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El Niño Costeiro já está atuando e se fortalecerá nos próximos meses

Observações indicam que condições de El Niño costeiro já estão presentes e devem se intensificar ao longo de 2026, o que mudará drasticamente o clima em todo o país


calendar_month 23 de fevereiro de 2026
4 min de leitura

No último mês, o Oceano Pacífico Equatorial vem aquecendo de maneira consistente. Para os meteorologistas, isto é um indício claro da chegada de um El Niño no ano de 2026, após uma controversa La Niña ao longo do ano de 2025.

A controvérsia ocorreu porque a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) implementou um novo índice denominado Relative Oceanic Niño Index (RONI) para identificar as fases do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENSO), fazendo alterações no seu cálculo para compensar os efeitos do aquecimento global.

Embora a ideia de compensar o aquecimento global no índice do El Niño/La Niña seja lógica e necessária, ela resultou, em retrospecto, na reclassificação de casos de La Niña que não produziram os padrões climáticos do fenômeno no Brasil – o que gerou debates na comunidade científica.

El Niño se formará mesmo com índice novo?

Neste momento, a NOAA prevê um período de neutralidade ao longo dos próximos meses, seguido de uma intensificação das condições de El Niño – especialmente a partir do trimestre de Julho-Agosto-Setembro de 2026, como pode ser observado na previsão abaixo.

Previsões probabilísticas do ENSO emitidas pela NOAA em Fevereiro de 2026 mostram que um período de neutralidade antecederá a formação do El Niño no meio do ano de 2026.

No entanto, enquanto as regiões do Niño 4 e Niño 3 registraram -0,1°C e -0,4°C respectivamente, a região costeira do Niño 1+2 já alcança o valor necessário de +0,5°C para classificação de El Niños. Em outras palavras, já existe a presença de um El Niño costeiro, próximo à costa do Peru e do Equador.

Mapa de regiões do ENSO e anomalias relativas de temperatura da superfície do mar para a região do Niño 1+2 mostra a presença de um El Niño costeiro, próximo à costa do Peru e do Equador.

O fenômeno será intensificado ainda pelo aquecimento de correntes marítimas como a corrente costeira do Peru (Corrente de Humboldt) e também correntes do Oceano Pacífico Norte, como a corrente do Panamá.

Já há, portanto, certeza da presença de um El Niño em ao menos uma das regiões mais importantes do fenômeno, e este aquecimento das águas oceânicas já está causando chuvas intensas sobre o Peru e o Equador, como podemos observar na imagem abaixo. Este é um dos impactos clássicos da presença de El Niño sobre a América do Sul.

Mapa de anomalias de precipitação entre os dias 1 e 22 de Fevereiro de 2026 (MERGE, do INPE/CPTEC) mostra a ocorrência de chuvas acima da média na costa oeste da América do Sul.

Tudo indica, portanto, que o fenômeno pode causar transtornos nos próximos meses, com as previsões indicando uma evolução consistente. Modelos de previsão apontam que, já no trimestre Abril-Maio-Junho, condições de El Niño estarão bem configuradas e presentes sobre o Oceano Pacífico Equatorial.

O resultado disso é que, já por volta dos meses de Maio e Junho (inverno de 2026), poderemos começar a observar efeitos decorrentes do El Niño sobre o clima brasileiro.

As previsões mostram ainda um aquecimento persistente ao longo de todo o ano de 2026, o que indica que tanto o inverno de 2026 quanto o verão de 2026/2027 serão climaticamente afetados pelo fenômeno, assim como boa parte do primeiro semestre de 2027.

Previsão de anomalias de temperatura na superfície do mar no trimestre Abril-Maio-Junho já mostra um aquecimento significativo de 1°C a 2°C em todas as regiões do El Niño.
Previsão de anomalias de temperatura na superfície do mar no trimestre Abril-Maio-Junho já mostra um aquecimento significativo de 1°C a 2°C em todas as regiões do El Niño.

De acordo com projeções atuais, este El Niño pode ainda se mostrar um fenômeno de intensidade muito alta, causando grandes impactos no clima brasileiro. Em anos de El Niño, espera-se comportamentos climáticos específicos, entre eles:

  • Região Sul: Chuvas intensas e aumento das temperaturas médias;
  • Região Sudeste: Aumento das temperaturas médias e ondas de calor;
  • Região Centro-Oeste: Sem efeitos muito pronunciados, mas chuvas e temperaturas podem ficar acima da média no Mato Grosso do Sul.
  • Região Nordeste: Diminuição brusca das chuvas e secas severas, especialmente no verão.
  • Região Norte: Diminuição das chuvas, secas severas, aumento pronunciado de incêndios florestais.

Em outras palavras, o clima chuvoso beneficiará as regiões Sul e Sudeste, trazendo bons cenários para os setores do agronegócio e da energia nessas regiões. Por outro lado, secas severas podem atingir as regiões Norte e Nordeste entre 2026 e 2027.

Mas, além disso, o El Niño vai ocasionar um aumento das temperaturas em diversas regiões do Brasil – O que deve impulsionar a ocorrência de ondas de calor severas e recordes pronunciados de temperaturas máximas entre 2026 e 2027 – ainda mais expressivos do que os registrados nos últimos anos.

Com Meteored

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