Os bebês reborn, as bonecas hiper-realistas que imitam recém-nascidos, tornaram-se assunto recente nas redes sociais e na mídia, ganhando adeptos famosos como Xuxa Meneghel, Jojo Todynho, Sabrina Sato e até o padre Fábio de Melo. Eles admitem ter esses “bebês” como suporte emocional, mas o fenômeno levanta dúvidas sobre os limites entre um comportamento saudável e possíveis riscos psicológicos.
Essas bonecas, que choram, têm nome, ganham roupas, passeiam de carrinho e até recebem certidão de nascimento, algumas até simulam parto, ultrapassaram o universo infantil e conquistaram adultos e influenciadores digitais. Padre Fábio de Melo, por exemplo, adotou um bebê reborn com Síndrome de Down durante uma viagem aos Estados Unidos, em homenagem à sua mãe falecida.
A popularidade dos bebês reborn foi impulsionada por vídeos virais que mostram partos simulados e rotinas maternas encenadas. Um dos vídeos mais conhecidos é da influenciadora Carolina Rossi, originalmente postado em 2022, que voltou a repercutir após um encontro de “mães” de bebês reborn em São Paulo.
Comportamento saudável ou risco psicológico?
A neuropsicóloga Karliny Uchôa explica que não há um padrão único para definir se a relação com bebês reborn é prejudicial. “A régua para um comportamento ser danoso à saúde mental é quando ele prejudica a saúde física ou mental da pessoa ou de terceiros. Quando isso não ocorre, não podemos falar de prejuízo”, afirma.
Por outro lado, a especialista alerta que, em casos em que o apego ao boneco ultrapassa o lúdico e interfere na percepção da realidade, pode haver um problema. Essa condição é conhecida na psicologia como Síndrome de Annabelle, caracterizada por obsessão intensa por bonecos hiper-realistas, com apego emocional exagerado, reprodução de vínculos parentais e comprometimento das relações sociais reais.
“A pessoa pode começar a substituir vínculos afetivos reais por vínculos simbólicos com o boneco, o que pode levar ao isolamento, negação de perdas ou fuga de situações emocionais difíceis. Nesses casos, é recomendado buscar acompanhamento psicológico e terapias para ressignificação afetiva”, explica Karliny Uchôa.
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