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Flávio Rocha, o Bolsonaro “Nutella”

calendar_month 25 de maio de 2018
3 min de leitura

Nutella ou raiz? Flávio Rocha, o dono da Riachuelo, é um Jair Bolsonaro mais polido. Se aproxima muito do perfil do militar da reserva no que diz respeito ao conservadorismo nos costumes. Embora o rótulo seja semelhante, Rocha procura se distinguir no conteúdo.

Na palestra que fez na Associação Comercial de Cascavel na semana passada, o empresário tocou música nos ouvidos conservadores quando atacou o que chama de “complô das ONGs de fachada contra a expansão do agronegócio”, a “subserviência ao politicamente correto” e o “estado marxista na economia”.

Treinado para frases de efeito, Rocha disse que Karl Marx, o teórico do socialismo, está sepultado a mil metros de profundidade, junto com 70 experiências de comunismo adotadas no planeta e que fracassaram.

Para Rocha, embora respire por aparelhos, ainda sobrevive o marxismo cultural, definido por ele como “bagunçar para governar, atacando valores da família, da Justiça, instituições e a polícia”.

 

Encouraçado Titanic – Provocado pelo Pitoco a produzir uma clara distinção entre sua candidatura e a de Bolsonaro, Flávio Rocha colocou algumas divisórias. Disse que o desapreço do “milico” à democracia é perigoso, pois não há um único país desenvolvido no mundo ocidental governado por ditaduras. E citou a suposta fragilidade do concorrente no plano econômico.

Para Rocha, Bolsonaro precisa dizer com clareza se terá condições de conduzir a economia. “Qualquer candidato que não esteja disposto a dar o calote eleitoral precisa dizer claramente como irá conduzir as reformas. Três quartos do déficit da União vêm da Previdência. É preciso dizer que (e como) a Previdência será reformada”, disse.

Por fim, o pré-candidato lançou dúvidas sobre a conversão liberal de Bolsonaro. “Mais liberdade econômica e menos estado na economia”, bradou.

Ele tentou demonstrar conhecimentos no plano internacional. Disse que Macron, o outsider que venceu as eleições presidenciais na França com larga margem, é direita na economia e esquerda nos costumes. E que Bolsonaro seria um Macron com sinais trocados, uma mescla com Marine Le Pen, a candidata nacionalista e estatizante derrotada na eleição francesa.

Para Flávio Rocha, Bolsonaro é um iceberg, aquela pedra de gelo que furou o casco do Titanic. “Foi fácil para a extrema direita brasileira obter votos conservadores batendo em cima de valores que estão órfãos na política, como a família. Mas isto não basta, eles não têm nenhuma credibilidade econômica”, cutucou.

Como se percebe, na escalação dos presidenciáveis para a Copa das Urnas, haverá caneladas e duras peleias na ponta direita: Jair raiz x Rocha Nutella.

 

Em tempo: Rocha estava acompanhado do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Aroldo Martins. O “apóstolo” de Edir Macedo vai tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PRB, sigla de Rocha, controlada pela seita evangélica mais controversa do país.

 

Com Pitoco

 
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