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Geral Fenômeno persiste

El Niño seguirá atuando no pacífico no restante do verão; entenda

Próximas semanas ainda devem ter a influência do fenômeno El Niño no clima com águas ainda mais quentes que a média no Pacífico

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(Foto: Divulgação)

O mês de fevereiro se encaminha para o seu final e os dados mostram que o fenômeno El Niño persiste no Oceano Pacífico. A intensidade do El Niño gradualmente diminui, mas ainda é moderada a forte pelo conjunto de dados analisados pela MetSul Meteorologia. O maior aquecimento ocorre no Pacífico Equatorial Centro-Leste.

Último boletim semanal da agência climática dos Estados Unidos (NOAA) indicou que a anomalia de temperatura da superfície do mar era de 1,5ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste. Esta região é a usada oficialmente na Meteorologia como referência para definir se há El Niño e ainda avaliar qual a sua intensidade.

O valor positivo na região principal de monitoramento de 1,5ºC está na faixa de transição de El Niño moderado (1,0ºC a 1,4ºC) a forte (1,5ºC a 1,9ºC). A maior anomalia observada nesta região se deu em novembro com 2,1ºC no pico do atual evento de El Niño de 2023-2024.

Por outro lado, a denominada região Niño 1+2, localizada perto dos litorais do Peru e do Equador, na América do Sul, está com anomalia de +1,1ºC, em evento de El Niño costeiro que já dura um ano. O maior valor nesta região se deu no último mês de julho com anomalia de temperatura da superfície do mar de 3,5ºC.

A tendência, de acordo com a previsão da MetSul Meteorologia, é que o fenômeno siga enfraquecendo, mas ainda continue atuando por mais algumas semanas. A tendência é que o episódio do fenômeno, que se iniciou em junho do ano passado, chegue ao fim em meados do outono.

O episódio atual de El Niño chegaria ao fim possivelmente em abril ou mais tardar em maio, quando o Pacífico ingressaria numa fase de neutralidade. No inverno e no segundo semestre, cresce a possibilidade de retorno do fenômeno La Niña.

Projeções para os próximos meses

Segundo a última projeção da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos, as probabilidades indicam a persistência do fenômeno El Niño nestes últimos dias do verão, uma transição para fase de neutralidade ao longo do outono e o retorno do fenômeno La Niña no final do outono ou durante o inverno.

As projeções de probabilidade da Columbia apontam no trimestre de março a maio 83% de El Niño, 17% de neutralidade e 0% de La Niña. Para o trimestre abril a junho, 27% de probabilidade de El Niño, 72% de neutralidade e 1% de La Niña. No trimestre de maio a julho, 9% de El Niño, 71% de neutro e 20% de La Niña.

No trimestre de inverno, junho a agosto, 5% de El Niño, 46% de neutralidade e 49% de La Niña. No trimestre julho a setembro, 3% de El Niño, 26% de neutralidade e 71% de La Niña. Finalmente, no trimestre de primavera, de setembro e novembro, 5% de El Niño, 27% de neutralidade e 68% de La Niña.

O que é El Niño

Um evento do fenômeno ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quente do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região. A condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem a cada 3 a 5 anos.

El Niño, La Niña e neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. As interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações. Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.

Ecossistemas e comunidades humanas podem ser afetados positiva ou negativamente. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes. Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O aquecimento do Pacífico, historicamente, agrava o risco de seca no Norte e no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para estas regiões.

A origem do nome do fenômeno data de 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. A captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.

Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa “o menino” em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados.

O último episódio intenso de aquecimento se deu entre 2015 e 2016 e foi de muito forte intensidade, o que rendeu a expressão Super El Niño e o apelido de “Godzilla”. Este evento foi responsável por grandes enchentes no Sul do Brasil e alguns dos maiores picos de cheia do Lago Guaíba, em Porto Alegre, desde 1941.

Com MetSul Meteorologia

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