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Entenda em perguntas e respostas o ciclone na costa do Sul do Brasil

MetSul explica para você de forma didática o que esperar e quais serão os impactos do ciclone formado na costa


calendar_month 28 de maio de 2024
5 min de leitura

Há um ciclone formado? Sim, áreas de baixa pressão que atuaram durante a segunda-feira no Sul do Brasil com chuva em muitas áreas deram origem a uma ciclogênese (o processo de formação de um ciclone). O ciclone já está formado e pode ser observado nas imagens de satélite sobre o Atlântico a Leste do Rio Grande do Sul.

O ciclone vai provocar chuva intensa de novo? Não. Esta terça-feira será um dia com circulação ciclônica no Rio Grande do Sul. Quando isso ocorre, a nebulosidade varia bastante durante o dia com períodos de sol e nuvens se intercalando com de céu nublado a encoberto com chance de chuva ou garoa isolada e passageira. Eventualmente, pode ter pancada mais forte de chuva, porém isolada e breve. Essa alternância de sol e chuva em circulação ciclônica não raro gera arco-íris, especialmente à tarde.

A quanto vai chegar o vento? As regiões que mais devem ter vento hoje serão o Sul e o Leste. No Sul e na campanha, 70 a 90 quilômetros por hora em alguns pontos, principalmente no Litoral Sul. Em Porto Alegre, em média, 50 a 70 quilômetros por hora, mas, pela topografia, o vento pode ser mais forte em alguns pontos. São os casos de bairros mais altos da cidade e das margens do Guaíba, além de locais em que os prédios canalizam e potencializa a força do vento. No Litoral Norte, a previsão é de vento nesta terça em alguns momentos com 60 a 80 quilômetros por hora com as rajadas mais fortes previstas para localidades mais ao Sul da região, especialmente entre Palmares do Sul e Tramandaí.

Quando diminui o vento no Rio Grande do Sul? Normalmente, na maioria dos ciclones, o vento mais forte sopra a partir do começo do dia com as rajadas mais fortes durante a manhã e o começo da tarde, cedendo do meio da tarde para a noite, embora ainda ocorram rajadas esporádicas, especialmente na costa. Deve ser o caso de hoje.

O vento pode causar problemas? Sim. Com a velocidade do vento prevista, podem se dar quedas de árvores ou falta de luz em alguns pontos, especialmente no Sul gaúcho. Como choveu muito, o solo está saturado de umidade e instável, assim mesmo vento moderado já é capaz de derrubar algumas árvores.

Este ciclone será como os muito intensos do ano passado? Não. Dois ciclones por demais significativos atingiram o Rio Grande do Sul em 2023. O de junho, junto ao Litoral Norte e muito perto da costa, causou chuva extrema acima de 300 milímetros e vento intenso acima de 100 quilômetros por hora com 16 vítimas. O de julho gerou vento muitíssimo duro com rajadas de até 150 quilômetros por hora ou mais no Sul gaúcho e em Santa Catarina. Isso não vai ocorrer desta vez pela posição, intensidade e trajetória do ciclone.

O ciclone terá impactos em outros estados? Sim. O vento deve aumentar no Sul e no Leste catarinense, especialmente no Litoral Sul catarinense, com rajadas de 70 a 90 quilômetros por hora entre hoje e amanhã. Na área de Laguna, isoladamente, e no Planalto Sul de Santa Catarina, podem ocorrer rajadas mais fortes. O vento aumentará ainda nos litorais de São Paulo e Rio de Janeiro entre esta quarta e a quinta à medida que o campo de vento do ciclone se expande. Mesmo os litorais do Espírito Santo e do Sul da Bahia vão experimentar um aumento do vento, soprando de Sul, na segunda metade da semana.

O ciclone vai interferir no mar? Muito. O sistema vai se intensificar e se tornar maior em dimensão entre esta terça e quarta a Leste do Sul do Brasil com um enorme campo de vento forte sobre o oceano. No centro do ciclone, em mar aberto, distante da costa, as rajadas estarão ao redor de 150 quilômetros por hora. Isso vai gerar forte agitação marítima com ressaca nos litorais do Sul e do Sudeste, e talvez até mais ao Sul do Nordeste. A ressaca poderá ser suficientemente forte para que o mar tome conta da faixa de areia e possa causar alguns danos em estruturas na beira da praia, como quiosques e calçadão. Em algumas praias do Sul e do Sudeste não protegidas por dunas, o mar pode avançar em ruas perto da praia.

Quando o ciclone se afasta? Hoje e em parte da quarta, o ciclone estará logo a Leste do Sul do Brasil e ao Sul do Sudeste do Brasil sobre o Atlântico. No decorrer a quarta, o sistema já se afasta mais para Leste. Entre quinta e sexta, a tendência é se distanciar ainda mais do continente e na sexta-feira já estará longe do Brasil.

Esse ciclone vai ajudar a acabar com o período chuvoso no Rio Grande do Sul? Sim e era justamente o que os gaúchos mais precisavam, um sistema meteorológico que mudasse o padrão atmosférico das últimas semanas. Ciclones costumam impulsionar ar seco a partir do Oeste quando estão na costa. Por isso, passada a instabilidade deste início de semana, o ar seco trazido pelo ciclone vai garantir vários dias seguidos sem chuva e com sol. Como ciclones funcionam como “motores” para levar ar frio mais ao Norte, justamente a ausência de ciclones intensos no fim de abril e ao longo de maio nas latitudes médias do continente manteve o bloqueio do ar quente por tempo demasiado no Centro do Brasil, o que resultou na chuva recorde e nas enchentes sem precedentes no Rio Grande do Sul.

Com MetSul Meteorologia

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