções e começa a influenciar preços, produção e inflação no país


calendar_month 1 de abril de 2026
3 min de leitura

O mercado brasileiro já começa a considerar, com mais peso, a possibilidade de um novo episódio de El Niño em 2026. As estimativas indicam mais de 60% de chance de ocorrência no inverno, podendo chegar a cerca de 80% no segundo semestre, o que tem influenciado decisões no campo, no setor de energia e nas projeções econômicas.

Na agricultura, os efeitos tendem a variar conforme a região. No Sul do país, a previsão é de aumento das chuvas, o que pode favorecer culturas como soja e milho e elevar a produtividade. Por outro lado, o excesso de precipitação também pode causar problemas na colheita e comprometer a qualidade dos grãos.

No Centro-Oeste, o principal risco está no atraso das chuvas, o que pode prejudicar o plantio da soja e reduzir a janela da segunda safra de milho, responsável por cerca de 75% da produção nacional. Já nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas, elevando o risco de perdas em culturas básicas e impactando também a pecuária.

Esse cenário climático já começa a refletir nos preços dos alimentos. A combinação de possíveis perdas em algumas regiões, maior instabilidade no mercado internacional e custos logísticos mais altos pode pressionar itens que compõem o IPCA. Em situações mais intensas, os efeitos deixam de ser pontuais e passam a atingir diferentes cadeias produtivas.

Outro fator de atenção é a irregularidade das chuvas ao longo da safra. Mesmo em áreas favorecidas, podem ocorrer períodos alternados de excesso e estiagem, o que aumenta o risco de perdas, reduz a produtividade e exige maior uso de insumos e manejo mais intensivo. Esse contexto também eleva a procura por seguro rural e instrumentos de proteção de preços, aumentando o custo de produção.

No setor de energia, os impactos podem ser mais imediatos. Como a geração elétrica no Brasil depende majoritariamente de hidrelétricas, a redução de chuvas em regiões estratégicas pode dificultar a recuperação dos reservatórios, especialmente no segundo semestre, quando o consumo costuma crescer.

Com menor disponibilidade de água, cresce a necessidade de acionamento de usinas térmicas, que têm custo mais elevado. Isso pressiona o custo de geração de energia e pode levar à mudança nas bandeiras tarifárias, com aumento na conta de luz para o consumidor.

A combinação de alimentos mais caros e energia mais cara amplia os efeitos sobre a inflação. O impacto final vai depender da intensidade do fenômeno: eventos mais moderados tendem a gerar efeitos regionais, enquanto um El Niño mais forte pode provocar impactos mais amplos tanto na produção agrícola quanto no setor energético.

Entre maio e junho, com maior precisão nas previsões climáticas, o mercado deve ajustar as expectativas para a safra 2026/27 e para o fornecimento de energia no país. Até lá, o El Niño segue como um fator de risco crescente, já considerado nas projeções de preços e inflação.

O Presente com CNN Brasil

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