O novo relator da Operação Quadro Negro no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), o desembargador Francisco Pinto Rabello Filho, tem uma filha que trabalhou por oito anos no governo Beto Richa.
O ex-governador, réu em processos da operação, é acusado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) de ser o líder e principal beneficiário dos desvios de mais de R$ 20 milhões de obras de construção e reforma de escolas públicas.
Maria Carolina Zardo Rabello teve um cargo de confiança durante toda a gestão de Richa. Ela começou a trabalhar em fevereiro de 2011, quando tinha 18 anos.
A filha do desembargador deixou o governo estadual no começo de 2019, pouco antes de completar 27 anos. Maria Carolina é formada em direto e teve um cargo comissionado na Casa Civil, com remuneração bruta nos últimos meses de mais R$ 5,6 mil.
Na época da contratação, o chefe da Casa Civil era Durval Amaral, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). O portal Plural mostrou que ela é filha do desembargador do TJ-PR. A informação foi confirmada pela RPC.
O desembargador se tornou o relator da Quadro Negro no TJ-PR há quatro dias. Do ponto de vista legal, não há impedimento dele ser o relator da operação e ter uma filha que ocupou cargo de confiança no governo investigado.
Rabello filho assumiu a relatoria quando a 2ª Câmara Criminal do TJ-PR decidiu soltar Beto Richa, por dois votos a um. O então relator, desembargador José Maurício Pinto de Almeira, votou pela manutenção da prisão.
Os desembargadores José Carlos Dalacqua e Francisco Pinto Rabello Filho votaram pela soltura de Richa. Como foi voto vencido, Pinto de Almeida perdeu a relatoria para Rabello Filho que era o revisor da operação no tribunal.
Beto Richa deixou a prisão na última quinta-feira (04) depois de mais de duas semanas no Complexo Médico-Penal (CMP) de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Como relator da operação, o desembargador Rabello Filho é responsável pelas decisões mais importantes da Quadro Negro. Cabe a ele validar ou anular operações policiais, analisar se solta ou não presos suspeitos de corrupção e até validar ou mudar sentenças do juiz de primeira instância.
O que dizem os citados
O desembargador Francisco Pinto Rabello Filho informou que nunca escondeu o parentesco com a filha, nem mesmo a desavença que tem com ela. Disse que o questionamento é antigo e que já respondeu sobre ele outras vezes.
Maria Carolina Zardo Pinto Rabello e Durval Amaral não quiseram se manifestar.
Com RPC Curitiba