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Há cinco anos fazendo a diferença na fronteira

calendar_month 9 de junho de 2017
9 min de leitura

Unidade especializada da Polícia Militar do Estado do Paraná (PM-PR), o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), com sede no município de Marechal Cândido Rondon, completou cinco anos de criação na última terça-feira (06). Trata-se do primeiro Batalhão de PM de fronteira do país.

O BPFron é resultado de investimentos do governo federal através do programa Estratégia Nacional da Fronteira (Enafron), instituído pelo decreto 7.496/11. Criado em âmbito estadual pelo decreto-lei nº 4.905 de 06 de junho de 2012, o BPFron é uma proposta para o desenvolvimento de ações relacionadas ao Plano Estratégico de Fronteira e Enafron, em parceria direta com o Governo do Estado do Paraná e subordinado ao subcomandante-geral da Polícia Militar do Paraná. A implantação oficial ocorreu no dia 25 de julho de 2012, com a presença do autor do projeto, deputado Elio Rusch, e do governador Beto Richa.

A missão é desenvolver policiamento ostensivo preventivo fardado, para a preservação da ordem pública e operações diversas para emprego em região de fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina. Também atua no recobrimento das unidades já instaladas e apoiando outras forças de Segurança Pública. O objetivo principal é prevenir e reprimir a prática de crimes transfronteiriços, conforme diretrizes do Comandante-Geral da Polícia Militar.

Passaram pelo comando do BPFron o tenentecoronel Erich Wagner Osternack, o major Adauto Nascimento Giraldes Almeida e atualmente o tenente-coronel Cézar Leroy Cooper é o comandante, enquanto o major André Doreck é o sub-

comandante. A unidade reúne 200 militares em três companhias, pela ordem: Marechal Rondon, Guaíra e Santo Antônio do Sudoeste, sendo as duas primeiras na fronteira do Brasil com o Paraguai e a terceira na fronteira com a Argentina. No total, 139 municípios são atendidos pelos militares. São dezenas de viaturas como caminhonetes e motocicletas, armamentos de ótima qualidade, lanchas, cães farejadores, entre outros.

 

“O BPFron é jovem, porém já apresenta resultados precisos”, afirma Nairo

Para o comandante da 1ª Companhia do BPFron, capitão Nairo Cardoso, ao longo desses cinco anos de trabalho os resultados alcançados têm superado as expectativas. “A nossa avaliação é bastante positiva. Trata-se de um Batalhão jovem se considerarmos a Polícia Militar com 163 anos, portanto o BPFron apresenta resultados precisos e profícuos”, ressalta.

Desde sua implantação no município, no ano de 2012, o BPFron realizou diversas apreensões e desenvolveu diversas operações de fiscalização em Marechal Rondon e municípios vizinhos. De acordo com Nairo, os números atingidos a partir das operações desencadeadas nesses cinco anos são muito expressivos. Ao todo, foram apreendidas 18 toneladas de droga, dois milhões de pacotes de cigarros, 22 mil volumes de contrabando, 1.349 veículos apreendidos, 309 veículos recuperados, 1.635 pessoas detidas e 392 menores apreendidos.

“O BPFron tem superado as expectativas e demonstrado resultados. São 18 toneladas de entorpecentes que foram retiradas das ruas por meio de abordagens, dois milhões de pacotes de cigarros que foram barrados ao tentar ingressar no país por meio do contrabando, mais de 20 mil volumes de produtos contrabandeados como agrotóxicos, venenos que não passaram pelos órgãos sanitários, medicamentos de uso controlado. Além disso, há mais de 1,3 mil veículos apreendidos, a maioria no transporte desse material, 309 veículos recuperados, a maioria de famílias vitimadas, 1,6 mil detidos e quase 400 menores apreendidos. Esses menores acabam sendo utilizados como meio para o transporte de material contrabandeado. Em um período de apenas cinco anos conseguimos resultados significativos para o Estado e o país”, reforça Nairo.

De acordo com ele, são entorpecentes, contrabandos e armamentos que foram apreendidos e não chegaram às Capitais e grandes cidades. Ele entende que quando um contrabando dá errado, automaticamente contribui para a redução em outros crimes, combatendo dos dois lados.

 

Cidade-sede

Em relação às operações no município de Marechal Rondon, sede do batalhão, o capitão enaltece que o foco está em um trabalho diferenciado em 139 municípios da área de fronteira. “Nós fazemos a segunda malha em Marechal Rondon, mas temos outros 138 municípios, pois somos um batalhão especializado que desenvolve um trabalho diferenciado. Não vamos esquecer de Marechal Rondon, porém as pessoas precisam enxergar que o nosso trabalho deságua em grandes centros, como Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, mas isso é uma questão de tempo. Tudo vai se ajustando, o que é algo natural, até conhecer o trabalho específico do BPFron”, comenta.

 

Integração

Na opinião do comandante, o BPFron tem muito a crescer. “O princípio do BPFron é operar na região de fronteira, onde se consegue maior responsabilidade do nosso trabalho”, destaca. Ele enaltece que o que marca o BPFron é a integração com as demais forças de segurança. “Por conta disso, estamos primando por esse trabalho em conjunto”, declara. “O trabalho específico do BPFron é operar na faixa de fronteira e com a ajuda destas outras forças policiais conseguimos trabalhar com maior sustentação”, completa.

 

No futuro, tendência é trazer mais tranquilidade à população, diz sub-comandante

O sub-comandante do BPFron, major André Dorecki, destaca que a região de fronteira é sensível em todo o país. “A ideia da instalação em Marechal Rondon e Guaíra ocorreu porque são os principais acessos ao Paraguai no nosso Estado, então trata-se de uma questão estratégica para aplicação do efetivo no terreno e atendimento das demandas de segurança do Estado nessa faixa. O efetivo ultrapassa 200 homens, o que atende a necessidade atual. A 1ª Companhia está situada junto à sede do BPFron, em Marechal Rondon, a 2ª em Guaíra e a 3ª em Santo Antônio do Sudoeste (na fronteira com a Argentina). “São 139 municípios na área de abrangência, cuja atuação mais incisiva está nos 16 municípios lindeiros, em apoio aos demais batalhões da PM e integrado com as forças de segurança do Estado e do Brasil”, enfatiza, ressaltando os cinco anos da unidade especializada.

A construção da sede própria do BPFron deve ser iniciada neste ano, com o objetivo de oferecer melhor estrutura de trabalho aos militares, entre outros. A área adquirida soma 30 mil metros quadrados e está localizada próxima da atual sede, devendo abrigar alojamento, heliponto, academia, ambientes para cursos e treinamentos, estande de tiros, entre outros ambientes. “A notícia recente é de que na quinta-feira (ontem) ocorreria o pregão eletrônico para sondagem do terreno. Essa empresa terá prazo de 20 a 30 dias para realizar essa sondagem. O projeto está pronto e disponível no Youtube a qualquer cidadão. Ele não atenderá apenas as demandas operacionais do BPFron, mas das outras forças de segurança”, enfatiza.

Dorecki menciona que a sede provisória recebeu adequações para comportar a atividade policial e que o projeto idealizado para a sede própria vai possibilitar otimizar as ações. “Poderemos aumentar o nível da segurança da unidade aperfeiçoando sistema de segurança por monitoramento, podendo aplicar policiais de segurança de instalação numa atividade de policiamento. Poderemos aumentar o efetivo gradualmente e aumentar ainda mais a resposta na região de fronteira”, reforça.

 

Atuação conjunta

Em relação ao fato da comunidade rondonense cobrar atuação não só na faixa de fronteira, como também na cidade de Marechal Rondon, neste caso através da atuação conjunta com outras forças policiais, o sub-comandante do BPFron diz que é feita uma composição. “Então, toda demanda que a PM recebe o 19º Batalhão de Toledo repassa e a 2ª Companhia atende as demandas do cotidiano. De acordo com a necessidade, a Companhia e qualquer outro órgão de segurança pode solicitar apoio ao BPFron que nós vamos fazer o recobrimento. Independente disso, como temos sediado o Batalhão, temos condições de, através do Setor de Inteligência, monitorar demandas de segurança pública e apoiar os órgãos da região, 19º Batalhão, Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário. Foi como aconteceu recentemente quando cumprimos mandados de busca a alguns autores de crimes que haviam sido identificados e presos. De maneira alguma a gente deixa de operar na área de fronteira porque há outros efetivos, grupos específicos que atuam na região ribeirinha, como o Pelotão de Ações Aquáticas, e, na medida do possível, a gente apoia os órgãos de segurança da região”, declara.

Mesmo que o BPFron esteja cumprindo a finalidade para a qual foi criado, na opinião de Dorecki, de maneira alguma deve-se acomodar e se mostrar satisfeitos. “A cada ano o BPFron tenta superar a sua resposta para a sociedade no combate ao tráfico de drogas, contrabando e tráfico de armas que adentram ao país buscando novas formas de combate usando sistemas de inteligência e tecnologia. A gente tem que buscar sempre melhores resultados porque a criminalidade acaba se adaptando a uma rotina”, comenta, acrescentando que a fronteira está mais segura e os resultados mostram essa afirmação.

 

Investimentos

Ele comenta que durante a semana foi divulgado que o governo federal vai aplicar políticas de segurança na região fronteiriça. “A cada dia surgem novas tecnologias que podem e muito auxiliar as nossas atividades de polícia e quanto mais integração houver entre órgãos de segurança, quanto mais investimentos na parte de tecnologia e recursos humanos, mais vai aprimorar a atividade desenvolvida. Com o efetivo que trabalhamos conseguimos dar resposta positiva, sendo que no futuro, em havendo incremento tanto no BPFron quanto nas atividades de segurança pública municipais e federais, a tendência é trazer mais tranquilidade à população”, avalia.

 
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