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Indústria tenta se recompor aos poucos da queda acentuada

calendar_month 13 de junho de 2017
5 min de leitura

Alguns segmentos de atividades foram atingidos em cheio pela crise econômica brasileira, isso por estarem de uma ou de outra forma ligados à construção, caso das indústrias metalúrgica e moveleira, que amargaram redução de 45% no faturamento.

Um dos setores mais impactados foi o metalúrgico. Conforme o administrador da Metalúrgica AJJ, André Rohloff, a queda foi registrada cerca de dois, três anos atrás. “A partir do mês de maio deste ano estamos percebendo uma pequena perspectiva de melhora. Acho que estão se concretizando aquelas previsões de que o segundo semestre tende a melhorar, mas tem muita coisa surgindo na política e na economia que antes não existiam e que hoje estão complicando a sequência de crescimento do mercado”, avalia.

Rohloff salienta que houve cancelamento de pedidos devido à Operação Carne Fraca – deflagrada no mês de março pela Polícia Federal. “Isso nos afetou diretamente, sendo que atualmente temos perspectiva positiva motivada pelas safras de soja, que foi boa, e de milho, que deve ser recorde. Uma das questões envolve o preço pago ao produtor, mas a lei da oferta e da procura é assim mesmo”, analisa. Ele também reconhece que de alguma forma os empresários dos mais variados segmentos serão afetados pela insegurança atravessada na política, contudo menciona que isso deve variar de cada ramo de atividade e da habilidade dos empresários em se adaptar à situação e procurar se reerguer.

Segundo o administrador da metalúrgica rondonense, a queda de dois anos atrás foi de aproximadamente 45%; de janeiro a maio deste ano esteve próxima de 20%. “Num cenário otimista é possível uma recuperação de 20% a 30% até o fim do ano, isso a partir de quando os agricultores começarem a vender a safra. A melhora total pode ser na faixa de 5% a 10% na comparação de 2017 com o ano passado, contudo ainda bem abaixo da queda vivida dois, três anos atrás”, comenta.

Tal diminuição no montante de trabalho acarretou na redução de cerca de 50% no número de funcionários. Todavia, apesar de um índice alto, nenhum foi caso de demissão. “Os funcionários que eram de outras cidades pediram desligamento porque a esposa trabalhava em outro ramo e acabou perdendo o emprego, então eles foram buscar oportunidades onde moravam ou em outras cidades”, comenta.

 

Novo cenário

De acordo com o coordenador do Núcleo de Moveleiros da Acimacar, empresário Sandro Zastrow, a queda no setor foi próxima de 40% nos últimos anos. “A reclamação nas marcenarias é de que o ano passado foi um dos piores, sendo que muitas delas fecharam as portas, enquanto outras foram abertas de uma forma não muito boa”, diz, acrescentando que a expectativa não é a ideal.

“Outras empresas diminuíram o quadro de funcionários, mas para este ano o pessoal está um pouco mais animado com a possibilidade de breve melhora de 5%, quem sabe até 10%, o que deve significar equilibrar ou superar na comparação com o ano passado. O setor em geral observa uma pequena melhora desde abril, mas não é o suficiente”, avalia, emendando: “Nós da indústria moveleira estamos apostando na Expomar como sendo uma grande oportunidade para fazer propaganda dos produtos e aumentar as vendas”.

Zastrow cita como exemplo o caso da sua empresa, que no último ano teve queda de 40% nas vendas e que agora se recupera na margem de 10% a 15%. “Aqui a maior queda foi registrada na venda de sofás novos, enquanto a melhora foi observada no quesito reformas. Nos anos anteriores o pessoal trocava ao invés de consertar”, frisa.

 

Fase realista

O vice-presidente da Indústria na Acimacar, empresário Carlos Lunkes, menciona que a expectativa é realista para o segundo semestre no setor industrial, não tendo como prever se haverá uma melhora tímida na comparação com o ano de 2016. “A indústria foi um dos setores que mais sofreu com a crise e puxou a economia do país para baixo. Até o ano passado o Brasil vinha num projeto de crescimento que não se concretizou. As empresas investiram na expansão das fábricas, mas as vendas não cresceram e isso levou à ociosidade de muitas indústrias”, lamenta, acrescentando que isso também vem sendo registrado na microrregião.

Responsáveis pela metade dos empregos na indústria, as pequenas empresas têm sido as mais afetadas pela crise. Segundo ele, com acesso restrito ao crédito e menos reservas para suportar a queda da demanda, as indústrias de menor porte têm mais dificuldade de se recuperar da recessão. Por sua vez, o empresário está esperando as reformas anunciadas pelo governo para investir em modernização e contratar funcionários.

Dessa maneira, é preciso desengavetar alguns projetos para garantir a competitividade, contudo, tais investimentos devem ser menores e necessariamente não devem ampliar a capacidade das indústrias. Lunkes enaltece que para o setor industrial ser fortalecido é preciso melhorar as condições gerais para toda a economia, o que envolve o setor de serviços, conduto o momento atual é de redução de despesas do governo e de consumo das famílias.

Conforme ele, como não tem nada de fora puxando a indústria e o setor externo não vai contribuir para este crescimento, a demanda interna pode ser a responsável estimulada pelo crédito, o que ainda parece estar incerto.

 
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