As quase 50 cartas do diplomata holandês Hendrik Meijer que despistaram a Gestapo, polícia alemã, durante a Segunda Guerra Mundial estão expostas em Carambeí. As correspondências foram escritas à mão nos anos 40 e endereçadas à esposa do prisioneiro, na Holanda.
Por meio de códigos e com a ajuda da mulher, Meijer conseguiu escapar das forças alemãs. De acordo com o historiador da Associação do Parque Histórico de Carambeí (APHC), Felipe Pedroso, quando Meijer escrevia frases negativas, na verdade, eram sentenças afirmativas. “Foi assim que ele conseguiu escapar”, conta.
As cartas fazem parte da exposição Memória comunicativa as faces da tecnologia, que fica na Casa da Memória do Parque Histórico de Carambeí. Além de correspondências de Meijer, o público também pode conferir telegramas, postais e selos, além de máquinas de escrever e outros objetos da época. A mostra, que é a primeira temporária de 2015, fica aberta até o dia 07 de junho. A entrada é gratuita.
As cartas trocadas entre famílias de Irati e de Carambeí, a maioria de imigrantes holandeses, também têm destaque na exposição. Em 1943, e durante praticamente todo o governo do presidente Getúlio Vargas, a restrição em torno da língua estrangeira era bastante severa. Sendo assim, as correspondências da época tinham que ser, obrigatoriamente, escritas em português, mesmo que quem escrevesse não tivesse o domínio do idioma.
Além das correspondências, também há selos especiais, os chamados Fist Day Cover (FDC), na exposição. Geralmente, são envelopes com etiqueta ou desenho; selo e carimbo de primeiro dia ou comemorativo e até mesmo de ambos, podendo estar circulado ou não. Um dos selos mais especiais da mostra, segundo Pedroso, é o do dia em que o homem pisou, pela primeira vez, na lua.
Alguns selos são emitidos em datas comemorativas, com edição limitada. Cada país tem sua lógica de emissão e produção. Há selos que ficam pouco tempo em circulação e se tornam raros com o passar dos anos. Existem outros com caráter ideológicos, que retratam acontecimentos históricos, explica o estagiário do Núcleo de História e Patrimônio APHC e organizador da exposição, Pablo Uliana.