Ex-secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná na gestão do ex-governador Beto Richa (PSDB), Norberto Ortigara (PSD) viu seu nome sendo ligado por adversários políticos à operação Rádio Patrulha, deflagrada na semana passada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), e que levou à prisão o ex-governador e sua esposa, Fernanda, seu irmão, Pepe Richa, dentre outras pessoas.
Em nenhum momento, porém, Ortigara foi citado ou sequer levado para prestar depoimento. Mesmo assim, em meio a uma eleição e sendo hoje coordenador da campanha do candidato Ratinho Junior (PSD), adversários tentaram “colar” seu nome a essa operação do Gaeco, que investiga um esquema de superfaturamento de contratos para manutenção de estradas rurais para o pagamento de propina a agentes públicos.
Em entrevista ao Jornal O Presente, o ex-secretário enalteceu que está absolutamente tranquilo, pois se tivesse algum envolvimento no esquema teria sido preso. “Tenho 40 anos de vida pública, muito trabalho na Seab, desde jovem até o honroso cargo de secretário. Não tem nada contra mim e nunca tive algum processo na vida. Atuamos com metodologia de trabalho absolutamente rígido quanto à questão de desvio de conduta. Quando foi criado esse programa (Patrulha no Campo), que era uma contribuição do Estado a uma tarefa difícil dos municípios em manter essa grande malha viária de mais de 200 mil quilômetros, sendo 100 mil das quais são as vias principais, coube à Seab, pela tradição da Codapar em desenvolver bons projetos e ter uma equipe eficiente, tocar essa parte. Porém, o processo licitatório todo foi feito pela Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seil) e Departamento de Estradas de Rodagem (DER)”, salienta.
Ortigara comenta que possui registrado em documentos e e-mails que defendia a compra dos equipamentos em vez da terceirização. “Nas mãos da agricultura as máquinas duram mais tempo que no tempo de aluguel. E às vezes em dez, 12, 15 meses a máquina já estaria paga. Defendíamos sempre a ideia pela compra. O governo como um todo optou por alugar os equipamentos, e deu no que deu”, lamenta.
De acordo com ele, a Seab está tranquila com a denúncia de eventual malversação. “A equipe técnica que ficou na Seab após a minha saída forneceu todos os documentos. Foram 18 caixas de documentos entregues à Controladoria para chegar ao Gaeco e mostrar nossa lisura. É lamentável que tenha ocorrido isso, porque é um programa tão importante e necessário e acaba até manchando a ideia de um programa desta natureza”, avalia.
O ex-secretário diz ainda que se colocou à disposição do Ministério Público e do Gaeco. “Não fui chamado para depor e nem ouvido para nada. Estou ingressando com uma ação de danos morais e direito de resposta contra um determinado candidato ao Governo do Paraná que me acusou levianamente de fazer parte (do esquema) só porque integrava o governo. Estou com a consciência absolutamente tranquila”, garante.
Estresse desnecessário
Questionado se os reflexos da operação causam transtornos em meio à campanha eleitoral e a poucos dias da eleição, tendo em vista que adversários políticos estão fazendo uso do material para denegrir a imagem de Ratinho e de Ortigara, o ex-secretário entende que promove um estresse desnecessário. “Esse tipo de papo não cola mais. O próprio candidato Ratinho, em programa da RPC, deixou muito clara a nossa atitude e nossa ação. Conversei com ele longamente sobre isso, desde que surgiu esse fato, e ele está absolutamente tranquilo com a minha presença na campanha. Vou continuar de cabeça erguida. Usaram maldosamente esse fato para, através de mim, atingir o candidato, coisa que nós dois estamos tranquilos”, conclui.
O Presente