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Geral Espetáculo nos ares

Esquadrilha da Fumaça testa os limites do trabalho em equipe

Foto: Divulgação/FAB

Quando sete aviões voam em formação, com distância de apenas dois metros entre um e outro, todo cuidado é pouco para evitar acidentes. Se o voo inclui acrobacias aéreas, como voar de cabeça para baixo ou fazer um looping de 360 graus, não basta ter sangue frio: é preciso treinar muito, ter disciplina e, acima de tudo, confiar nos companheiros.

A afirmação é do capitão aviador Gustavo Azevedo Natalício, integrante da Quadrilha da Fumaça, uma das unidades da Força Aérea Brasileira (FAB). Capitão Natalício, como é mais conhecido, falou sobre “Confiança e Trabalho em Equipe” na palestra da manhã desta quarta-feira (14) da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat) de 2019, no Cineteatro dos Barrageiros.

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O aviador acrescenta outra característica fundamental para exercer a atividade: “mentalidade de segurança”. “Se o piloto realiza uma manobra e não atinge o parâmetro [de segurança] esperado, tem que abortar. Não pode ter vaidade e se preocupar com o público que está lá embaixo assistindo”, explica.

A Esquadrilha da Fumaça (ou Esquadrão de Demonstração Aérea) é a unidade responsável pela divulgação do trabalho da FAB. Foi criada em 1953 e, desde então, já fez mais de 3.500 demonstrações em 21 países. E detém o recorde mundial, certificado pelo Guinness World Records, pela manobra com maior número de aeronaves em voo invertido.

Para se tornar um piloto da Esquadrilha da Fumaça o candidato tem que ter no mínimo 1.500 horas de voo e passar por uma série de testes. Mas é um grupo bem restrito: dos 70 mil militares da FAB, apenas 2 mil são pilotos; destes, 14 integram a esquadrilha. Eles voam em revezamento, com sete aeronaves em cada apresentação.

Uma curiosidade é que o “fumaceiro” (como também é chamado o piloto) sempre voa numa única posição na formação das aeronaves. Capitão Natalício é o “ala esquerda externa” (veja a figura abaixo). “Não existe posição de voo mais importante”, explica. “Cada profissional tem habilidades únicas e faz manobras específicas; e cada um depende do trabalho do outro.”

Esquematização: FAB 

Os treinamentos são feitos na sede da unidade, em Pirassununga (SP). Os mais importantes são filmados, assim como as apresentações, para que os pilotos possam ter a visão do público e aprimorem o trabalho.

A missão no ar é complementada por uma equipe dedicada em terra, composta por mecânicos especializados, auxiliares administrativos, grupo de comunicação, entre outros. Tudo para que nada dê errado.

Mas nem tudo pode ser sempre controlado. Natalício revela que a equipe já teve de abortar a missão porque um ultraleve apareceu voando no espaço aéreo reservado. Drones também são um problema cada vez mais comum. “O locutor que acompanha as apresentações também é piloto e faz orientações. Se surge um imprevisto, cancela na hora a apresentação.”

Outro cuidado da esquadrilha é preservar quem assiste ao espetáculo. Os aviões até passam sobre as pessoas ou áreas habitadas, mas as manobras só são feitas em pontos mais distantes, onde não há riscos. De acordo com capitão Natalício, a segurança é para todos: público e pilotos.

 

Com Itaipu 

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